Pedro Teixeira

About Pedro Teixeira

Sócio Fundador | Coordenador do Núcleo Tropos de P&D Aceleração

A interação com startups como estratégia de open innovation

O mundo da inovação é competitivo demais para se andar sozinho.

Estamos vivendo um momento único dentro do mundo da inovação e competitividade, em particular no Brasil. A recente crise econômica, as novas tecnologias e a nova forma de pensar das novas gerações tornaram as regras vigentes até então quase obsoletas. Vamos falar sobre cada um desses pontos, como eles interferem no mundo da inovação e como a interação com startups pode ser a melhor resposta para os desafios internos das empresas.

Crise econômica

O primeiro é talvez o mais óbvio: nos últimos anos passamos por uma crise econômica e uma posterior recessão que insiste em não ir embora. Isso tirou o poder de compra das famílias, freou os investimentos da indústria, tirou empregos e todos os outros efeitos que acompanhamos. Assim, inovação deixou de ser uma questão de diferencial e começou a se tornar uma questão de sobrevivência. Mudando a famosa frase de Dom Pedro, o lema agora é “Inovação ou Morte”.

E seria ingenuidade nossa imaginar que as empresas, em especial as grandes, não investissem em inovação até antes da crise. Mas esse investimento, e principalmente o formato desse investimento não estava sendo suficiente. E ai surge a dúvida, como fazer para investir em inovação justamente no momento de segurar investimentos? Muitas estão encontrando no open innovation, especialmente na interação com startups, esse caminho.

De forma barata, rápida e trazendo ideias completamente novas, as startups tem se tornado fornecedores inovadores, parceiros tecnológicos e co-desenvolvedores de produto, em uma escala nunca experimentada pela maioria das grandes empresas.

As novas tecnologias trouxeram efeitos colaterais não tão óbvios para os diversos mercados ao redor do mundo.

Novas tecnologias

O próximo ponto é o surgimento de novas tecnologias que simplesmente acabaram com barreiras de mercado seculares. Mercados como o de telefonia, dominado por 3 ou 4 grandes empresas no Brasil, se viu de uma hora para outra forçado a migrar cada vez mais para o fornecimento de internet, uma vez que soluções como o Skype, Hangout e recentemente (e de forma devastadora) o Whatsapp, dizimaram as ligações internacionais e SMS e gradualmente estão substituindo ligações locais.

No mundo dos bancos, estamos vendo um início do mesmo processo. Todo mês surgem novos bancos digitais, fintechs de empréstimo peer-to-peer, corretoras de investimento virtual, novas criptomoedas e diversas outras ideias que vão (e já estão) revolucionando o mercado.

O mundo das montadoras de carros se viu diante de um concorrente não mapeado que tem feito cada vez mais com que pessoas deixem de ter o sonho do carro próprio. Os aplicativos de serviço de motoristas particulares (Uber, 99, Cabify, Lift, etc) tem feito muita gente abandonar ou adiar a compra do carro. Apps de entregas como iFood, Rappi, Loggi, Uber Eats aprofundam essa situação. E os (cada vez mais próximos) carros autônomos colocarão a última pá para enterrar esse modelo de negócios atual.

E o mesmo está acontecendo ou prestes a acontecer no seu setor. Independente de qual ele seja.

As empresas desse e de diversos outros setores perceberam isso, e para se antecipar à obsolescência e fazer parte do novo mundo, tem aberto suas portas de P&D para o open innovation e assim interagir com startups que futuramente poderiam engoli-las.

Use como exemplo os grandes bancos no Brasil, que tem investido em espaços de inovação se conectarem com esse mundo (Cubo – Itau, Habitat -Bradesco, Orbi – Banco Inter, Semear Innovation – Banco Semear, BMG Uptech – Banco BMG, e muitos outros espalhados pelo Brasil).

Novas gerações

Por fim, existe uma mudança de pensamento do consumidor que muitas empresas não estão conseguindo acompanhar. Não é somente sobre tecnologia e facilidade de comunicação, vivemos um momento em que o consumidor QUER fazer parte dos processos de decisão das empresas.

