Renata Horta

About Renata Horta

Sócia Fundadora | Coordenadora do Núcleo Tropos de P&D

Caretech – ampliando e mapeando a cadeia

O CareTech Movement está buscando redesenhar a cadeia de cuidados do Brasil. Beleza, cuidados pessoais e hábitos saudáveis ganham um novo entendimento a partir da tecnologia e as tendências que ela provoca para o setor.  O redesenho também é provocado pelo design e o desejo de tornar essa indústria mais “human centered” ou centrada no humano. Para esse desafio contamos com sua ajuda para mapear os negócios e atores importantes desse novo olhar. 

Como funciona essa nova visão? Vamos usar uma das tendências do mercado de bem-estar para dar esse exemplo.

O Global Wellness Summit em seu último relatório descreveu o renascimento do olfato como uma tendência importante que impacta nossa cadeia e também algumas outras. 

Na academia, os pesquisadores Linda Buck e Richard Axel, ganhadores de um prêmio Nobel de Fisiologia por seu trabalho, descobriram a existência de aproximadamente 1.000 genes olfativos em nossos corpos e uma estimada capacidade do ser humano de diferenciar cerca de 10.000 aromas. A partir desse trabalho, outros estudos mostraram o efeito neuropsicológico e o poder do olfato em acionar diferentes áreas do cérebro. Seu papel para a memória é tão relevante que vem sendo considerado como uma rota importante para o tratamento do Alzheimer.

Mercadologicamente essas descobertas têm gerado diferentes tipos de produtos e serviços. Da Aromaterapia às Fragrâncias Funcionais, que usam esses aromas para estimular diferentes reações em nossos corpos. Esse é o caso da Nue Co, que criou o primeiro suplemento nutricional anti-estresse, que pode ser usado como uma fragrância. O que também foi o caminho do perfumista suíço Valeur Absolue, que adicionou aromas em suas fragrâncias com a intenção de acalmar ou inspirar paixão, por exemplo. Os dois casos estão diretamente conectados às pesquisas científicas sobre o poder do olfato em ativar funções cerebrais. São velas, perfumes, entre outros diversos produtos e até startups que se ancoram nessa tendência para gerar novos negócios. 

A startup japonesa Scentee está desenvolvendo um difusor inteligente que, acionado pelo seu celular, permite que você programe sensações e momentos de acordo com o seu dia. Um aroma para estimular seu despertar ou ativar sua produtividade durante o trabalho, por exemplo.

Essa viagem pelo olfato deixa clara a conexão entre a academia, o mercado e as inovações geradas em nossa cadeia. Mas os investidores, associações, e todos os fornecedores que ajudam a executar a visão do produto acompanham as inovações descritas.  Quando essa cadeia se comporta como um ecossistema que interage também fora das relações comerciais, tudo isso ganha velocidade. 

Queremos trazer para nosso movimento, pesquisadores, startups, empresas e profissionais capazes de gerar inovação em rede e transformar o mercado de cuidados no Brasil. Um dos passos importantes para realizar esse desafio é mapear quem está produzindo conhecimento e inovação no Brasil com impacto nesse mercado; onde essas empresas e pessoas estão; quais são suas competências tecnológicas. Esse mapa pode proporcionar um caminho direto para parcerias de inovação, gerar insights sobre tendências, reforçar vocações regionais, desvendar tecnologias. Por isso, além de um esforço ativo de buscar em centros de pesquisa e startups, contamos com você para recomendar e cadastrar em nosso mapa, especialmente soluções que não estejam intuitivamente relacionadas, mas cujos pesquisadores estão vendo oportunidades de aplicação nesse mercado. A análise dos resultados desse mapeamento será compartilhada ao longo do CareTech e servirá de apoio à ação de matching durante o decorrer do movimento.

Você gostaria de saber quem são essas pessoas e empresas? Quer fazer parte do movimento? Se inscreva no encontro do dia 03 de Setembro, recomende outros participantes e faça parte de nosso mapeamento através desse link.

Um novo tipo de cuidado está para nascer, e o CareTech é o movimento de aceleração dessa cadeia. Faça parte!

Como a colaboração pode potencializar a inovação

A inovação não avança sem colaboração. O processo de inovação traz consigo barreiras e surpresas que demandam múltiplas referências e conhecimentos. Além disso, o ato de colaborar é um canal importante para a diversidade, que possibilita com que as ideias sejam potencializadas e o processo de superar as barreiras acelerado.

