Um dos assuntos mais discutidos e compartilhados nos ambientes de empreendedorismo e inovação nos últimos dias foi o Brazil Digital Report, um relatório produzido pela McKinsey & Company em parceria com a Brazil at Silicon Valley. O documento traz de forma organizada algumas informações nos campos da economia brasileira, inovação, digitalização e empreendedorismo.

Para compor nossas conclusões e apoiar nossos aprendizados, destacamos alguns pontos apresentados no report:

A – Nossa economia apresenta sinais de crescimento

Com contribuição significativa da agricultura e dos serviços para isto. Na paralela, o mercado de capitais está se desenvolvendo, o número de IPOs tem crescido, o Risco Brasil caindo e isso tudo junto demonstra um cenário favorável. Por outro lado, o Brasil precisa se dedicar para vencer desafios de produtividade e inovação, sabendo que as grandes empresas brasileiras estão num mesmo patamar de inovação, e se esforçar para participar de mais acordos comerciais globais.

B – No que tange a digitalização, os brasileiros estão prontos e ávidos pela disrupção digital.

Apesar do amplo acesso a smartphones e à internet e do fato dos brasileiros serem “heavy users” de plataformas de mídias sociais, a inclusão digital do país está só no começo. O acesso à internet varia bastante entre regiões, classes sociais e faixas etárias e ainda deixa a desejar em termos de qualidade e velocidade, segundo aponta o Brazil Digital Report. Além disso, apesar dos brasileiros usarem muito redes sociais, eles ainda pouco consomem no ambiente virtual (no sentido de transacionar/gastar dinheiro on line).

C – “O ecossistema empreendedor”  

Sabemos que boa parte da população brasileira é empreendedora, 39% dos brasileiros empreendem seus próprios negócios, mas apenas uma pequena parte deles destinam seus esforços para inovarem. Neste contexto as startups – temos mais de 10.000 delas no país – desempenham um papel importante tanto de inovar quanto de estimular a inovação, criando e dando vida aos ecossistemas empreendedores por todo o Brasil. Notamos um aumento importante de investimentos (anjos e VCs), o surgimento de unicórnios – já temos 8!!! –  e a promessa de outros para o médio prazo. E como nem tudo são flores, enfrentamos alguns desafios para o desenvolvimento deste ecossistema, como os altos custos de abrir e fechar empresa no Brasil e a dificuldade de recrutar e desenvolver talentos digitais.

D – Algumas áreas que merecem olhares mais cuidadosos e profundos

Finanças: Brasil continua sendo atrativo para serviços financeiros e a tendência é que os usuários de banco sejam digitais. São mais de 400 FinTechs no país e ainda temos muitas oportunidades no mercado.

Saúde: ainda que o país tenha melhorado em alguns indicadores relacionados à saúde, ele ainda está muito atrasado na adoção de tecnologias digitais. As mais de 200 HealthTechs no país não atendem todas as demandas deixando muitas oportunidades para outros empreendedores.

Educação: o desafio de melhorar o desempenho da educação do país é evidente. Mesmo com melhoria em alguns índices como nível médio de escolaridade e taxa de analfabetismo, o Brasil tem performado mal no ranking dos países. As mais de 350 EdTechs no país ainda não dão escala à educação dentro e fora das salas de aula.

Governo: a inovação tem transformado os serviços públicos e ainda existem outros campos que as GovTechs podem atuar para criar e melhorar os serviços públicos para a população.

Considerando o momento de crise política e econômica do país, é muito importante ver de forma clara, como apresentada pelo Brazil Digital Report, que apesar da crise, o Brasil demonstra sinais de crescimento e desenvolvimento. Ainda que tenhamos desafios estruturais para vencer. Tais desafios talvez possam ser superados considerando as vocações econômicas do país, respeitando as regionalidades, e melhor aproveitando seus ativos e o conhecimento da população. Vencer esses desafios pode contribuir para que o Brasil vá para um outro patamar econômico e financeiro ao ser comparado com outras economias.

Outro ponto que consideramos importante no Brazil Digital Report passa pelo reconhecimento de que o Brasil produz pouca disrupção tecnológica em termos percentuais em função do tamanho da população. Entendemos que estimulá-la é fundamental para melhorar as condições de negociação do país frente à organizações financeiras mundiais e/ou outros países numa situação de barganha que favoreça o bem estar da população.

Tão importante quanto reconhecer que produzimos pouca inovação tecnológica é reconhecer a importância das startups para mudar esse cenário. Passamos já há algum tempo pelo momento de pouca densidade de startups, agora estamos na fase de estimular que elas produzam tecnologias disruptivas. Isso ajudaria não apenas seus respectivos negócios, mas aqueceria o ecossistema como um todo, especialmente no que se refere à atratividade para investimentos inclusive internacionais.

Por fim e ainda longe de estressar a discussão, fica uma provocação para desenvolvermos nosso mindset digital e então aplicá-lo a novos produtos, serviços e negócios que gerem impacto significativo no desempenho do país enquanto nação que zela pela segurança econômica, financeira e social da população. Aqui na TroposLab estamos dispostos a auxiliar nesse processo e a contribuir para a construção do país que sonhamos ver. Junte-se a nós!

VOCÊ SABIA?

  • O típico empreendedor brasileiro é do sexo feminino, com menos de 34 anos, de classe média baixa e com ensino médio, no melhor dos casos.
  • O típico fundador de startup é do sexo masculino, com 33 anos em média, com formação em áreas técnicas e a grande parte das suas respectivas equipes são compostas por homens.