AS EMPRESAS DEVEM INVESTIR EM PROGRAMAS DE ACELERAÇÃO OU MUDANÇA DE CULTURA?

By | 2018-11-29T11:29:32+00:00 27/11/18|aceleração, comportamento, cultura, empresas, startups|

Existem muitas formas de se tornar uma empresa inovadora, e mais ainda de se obter resultados mais eficientes a partir dos processos de inovação. Mas não existe forma de inovar sem que a sua empresa possua uma cultura que promova e absorva ideias, processos, e negócios inovadores.

Muitas empresas procuram a TroposLab porque desejam se tornar empresas com maiores índices de inovação, e para que assim, elas consigam alcançar cada vez mais resultados melhores. Algumas dessas empresas buscam por processos ou programas de aceleração, e nesses projetos esperam gerar ideias e/ou negócios inovadores. A expectativa é de que exista algum movimento interno que vá nessa direção, e que assim possa gerar soluções para demandas já existente e até mesmo urgentes dentro dessas organizações.

No momento em que essa procura por ajuda acontece, muitas empresas já descobriram um problema real que possuem: não sabem como inovar, não possuem ferramentas e nem mesmo um time. Mas isso é apenas parte do problema. Então na verdade o que essas empresas estão buscando quando querem aumentar o número de iniciativas de inovação? E mais, o que existe de fato nessas empresas (e são maioria no mercado) que elas não conseguem mudar esse contexto de forma natural ou com os recursos que já possuem?


O que normalmente está acontecendo é que por mais que já exista a necessidade de inovação, e por mais que isso já seja uma dor consciente das empresas, ainda não está claro que o que elas têm é um problema de cultura. E o que elas estão buscando nesses programas de aceleração e de intraempreendedorismo é na verdade mudanças em sua cultura, e que a partir dessas mudanças elas possam promover e acelerar os processos de inovação de forma orgânica.

Por que o que essas empresas querem não é um programa de aceleração e sim uma mudança de cultura? Porque se fosse um programa de aceleração, a expectativa seria de que ESSE projeto trouxesse resultados incríveis, e a expectativa iria até o final do programa executado junto com a TroposLab. O que as empresas querem de verdade é que ao final dos programas de aceleração seus colaboradores tenham se tornado empreendedores com alto potencial de inovar. Querem que várias outras iniciativas semelhantes as desse programa de aceleração aconteçam frequentemente. Então, podemos afirmar que o que as empresas querem de verdade é uma mudança de cultura. Querem uma cultura que promova as próprias soluções inovadoras.

Pensando nisso, criamos um gráfico que chamamos de “Gráfico de inovação para as empresas” e fizemos algumas reflexões:

inovação-empresas

  • Não existe inovação sem que exista uma cultura de inovação e sem que exista ferramentas para inovar. Colocamos no eixo x a cultura, que nada mais é do que o conjunto de pensamentos, comportamentos, sentimentos, regras e crenças existentes dentro de uma organização e que faça ela ser exatamente como ela é. Colocamos no eixo y as ferramentas de inovação, que é um conjunto de conteúdos, metodologias e processos de inovação. E sempre a inovação vai acontecer de forma proporcional a interação dessas suas variáveis.

  • Ponto A: Esse ponto representa uma situação em que a empresa investiu muito na variável ferramentas de inovação, mas ignorou completamente a variável de cultura. Ou seja, esse é o ponto que representa as empresas que contratam bons programas de aceleração, mas não estão preocupadas em intervir no modo como sua empresa pensa, sente e age em relação a inovação. O que podemos esperar como resultados para esses casos? (I) que ao final do programa, as iniciativas, por mais que sejam excelentes, não sobrevivam e morram; (II) os resultados serão dependentes da subcultura promovida dentro do próprio ambiente do programa, mas que não extrapola esse momento/contexto; (III) frustração por parte da empresa e por parte dos intraempreendedores envolvidos nesse projeto, que investiram muito e não conseguiram os resultados esperados.

  • Ponto B: Ao contrário do ponto A, nesse caso, é quando a empresa acredita que o que ela precisa é apenas de uma intervenção puramente cultural. Ela acredita que entender mais sobre a sua cultura e promover ações nessa direção é o suficiente para que a empresa promova organicamente suas próprias formas de gerar inovação, de criar as suas ferramentas. E nesse cenário o que podemos esperar enquanto resultados? (I) que o tempo desse processo seja muito demorado e custoso; (II) que os resultados não possam atingir as expectativas de inovação; (III) que ao longo do tempo as ações morram por não produzirem resultados;

  • Ponto C: Por fim, o ponto C representa a direção na qual deve caminhar os processos de inovação, sempre combinando as ações que absorva conteúdos e ferramentas de inovação, mas dentro de uma mudança de cultura que acontece já a partir dos processos para inovar. Ou seja, é uma mudança de cultura a partir de processos de inovação, que interaja ferramentas e aspectos culturais. Os resultados dessa interação são os que possuem maiores probabilidades de eficiência, e são: (I) cultura amadurece e absorve ferramentas e processos de inovação; (II) o time se desenvolve e cria os próprios recursos para extrapolar as intervenções de mudança de cultura; (III) as iniciativas criadas a partir de boas oportunidades encontram nessa cultura recursos para serem desenvolvidas e implementadas, gerando resultados e novas práticas na cultura.

A partir dessas reflexões, concluímos que a única forma de garantir resultados significativos e a eficiência dos processos, é criando um ambiente que promova o encontro das melhores ferramentas e metodologias de inovação com uma cultura que seja madura e capaz de absorver os efeitos e resultados das ações mais inovadoras.

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About the Author:

Marina Medonça
Designer de Comportamento e Cultura | Pesquisadora no Núcleo Tropos de P&D