A colaboração é tão importante para a inovação, que é listada pelos principais autores (ver Joe Tidd em “Gestão da Inovação”) como uma prática que favorece a sua gestão. Há ainda um TED, um livro e esse vídeo super legal do Steven Jonhson sobre o assunto.

Este discurso pode parecer muito intuitivo, mas não nos ensina o principal: como é possível tangibilizar a colaboração e transformar de forma inovadora a cultura por meio dela?

As empresas têm buscado diferentes formas de fazer isso, mas a principal é realizar projetos com times multidisciplinares. Mesmo que os projetos não sejam essencialmente de inovação, essa abordagem favorece com que os gaps de comunicação sejam minimizados e a integração de interesses e processos de cada área sejam aumentados. 

O modelo de Squads é um bom exemplo disso e, amplamente adotado por empresas de tecnologia, comprova o potencial de geração de resultados desse formato. Squads são times temporários com responsabilidade e autonomia para desenvolver um projeto ou uma parte relevante dele. São multidisciplinares e não hierárquicos. Todas essas características favorecem justamente a colaboração. 

Além de organizar times paralelos à estrutura organizacional, existem muitas formas de promover a colaboração: meetups internos, treinamentos com equipes de várias áreas, ações sociais ou esportivas. Tudo isso fortalece um ambiente de troca de ideias, experiências e conhecimentos que favorecem os negócios. 

Mas a colaboração pode atingir um nível ainda mais estratégico quando a associamos à inovação. A Inovação Aberta é uma forma de produzir resultados mais rápidos no desenvolvimento de novos produtos ou processos com parceiros externos (que podem ser centros de pesquisa, universidades, startups, outras empresas). E, indo ainda mais longe, a Inovação em Rede explora essa estratégia de maneira ainda mais sofisticada, articulando múltiplos parceiros em uma estratégia, em geral de longo prazo, de inovação.

MAS COMO MELHORAR A COLABORAÇÃO ENTRE EQUIPES?

Independentemente da maturidade inovadora das empresas, é possível comprovar que a inovação, seja ela disruptiva ou incremental, sempre será o resultado de ideias diversas. Buscar maneiras de integrar sempre e cada vez mais as diferentes áreas e equipes de uma empresa é fundamental para potencializar a inovação e manter seu crescimento, fazendo com que times que não falam a mesma língua, tenham a capacidade de cooperar de maneira orgânica. Afinal de contas, já dizia Walter Lippman: “quando todos estão pensando igual, é porque, na realidade, ninguém está pensando”. A diversidade de perfis, portanto, será sempre uma grande aliada da inovação.

Um processo que tem favorecido a prática generalizada de colaboração através de suas técnicas e ferramentas é o Design Thinking ou Design de Serviços. A proposta é realizar a inovação através da colaboração com clientes, parceiros e dentro de um time onde todos esses pontos-de-vista estão representados. 

Na Troposlab utilizamos processos do Design para gerar resultados rápidos e surpreender os times com o potencial da colaboração. São processos de co-construção, workshops de design ou aceleração de projetos que utilizam dessas técnicas e ferramentas para ajudar a estabelecer essa mudança de mindset através do “vivenciar os resultados”. 

A IMPORTÂNCIA DA CULTURA DA INOVAÇÃO

Aqui na Tropos estamos sempre tratando a cultura da inovação dentro das empresas como um dos principais pilares para se desenvolver a competitividade e estimular o seu crescimento. A prática de colaboração é parte inerente  para a consolidação de uma cultura inovadora. Para que elas se estabeleçam não basta falar de colaboração, tentando convencer as pessoas a agirem assim, é necessário promover momentos em que elas vivenciem a colaboração e os resultados que podem ser gerados a partir dela, de forma organizada e planejada, enquanto a cultura se estabelece. Planejar é importante, pois um time com um baixo repertório em colaboração pode fracassar em projetos sem uma liderança hábil no tema, danificando a percepção e criando barreiras.

No artigo  “Como erguer uma empresa colaborativa” os autores relatam premissas importantes para que a colaboração faça parte da empresa, começando por um propósito comum. Então, nossa dica de hoje pra você que deseja ampliar a colaboração na sua empresa é: escolha um projeto onde a complexidade é suficiente para estimular as pessoas a interagir (todos sabem que ninguém vai resolver sozinho), monte um time de pessoas que são conectoras dentro da empresa (gostam de interagir e conectam informalmente diferentes grupos) e pessoas que você gostaria de desenvolver. Depois, coloque todos na mesma sala e deixe claro o desafio, porque ele é importante para a empresa e como você gostaria que, em conjuntos, gerassem resultados inesperados para a organização. E não se esqueça de desfrutar o processo, pois a colaboração, além de potencializar a inovação, também é uma das grandes fontes de realização do ser humano!