A nova geração que hoje possui o poder de compra e dita as tendências cresceu se comunicando com as marcas que gosta, mesmo que essas marcas não se comunicassem de volta. A proximidade com o cliente é algo hoje fundamental. Entender o que ele pensa, fazer comentários que gerem empatia e fazê-lo sentir que você está o ouvindo são pontos fundamentais para o sucesso de um produto.

E as startups são especialistas em fazer isso.

São especialistas porque essa era a única alternativa de sobrevivência delas.

São especialistas porque não estão engessadas em burocracias.

São especialistas porque desenvolveram desde o início o mindset de escutar e conversar com o cliente.

Open innovation -> Interação com startups

O mundo já mudou e vai mudar ainda mais. Para ter a velocidade de conversar com esse novo mundo, todas as empresas precisam pensar como startups. A sua pode tentar fazer isso sozinho e garanto que não terá velocidade suficiente para isso, ou abrir as suas portas para a interação com startups, a fim de criar conexões que te guiem nesse novo mundo. 

Quer saber mais sobre o mundo do empreendedorismo e inovação? Não deixe de acompanhar nosso blog e acompanhar também os conteúdos Tropos para startups no Blog Bizccol.

 

POR QUE O OPEN INNOVATION NÃO DEU CERTO NO BRASIL? OU DEU?

Já ouviu falar de Open Innovation?

Open Innovation (inovação aberta) é um formato de organizar inovação onde as empresas param de tentar inovar sozinhas e começam a interagir com universidades, fornecedores, clientes e até concorrentes para gerar inovações de forma colaborativa. No fim do dia isso quer dizer: mais inovações, de forma mais rápida, de forma mais barata e gerando inovações mais disruptivas.

Lindo não é? O problema é o famoso vale da morte que existe entre universidades e empresas no Brasil.

  • De um lado existem as universidades e centros de pesquisas – lar dos melhores cérebros do Brasil – trabalham de forma heróica desenvolvendo tecnologias inovadoras mesmo sem ter nem de perto as mesmas condições de pesquisa e de trabalho dos países desenvolvidos. Quem faz pesquisa no Brasil, e principalmente, quem compete de igual para igual e é respeitado pelos seus pares internacionais, merece sem sombra de dúvidas nosso muito obrigado.
  • Do outro lado estão as empresas, que conseguem produzir e inovar em um dos países com maior taxa tributária do mundo. Conseguem trazer inovações mundiais mesmo em empresas onde as matrizes se preocupam pouco ou nada com o que acontece por aqui.

Mas por que esses dois lados heróicos, cada um à sua maneira, tem tanta dificuldade de interação? Porque cada um fala uma língua própria, confusa para o outro lado e assim tem muita dificuldade de construir algo junto. Segue alguns exemplos de como cada lado vê o mesmo mundo:

  • Pesquisadores veem a longo prazo, querem resolver os problemas do futuro e são eles que vão construir as soluções para problemas que ainda nem existem. // Por outro lado empresas são práticas, olham para os problemas de hoje, até porque precisam vender para pagar as contas.
  • Se os pesquisadores são os únicos que realmente olham para frente, por outro lado não se preocupam tanto com prazos e rapidez na pesquisa. // As empresas por sua vez, se especializam em gestão, cumprimento de prazos e adiantamento de resultados.
  • Na pesquisa o caminho é importante e o erro é uma fonte de aprendizado, valoriza-se muito a formação das pessoas no caminho. // Já na maior parte das empresas o erro é condenado, e isso faz com que as pessoas arrisquem menos, assim também erram menos e por consequência inovam menos.
  • Na pesquisa o resultado é uma consequência, o grande comprometimento é com o método científico e com o aprendizado gerado. // Já na empresa, o resultado é o objetivo (um novo produto, um aumento de receita, etc).

Mas isso quer dizer que os dois mundos nunca conversam? Claro que não. O mundo é cheio de exemplos de interações bem sucedidas gerando as grandes inovações que conhecemos hoje.

No Brasil, no entanto, essa interação ainda é bem tímida. A empresa com maior interação com a pesquisa é a Petrobras e ela faz isso porque existe uma regulamentação do setor que exige e equla, e todas as outras empresas do setor, investa parte dos lucros em pesquisa e desenvolvimento (sendo metade em parceria com universidades e/ou centros de pesquisa).

