FOMENTO PARA STARTUPS É BOM, MAS EM EXCESSO PODE SAIR CARO, LITERALMENTE

By | 2018-11-05T10:38:15+00:00 30/10/18|startups|

Em 2013, Minas Gerais viu a inauguração do programa de fomento e aceleração de startups conhecido como Seed, que impulsionou o empreendedorismo tecnológico no estado, que já passou por várias edições e inclusive estimulou o surgimento de uma comunidade forte, o San Pedro Valley, que junto de aceleradoras como a Tropos Lab e o Lemonade estão entre os finalistas do Spark Awards 2018.

A participação do estado em estímulos como esse aceleram o desenvolvimento de ecossistemas, sem dúvida. Porém, gostaria de explorar os efeitos que o excesso – que nunca é bom – desse fomento podem causar a um ambiente empreendedor e mesmo em qualquer setor da economia.

Meu comentário será baseado nas ideias da Escola Austríaca de Economia, pela qual sinto atração natural, uma vez que coloca o indivíduo como agente das mudanças, com ênfase na importância dos empreendedores no processo de mercado. Quem quiser saber mais, sugiro ler o livro de Rodrigo Constantino, “Economia do indivíduo: O legado da escola austríaca“, que é como uma resenha de autores dessa escola.

Os sintomas do excesso de fomento

Vamos lá, o fomento a startups, com dinheiro público, é uma forma de “crédito” dado às startups pelo governo, sem necessidade de pagá-lo de volta. Pela lógica, fica mais fácil abrir um negócio, que é naturamente difícil, pois demanda entregar resultados muito bons para engajar o público consumidor, que não perdoa se a ideia for ruim. Portanto, vão surgir mais negócios do que o normal, “acelerando” o desenvolvimento do ecossistema, como no caso do Seed.

Nem tudo são flores, e “dinheiro não nasce em árvores”, portanto há um efeito negativo no médio a longo prazo.

Primeiro, quando acaba o recurso de fomento, como na crise que tivemos em 2015 e 2016, os negócios que nasceram na época de crédito fácil só podem sobreviver pela entrega de resultados. As startups boas resistem, enquanto as ruins fecham, o que pode até agravar a crise no setor. Foi exatamente o que eu enxerguei nesse período: dezenas de startups que surgiram na empolgação do mercado agora fechavam ou “pivotavam” para algo que entregasse resultados mais imediatos para sobreviver.

É como se o crédito fácil “enganasse” o mercado, ou seja, os empreendedores, a pensarem que um negócio X ou Y era rentável, quando na verdade não seria em condições normais de mercado atual. No final, só o que é realmente útil prevalece, tornando-se um bom negócio.

O segundo efeito negativo do crédito fácil é que encarece as startups. Afinal, se é “fácil” conseguir R$ 80 mil sem ceder equity (proposta do Seed), se um investidor-anjo chegar até mim oferecendo R$ 50 mil em troca de 15% de equity eu posso achar um mal negócio. Por isso, o fomento praticado em excesso sai caro, literalmente.

Qual é o melhor caminho?

Há inúmeras formas de desenvolver negócios tecnológicos, mas em todos os caminhos a figura do empreendedor é indispensável, por ser quem está mais próximo dos problemas reais. Quanto mais livre é um mercado, ou seja, quanto menos regulação, mais liberdade os empreendedores terão de resolver esses problemas, de inovar com ideias úteis, que prevalecem e perduram.

Isso não significa, é claro, que a contribuição do programa Seed não tenha sido boa. Pelo contrário, acelerou o crescimento, como eu disse, e ensinou muito ao nosso ecossistema, inclusive na crise. Portanto, assim como saber a hora de entrar e fomentar uma área da economia é importante, é preciso saber a hora de sair e deixar que o setor alcance o equilíbrio pelo mecanismo de transmissão de conhecimento chamado “mercado”.

Desregulamentar e garantir liberdade de ação aos indivíduos é o melhor caminho para, no médio e longo prazo, termos uma economia próspera em qualquer setor. É isso que o estado deve garantir.

Se você tem um negócio e quer vê-lo prosperar, garanta que está entregando um resultado real. Não empreenda só porque acha bonito, pois não será fácil! Se seguir essa linha e resolver o problema, a tendência é você se tornar um daqueles que prevalecem. Na Tropos Lab temos metodologias para te ajudar, como fizemos com mais de 600 startups.

E se você é uma organização que quer investir em negócios realmente inovadores, entre em contato conosco e lhe ajudaremos, pois, acredite, somos movidos por resultados!

About the Author:

Augusto Salles
Agente de Aceleração TroposLab