Para saber mais sobre habilidades empreendedoras e cultura para ambientes de inovação, clique aqui.

 

Tipos de inovação na Era Digital para potencializar negócios

Estamos em um caminho de desenvolvimento de novas formas de gerir, produzir, relacionar e certamente novas formas de fazer negócio. A Era Digital e o processo profundo de transformação do mundo, e por consequência, do mundo dos negócios, certamente é um dos momentos mais intensos de inovação pelo qual já passamos. O mundo digital traz para as empresas o desafio urgente de se renovar, de realizar negócios de forma mais eficiente, de usar a tecnologia de forma inteligente. A primeira preocupação tem sido a competitividade, e as empresas buscam tipos de inovação que possibilitem ganho de desempenho, que transformem os seus negócios. 

Gestores de inovação ou transformação digital estão sendo cobrados quanto ao desenvolvimento da cultura e ao mesmo tempo quanto à geração de resultados de inovação e se sentem perdidos sobre como começar ou qual deve ser o foco. Discutimos um pouco essa questão no post Inovação ou mudança de cultura: o que vem primeiro?

Inovação de Processo e Gestão

Inovações de processo e de gestão são as primeiras a ganharem espaço, mas muitas vezes também as mais difíceis de serem implementadas. O que acontece é que tradicionalmente a gestão das empresas buscam controle e há um risco inerente à mudança. Quem dentro das empresas está disposto a correr esse risco? A assumir em sua área o pioneirismo dessas mudanças? A não ser que a inovação seja muito incremental, comportamentalmente poucos profissionais estão preparados para calcular adequadamente os riscos e colocar-se a frente desses processos. Isso é só parte do que Clayton Christensen chama de  “Dilema da Inovação”, descrevendo os mecanismos pelos quais a empresa simplesmente não consegue tomar a decisão de investir em inovação disruptiva, com o mindset de gestão do negócio estabelecido.

Inovação de Produtos

A inovação de produtos também encontra suas dificuldades, mas ela consegue transitar em processos tradicionais de desenvolvimento (ainda que muitas vezes acaba não sendo implementada), pois os riscos são aceitos nesse ambiente.  

Por outro lado esse tipo de inovação tem sido incremental, já que mudanças mais disruptivas de produto carregam consigo demandas por novos modelos de comercialização que criam barreiras à sua entrada no mercado.

Temos visto novos produtos surgirem como forma de aproveitamento de matéria-prima, por exemplo. Nesse caso, essas inovações entram como uma ação de ganho de produtivdade e ganham espaço na organização. É interessante ver que elas aproveitam canais existentes, mas também ajudam a empresa a explorar outros mercados ou segmentos de clientes. Então, mesmo que incrementais, esse tipo de inovação pode ajudar muito no desenvolvimento das competências que a organização precisa desenvolver para alçar voos mais disruptivos e no estabelecimento das rotinas desejadas para que a cultura de inovação se estabeleça ou amadureça.

Design de Serviços

O mundo digital tem exigido e gerado inovações de vários tipos que possibilitam criar, estabelecer e alimentar novas formas de relacionamento com o cliente. Por isso os Departamentos de Marketing têm sido cada vez mais pressionados a isso – essa é uma área que tem aptidão ao novo, que sabe testar e conversar com o mercado, tudo o que favorece o processo de Customer Development.

Nesse contexto, o Design de Serviços e novas tecnologias têm possibilitado um nível mais aprofundado de “intimidade” entre empresas e seus clientes. O que Nicolaj Siggelkow e Christian Terwiesch chamam Conexão Contínua, em que a tecnologia possibilita com que as empresas atuem de forma completa e antecipada na relação com o cliente, gerindo suas necessidades, antecipando seus desejos e promovendo uma experiência transformadora. O que não significa estar presente na memória, mas muitas vezes até mesmo estar menos presente, e ainda assim, repetindo a venda em um novo entendimento dos estágios da jornada do seu cliente e dos pontos de contato que efetivamente geram valor.