A verdade é que a visão de muitos pesquisadores é que as empresas são capitalistas prontos para roubar os seus dados, enquanto muitas empresas veem os pesquisadores como inventores malucos pesquisando sobre coisas não importantes. E essa é uma visão enraizada na nossa cultura há algumas décadas.

Mas então o Open Innovation está condenado a não funcionar no Brasil?

O que eu tenho visto nos últimos anos me leva a crer que a resposta para a pergunta acima é não. Desde 2016, tenho visto no mercado um movimento expressivo de grandes empresas investindo em programas de aceleração de startups. Você pode conhecer alguns desses programas na lista que fizemos sobre Corporate Venturing. Isso acontece devido à crise que enfrentamos no período, que acabou forçando as empresas a repensarem seus produtos, processos, fornecedores, etc.

E o que isso tem a ver com Open Innovation? TUDO. As startups assumiram um papel de levar novas tecnologias, novas ideias e novos modelos para as grandes empresas de uma maneira que as universidades e centros de pesquisa não conseguiram ainda fazer. E os pesquisadores mais propensos a formar parcerias, também tem se transformado em startups para poder aproveitar essa onda.

As startups que hoje estão no mercado, em sua grande maioria, ainda são pouco inovadoras quando se fala de tecnologia, justamente porque o nosso forte de desenvolvimento tecnológico está dentro das universidades e não nas startups. Mas a cada ano essa balança melhora para as startups.

Para onde esse cenário caminha? Eu acredito que precisamos direcionar cada vez mais para a organização de pesquisadores no formato de empreendedores de startups. Isso fará com que consigamos mudar a posição do Brasil na economia e começar finalmente a sermos produtores e não apenas consumidores de novas tecnologias.

Afinal de contas, estamos entre os países mais conectados do mundo:

E quase não geramos novas tecnologias:

Além disso, se por um lado o desemprego de mestre e doutores hoje chega a 25% (já que não existe emprego para todos eles como professores universitários e as grandes empresas não querem alguém sem “experiência”), por outro as startups têm atraído cada vez mais esse perfil. Onde, com os sócios corretos, é possível criar negócios consistentes com produtos inovadores.

Bem, o que sabemos com certeza é que o futuro será colaborativo. As empresas que não forem (colaborativas) irão morrer e quem sabe essa onda de inovação a partir das startups não é a nossa chance de começar a liderar a nova economia que está surgindo?!

COMO O MUNDO CONECTADO REAGIU A CATÁSTROFE DE BRUMADINHO

Na sexta-feira (25/01/2019) , acompanhamos atônitos mais uma catástrofe, desastre ambiental, crime ambiental, como queiram chamar. De qualquer modo, mais uma barreira se rompeu. Dessa vez em Brumadinho.

Pelo que se sabe até então, mais de 395 corpos foram encontrados e mais de 226 pessoas continuam desaparecidas. A cada dia, a cada hora, com menos esperanças de serem encontradas.

Entraremos agora em um longo processo de semanas, meses, anos, onde acontecerão as investigações das causas, o julgamento (ou não) dos responsáveis, as discussões sobre os processos de controle, fiscalização e sobre formas de evitar que novos acidentes aconteçam.

Mas o que eu queria relatar agora é o que eu vi nesse final de semana.

Moro em Belo Horizonte, cidade a 60 Km de Brumadinho. Por isso acompanhei de perto um processo interessante que eu não havia presenciado em outros acidentes. A rápida mobilização da população em um processo de co-construção coletiva de soluções diversas para a catástrofe.

Mesmo em um período tão curto, consegui ver algumas ondas que mostram os efeitos positivos e negativos da alta conectividade que vivemos hoje.

ONDA 1 – Notícia se espalha

O fenômeno Whatsapp já é conhecido na sociedade brasileira quando acontecem grandes acontecimentos. Em poucos minutos todos os grupos de Whatsapp, seja os de relacionamento pessoal (grupos de famílias, amigos), seja o de relacionamentos profissionais (grupo do trabalho, grupos temáticos de discussão, etc), estavam discutindo sobre o desastre.

Uma onda de vídeos, reportagens, áudios, fatos desencontrados invadiu esses grupos. Nos primeiros minutos, reportagens curtas dos grandes portais, vídeos do local e especulações sobre os fatos (1.000 mortos, atingiu o refeitório na  hora do almoço,  etc).

Nas horas que se seguiram um misto de notícias mais esclarecedoras com fake news, propositais ou não. Muitos vídeos, alguns realmente do ocorrido e outros tantos de acidentes anteriores de outros locais do mundo compartilhados por inocência e/ou má fé. E por outro lado, os próprios membros dos grupos identificando esses vídeos falsos e diminuindo o seu compartilhamento.

A mídia social é extremamente mais rápida para disseminar as informações, mas na hora de averiguar os fatos todos procuram confirmação nas mídias tradicionais.

ONDA 2- Mobilização de ajudas emergenciais

Na noite do dia 25/01 (dia do acidente) começam os grupos de mobilização para doações de água, alimentos, roupas e dinheiro. As autoridades tentam controlar e centralizar as doações, mas nessa hora é incontrolável. Muitos grupos surgem (em sua grande maioria grupos bem intencionados) para tentar ajudar e assim são arrecadadas toneladas de alimentos, água, roupas.

Tudo isso muito bom, mas nos dias seguintes descobre-se que esses itens não são tão necessários. Pelo menos não naquele momento. Essa não foi uma tragédia com grande número de desabrigados. Foi uma tragédia com grande número de fatalidades.

Na mesma velocidade se descobre da necessidade de psicólogos no local e doações de sangue, e assim a população se mobiliza para esse novo tipo de ajuda.

ONDA 3- Mobilização de ajudas complexas

O universo do Whatsapp é repleto de grupos de discussão temáticos (grupos de engenheiros, biólogos, mineradores, médicos, startups, etc). Quando a primeira onda de ajuda “genérica” começa a perder fôlego, essa nova onda de ajudas mais especializadas começa a ganhar força.

Grupos de engenheiros começam a recrutar pessoas com experiência e/ou capacidade de pensar soluções para salvamento das pessoas ou contenção da lama.

Grupos de biólogos começam a discutir maneiras de medir e evitar um impacto ambiental ainda maior.

Grupos de médicos organizam caravanas de voluntários para atendimento dos feridos e das famílias.

Grupos de startups recrutam especialistas em drones, análise de imagens e vários outros tipos de tecnologia que podem ajudar a encontrar feridos.

E vários, mas vários outros grupos com temas diversos. Muitos desses inclusive “concorrentes” entre si.

Essa ajuda chega rápido ao local da tragédia, mais rápido inclusive que as autoridades conseguem receber, organizar e direcionar essas ajudas. E assim, no primeiro momento, há uma bateção de cabeça. Vi notícias de um grupo pilotos profissionais de drones que se apresentaram como voluntários no local, não havia ainda quem pudesse recebê-los e direcionar a sua ajuda.

Resumindo:

O que tive (estou tendo) a oportunidade de presenciar, é como a inovação aberta (onde as soluções surgem de diversas fontes diferentes) tem a capacidade de mobilizar recursos e gerar soluções muito mais complexas e assim resolver problemas complexos com imensa rapidez.

No entanto, é preciso aceitar que esse processo é caótico. Por sua descentralização não está sujeito a controles tão rígidos. Possui uma série de erros no caminho, mas a própria natureza da rede, tende a corrigir esses erros.

Gestores que querem implementar sistemas de inovação aberta devem estar abertos a abrir mão de:

  • Controle do processo
  • Erro zero
  • Clareza nos resultados

E por outro lado podem conseguir:

  • Rapidez nos resultados
  • Menor custo de operação
  • Inovações mais disruptivas

Ou você acha que o coordenador de crise da defesa civil estava contando com a ajuda de programadores do Brasil inteiro criando em um final de semana uma plataforma aberta, verificada por outros desenvolvedores do Brasil inteiro, que ajuda na geolocalização de informação de atingidos, antes e depois do acidente ajudando na localização das vítimas?


Foto: Link

A melhor habilidade que todo empreendedor deve desenvolver

Cada negócio tem as suas particularidades e por isso é natural que diferentes negócios demandem diferentes tipos de empreendedores. Algumas iniciativas demandam empreendedores com mais aptidão para risco, outras demandam empreendedores com conhecimento técnico aprofundado, e outras ainda demandam aqueles com grande experiência naquele mercado. Mas será que existe alguma habilidade que todos os empreendedores, independente do tipo de negócio, deveriam se preocupar em desenvolver?