O que ainda tem sido menos discutido e praticado é a transformação que o mundo digital possibilita no negócio. Empresas tradicionais ainda não estão compreendendo a profundidade da mudança de seus mercados. Ela ainda lutam contra tendências e estão perdidas quanto a como refazer suas bases e adotar uma estratégia de inovação que efetivamente aumente sua probabilidade de sobrevivência em longo prazo, frente a todos os desafios e complexidade atuais, mas ancoradas em competências do “mundo real e concreto”.

Desenvolvimento da Cultura de Inovação

Todo esse contexto vem impondo que as empresas busquem o desenvolvimento de uma cultura de inovação que possibilite com que ela desenvolva ou incorpore novas formas de trabalhar. Ao mesmo tempo, há uma corrida acelerada por respostas quanto a como evoluir o negócio. Tudo isso faz com que o gestor de inovação ou de transformação digital tenha que se preocupar com questões de natureza muito diferentes: pessoas, tecnologias e mercado.

Fazer tudo de uma vez parece desumano, mas o desafio é justamente esse. Não acreditamos que uma pessoa com pouco apoio e recursos possa realizar tudo isso, mas se a pauta desse texto é “tipos de inovação”, podemos gerar alguns insights quanto à abordagem.

Por qual dos tipos de inovação devo optar?

Se inovações incrementais de processo e gestão são mais palatáveis, são também um bom caminho para iniciar o desenvolvimento das pessoas e da cultura da empresa. Programas de intraempreendedorismo, que empoderam equipes para implementação desse tipo de inovação (e muitas vezes inclusive de novos produtos), possibilitam que os times incorporem novas metodologias de trabalho (ágeis) e ao vivenciar os resultados da implementação, criem artefatos e desenvolvam valores culturais atrelados ao processo de inovação. As histórias de sucesso que alimentam a cultura vão sendo escritas e contadas.

Inovações mais disruptivas de processo e gestão podem ser trazidas de fora, testadas em programas de interação com startups, que ajudam no convencimento interno e no processo de implantação, trazendo referências de outras empresas e resultados gerados.

Inovação de produto e modelo de negócio são desafio maior. Programas de Corporate Venture, desafios tecnológicos, desenvolvimento compartilhado, são algumas formas que estão sendo abordadas para lidar com esses tipos.

Esses insights não são determinantes, existem poucas regras nesse ambiente e outras receitas podem funcionar muito bem. Fato é que nossa experiência mostra que todos os tipos de inovação só são possíveis quando temos pessoas preparadas e uma busca legítima por resultados, sendo assim um processo nitidamente empreendedor.

Para conhecer mais detalhadamente cada um dos tipos de inovação citados acima, não deixe de acompanhar semanalmente o conteúdo do nosso blog. 

O QUE É TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E PORQUE VOCÊ NÃO DEVE SUBESTIMAR ESSE TEMA

Poucas vezes na história humana passamos por transformações tão profundas e que impactam em tantos aspectos de nossas vidas como agora, no que chamamos Era Digital. A tecnologia tem possibilitado todas essas mudanças e empurrado as organizações para um processo de transformação radical.

O Aspecto Tecnológico e a Inovação

A evolução científica e tecnológica vem acelerando a cada ano. Até o público comum  já pode notar a queda do preço da tecnologia. Esse processo tem possibilitado a ampliação no uso dessas tecnologias e isso significa que novos negócios estão surgindo, novos produtos estão sendo criados e o mercado vem se tornando mais e mais competitivo.

A disseminação das tecnologias também tem mudado processos e serviços, e novos negócios muitas vezes já nascem com um modelo operacional totalmente diferente, fazendo uso de todo tipo de tecnologia para se manter rápido, leve e eficiente. Gestão ágil, desenvolvimento ágil, startups, fazem parte desse contexto. Mineração de Dados, Internet das Coisas, Inteligência Artificial por exemplo têm possibilitado novas formas de gerir e tomar decisões dentro das empresas ou até de interagir com clientes.

O Aspecto Comportamental da Era Digital

Nosso comportamento é moldado pelo ambiente, e um ambiente intensivo em uso da tecnologia, promotor de experiências focadas no cliente, difusor de informações e viabilizador de novas formas de interação social tem mudado nossa forma de comportar, nossos valores, nossos desejos e ansiedades.

Como consumidores estamos cada vez mais exigentes, como minorias estamos cada vez mais articulados e fortes, como sociedade cada vez mais diversa, como seres humanos somos cada vez mais ciborgues.