Na verdade, dependendo do estudioso sobre empreendedorismo que tomarmos como referência, encontraremos entre 4 e 10 características que todo o empreendedor precisa desenvolver para que o seu negócio tenha sucesso. Em breve escreverei mais sobre isso.

Por hoje, vamos falar sobre uma habilidade que está presente em toda a vida profissional do empreendedor: a capacidade de desenvolver e acionar sua rede de contatos.

Não importa se a sua empresa desenvolveu um aplicativo com foco no B2C, distribuição e venda 100% online; ou se você desenvolveu um produto biotecnológico, com foco em B2B de grandes empresas, distribuição e venda 100% offline. Você vai precisar de rede para que o seu negócio tenha sucesso.

No estágio inicial do seu negócio, a rede é muito utilizada para:

  • Estabelecer parcerias (Já que a empresa possui poucos recursos);
  • Conseguir as primeiras vendas (A rede ajuda a chegar nos primeiros clientes, uma vez que essa venda depende muito mais dos laços de confiança do que da real qualidade do seu produto);
  • Atrair a equipe correta (No início os primeiros funcionários são quase sócios e os atrativos da sua startup nem sempre são suficientes para atrair os melhores talentos. A sua rede costuma trazer melhores funcionários do que um processo seletivo estruturado).

Uma vez que o seu negócio comece a crescer, a rede começa a aparecer em outros tipos de atividades:

  • Atrair investidores (Investidores analisam centenas ou milhares de empresas antes de se decidir por um investimento. Para conseguir um lugar na cabeça desses investidores, uma apresentação feita por algum contato em comum costuma ter mais efeito do que um bom deck de investimento);
  • Ampliar clientes (Independente do modelo, toda empresa percebe em algum ponto que fazer algumas poucas vendas de bom volume costuma ser mais rentável do que muitas vendas pequenas. Por isso, muitas empresas começam a fazer vendas para clientes estratégicos, por exemplo, que possuem várias indústrias espalhadas pelo país; ou estabelecem parcerias com players de mercado que podem ajudar na distribuição, como outro exemplo);
  • Estabelecer reputação (Seja a sua reputação, seja a da sua empresa, em algum momento o Marketing se tornará imprescindível para o crescimento do seu negócio, e você pode escolher fazer isso com investimentos ou utilizando a sua rede para abrir portas em canais de mídia e outras ferramentas tais como conteúdo colaborativo, marketing de recomendação…).

Uma vez entendido que desenvolvimento de rede é uma habilidade importante para o seu negócio, você deve pensar em quem precisa atrair para a sua. E, para isso, você precisa primeiro se perguntar qual o seu objetivo com a rede que está cultivando, por exemplo:

  • Para ganhar notabilidade no seu setor, crescer a sua rede com outros players que atuam nesse mesmo setor é fundamental;
  • Para ganhar notabilidade com investidores, é importante cultivar uma rede com outros investidores, aceleradoras, mentores e empreendedores que já passaram por processos de investimento, independente da área de atuação deles;
  • Para ganhar notabilidade com o público B2C, influenciadores (digitais ou não) irão ser importantes na sua rede;
  • Para ganhar notabilidade com grandes empresas, outros empreendedores que também atuem com esse tipo de cliente, e não são seus concorrentes, podem ser úteis para abrir portas diferentes.

E aí surge a questão final: como cultivar essas redes?

Para começar é importante entender que esse é um processo demorado, que exige esforço e desenvolvimento dessa habilidade. Não se constrói uma rede em uma semana colocando uma propaganda no intervalo do Jornal Nacional ou comprando um mailing da sua área de atuação.

Rede não é sinônimo de uma grande lista de contatos. Rede supõe interação, troca, relacionamento.

E a melhor forma de começar isso é dando algo em contrapartida para aqueles de quem você quer se aproximar:

  • Se quer estimular uma rede com os seus clientes, comece dando conteúdo para eles;
  • Se quer criar uma rede de investidores, comece entendendo a tese de investimento deles e apresentando oportunidades dentro dessa tese;
  • Se que criar uma rede de diretores de grandes empresas, entenda o que eles precisam e ofereça esse benefício de forma gratuita (por exemplo, organizar encontros desse diretor com outros da mesma área mas de outras empresas).

Enfim, ofereça algo a sua lista antes de pedir ajudas.

Para empreendedores, hoje existem várias comunidades e redes já estabelecidas onde você pode começar a interagir e assim não precisar crescer a sua rede com uma pessoa de cada vez. Uma dica é dar uma olhada na comunidade de startups mais próxima da sua cidade, esse post mostra as principais comunidades de startups do Brasil no último mapeamento que fizemos.

Siga acompanhando nosso blog que em breve anunciaremos novidades!

REVISÃO DAS PREVISÕES E APOSTAS PARA 2018

No início de 2018, eu escrevi um artigo aqui no Linkedin com análises sobre o que estava acontecendo no mercado e o que esperar de 2018.

Veja o link aqui: O que esperar para o mercado de empreendedorismo em 2018

Resolvi começar 2019 vendo o que eu acertei, se é que eu tenha acertado algo. Estou escrevendo esse texto enquanto releio o post, portanto ainda não sei o que realmente aconteceu.

Minhas expectativas é que eu tenha acertado em geral sobre que esperar para o mercado de empreendedorismo, pois eu provavelmente fiz análises mais amplas sem tentar dar uma de “Mãe Dináh”.

Bem, vamos lá:

1ª previsão – O número de startups continuará a crescer

RESULTADO – PREVISÃO CORRETA

Essa era fácil, qualquer aumento, de uma startup que fosse me faria cumprir essa previsão. Mas foi interessante ver os resultados no final do ano do mapeamento que a Associação Brasileira de Startups fez. Eles conseguiram mapear mais de 10.000 startups. É claro que o número é maior, mas esse mapeamento cresceu pelo menos 30% se comparado com o ano anterior.

2ª previsão – Fintechs serão o tema em alta nas startups mais atrativas

RESULTADO – PREVISÃO CORRETA

2018 ficou conhecido como o ano das startups brasileiras que viraram unicórnios e dentro desses unicórnios mais da metade são fintechs:

  • PagSeguro
  • Nubank
  • Stone
  • Brex

3º previsão – Hard Science Technologies aumentarão a sua participação em programas de aceleração

RESULTADO – PREVISÃO PARCIALMENTE CORRETA

Embora eu não tenha números para provar ou refutar essa previsão, embora as startups de hard science tenham realmente aumentado, a grande marca do ano foram os programas corporativos. E esses programas estão mais interessados em negócios mais prontos do que apostar em negócios mais disruptivos, mas ainda menos desenvolvidos.

4º previsão – Boom de espaços de inovação

RESULTADO – PREVISÃO CORRETA

Surgiram vários novos espaços de inovação no Brasil esse ano, segue alguns para exemplificar:

  • Habitat – Espaço de inovação do Bradesco coroando o programa InovaBra que já faz sucesso há alguns anos
  • Cubão – Apelido carinhoso da nova casa do Cubo do Itaú e da RedPoint, agora com 4 vezes mais capacidade
  • Estação Hack – Espaço do Facebook que justiça seja feita foi inaugurado em 2017 (mas só em dezembro) e se consolidou em 2018
  • HubMinas – Espaço no coração de BH (Praça da Liberdade) que hoje abriga o programa Seed
  • WeWork – Especialistas em coworkings que saíram espalhando espaços pelo Brasil

5º previsão – Crescimento de investidores anjo e grupos de investidores

RESULTADO – PREVISÃO INCORRETA

Não tenho muitos dados para defender esse ponto então vou contar com o meu bom senso e visão de mercado. Ainda continuo achando que essa é uma previsão que irá se consolidar. Durante 2018 duas notícias animaram o setor de investimentos:

  • O BNDES selecionou a Domo Invest para gerir um fundo de pelo menos R$100 milhões que investirá em cerca de 100 startups na fase anjo.
  • O Sebrae junto com parceiros criou um fundo para fundos que investirá R$ 45 milhões em fundos para estágio seed.

Mas ainda não vimos o boom que era esperado nessa parte do ecossistema.

6ª previsão – Amadurecimento do Corporate Venture

RESULTADO – PREVISÃO INCORRETA

De novo faltam dados para comprovar ou refutar essa previsão, mas de forma geral o que vimos foi um grande aumento no número de programas corporativos e ainda não o amadurecimento deles. Continuamos vendo os programas de aceleração como o remédio universal para os problemas de inovação das empresas e quando os programas acabam fica a dúvida, o que fazer agora? Como acompanhar os resultados? O que mais fazer para que a inovação faça parte da cultura.

É esse tipo de dúvida que a TroposLab tem ajudado os seus clientes, mas ainda não são todos que estão no estágio de fazer a si mesmos essas perguntas.

SALDO GERAL:

  • Previsões corretas: 3

  • Previsões parcialmente corretas: 1

  • Previsões incorretas: 2

Acho que o saldo foi positivo. Mesmo que as minhas previsões não estivessem corretas, o que vimos foi mais uma questão de timing, do que o mercado andando para o outro lado.

E que 2019 seja uma ano tão bom para o mercado de empreendedorismo e inovação como foi 2018.


Gostou do post? Quer saber mais sobre os nossos programas?

Acesse nossas redes: http://troposlab.com/ e http://bizcool.com.br/

RETROSPECTIVA TROPOSLAB 2018

Ano terminando, clima de festas e de retrospectivas no ar… resolvemos parar um pouco, olhar para o nosso ano e ficamos impressionados.

O ano de 2018 foi ótimo e por isso gostaríamos de compartilhar alguns resultados com vocês.

Foi um ano intenso só esse ano para vocês terem ideia aceleramos 157 startups. Foi muita coisa para um ano só, mas conseguimos ajudar muita gente boa.

Das nossas 640 startups, 58,13% ainda estão ativas o que é um excelente número para o mercado de startups.

Veja alguns números do nosso ano:

E mais, essas startups estão crescendo. Em 2018, juntas as nossas startups faturaram mais de R$1,6 milhões, o que dá um faturamento de mais de R$1,1 milhões por startup que já vende.

Pouco mais de um terço das nossas startups conseguiram captar investimento, seja de aceleradoras, investidores anjo, fundos ou premiações. Já são mais de R$64 milhões no total.

Além disso elas estão presentes em quase todas as premiações do ecossistema, sempre existe nas finais pelo menos uma startup da nossa rede.  Em 2018, foram 185 prêmios recebidos e pelo menos 700 menções na mídia. Digo pelo menos porque é quase impossível monitorar tudo o que sai das nossas empresas, mas o número nos impressionou porque é quase 2 notícias por dia. Ou seja, hoje de manhã deve ter saído algo sobre as nossas startups e hoje a noite vai sair outra notícia.

E é claro que nada disso seria possível sem as empresas e instituições para quem trabalhamos esse ano.  Seja em projetos internos, seja em programas de aceleração de startups, essas são as empresas que ajudamos a inovar esse ano.

Veja quem inovou com a gente:

E essas são as instituições que estão investindo em mudar os seus setores, estados e/ou ecossistemas de inovação:

A TroposLab não realiza programas próprios de aceleração, estamos sempre ajudando os nossos clientes a inovar. Por isso, talvez você não nos conheça de nome, mas com certeza viu algo sobre algum dos nossos programas.

Embora os nossos “produtos” sejam os programas de aceleração, o nosso grande objetivo é o desenvolvimento das startups.

Por isso, precisamos ressaltar aquelas startups que mais se destacaram nos nossos programas esse ano:

E nem todos os nossos resultados foram externos, internamente nos desenvolvemos muito esse ano.

Consolidamos a nossa metodologia de aceleração a Escala Startups, compilando os aprendizados dos últimos 6 anos acelerando startups

Juntando as melhores práticas de mercado com o conhecimento tácito de mais de 25 agentes de inovação que fizeram parte da nossa história.

Compilamos 47 conteúdos entre vídeos e apresentações com instruções de como utilizar cada ferramenta da nossa metodologia e organizamos em um formado de curso chamado Bizcool.

Organizamos a nossa rede de mentores com mais de 2.500 especialistas de diversas áreas e são utilizados de acordo com a demanda das startups.

Temos mentores em mais de 100 cidades ao longo do mundo que podem ser acessados pelas startups dos nossos programas.

Ufa! 2018 foi um ano para entrar para a nossa história e olha que o ano ainda nem acabou…