Ciborgues são organismos que fazem uso de mecanismos artificiais para melhorar suas capacidades.

O confronto da Era Digital com as organizações tradicionais

Dentro das organizações tradicionais temos estruturas e mecanismos físicos e sociais de peso que retardam a chegada de todas essas mudanças. Organogramas, processos, governança, padrões de comportamento, tudo parece resistir à fatídica revolução digital.

As organizações usam sim a tecnologia, porém incorporam em sua maioria com demasiada lentidão, ganham produtividade internamente, mas nunca parece suficiente para superar os desafios competitivos do mercado e finalmente trazer ganhos de rentabilidade…

E nessa batalha, as pessoas, cada vez mais sob pressão, adoecem dentro das empresas. Muitas gerações não entendem o mundo do lado de fora, e se apegam ao ambiente onde sempre se sentiram confortáveis e dominantes.

O que é, então, a Transformação Digital

Esse termo tem sido usado há mais de 10 anos. Inicialmente aplicado a organizações que digitalizaram seus processos obtendo um salto de produtividade, hoje é nítido que remete a um processo muito mais complexo.

Como ainda não se estabeleceu um consenso sobre o termo, e acredito que não irá se estabelecer. Vejo que a Transformação Digital pode ser traduzida em:

Um processo de EVOLUÇÃO ORGANIZACIONAL onde:

1)   A tecnologia é utilizada para substituir mecanismos analógicos e humanos gerando produtividade;

2)   A tecnologia é utilizada para gerar inteligência que antes não era possível sobre o negócio, possibilitando novas formas de governança, projeções, e assertividade;

3)   A cultura organizacional assume novos valores e padrões de comportamento, mais alinhados com referências do mundo atual (descentralizado, diverso, horizontal… impossível descrever todos os aspectos);

4)   A convergência de novos padrões culturais e novas tecnologias possibilita às organizações descobrir e praticar novos modelos de negocio e novos mercados, gerando novas linhas de receita.

Notem que nessa definição a Transformação Digital não é puramente tecnológica. Pelo contrário, as maiores oportunidades e a maior chance de sobrevivência das organizações tradicionais está justamente na convergência entre uma cultura coerente com os novos tempos e o uso inteligente da tecnologia.

Se concordamos com isso, podemos logo concluir onde está o maior desafio das empresas, certo?

Porque tecnologia nós podemos comprar, mas como as organizações tradicionais vão conduzir um processo sistemático de transformação cultural? Como podemos produzir inovação comportamental?

Eu confesso que tenho muita esperança e um bom conhecimento de cultura e comportamento pra dizer que sim, é possível, mas vou deixar você com a pergunta por enquanto. Já vimos porque você não deve subestimar esse tema.

DICIONÁRIO RÁPIDO DO MUNDO STARTUP

A atmosfera de negócios inovadores é repleta de ferramentas, conceitos e pensamentos instigantes e que podem fazer sentido para muitos ambientes, especialmente de inovação. Também se traduzem em um vocabulário que pode parecer difícil e elitizar o ecossistema.

Listamos aqui alguns dos termos mais utilizados no ambiente startup e explicações rápidas e descomplicadas que podem te ajudar a conversar com empreendedores ou buscar aprender mais sobre as metodologias.

Leia, desperte e busque saber mais com a gente!

O que é Startup?
Negócio incipiente, que usa tecnologia para gerar valor para seus clientes e que está em busca de um modelo de negócio repetível e escalável.

ESCALAR
Capacidade de crescer o negócio em um ritmo exponencial, sem aumentar na mesma proporção sua estrutura de custos. Em geral isso é viabilizado a partir da tecnologia e acontece após as validações de negócio e consequente aprendizado do empreendedor.

VALIDAR
Entender as premissas subjacentes ao modelo de negócio e criar testes rápidos e baratos para entender se elas são verdadeiras. O cliente tem mesmo esse problema? Ele realmente pagaria para resolver? Como testar isso sem ter que realizar todo o negócio em sua plenitude de complexidade e custo?

ACELERAÇÃO
Processo de desenvolvimento ágil de negócios inovadores. Utiliza metodologias e ferramentas como design thinking, metodologia lean, desenvolvimento de clientes, mentorias como base para fazer com que todo o aprendizado de negócio aconteça mais rápido – seja falhando seja prosperando – e com um custo menor.

PROPOSTA DE VALOR
É o ganho que o seu modelo de negócio promete gerar para seu cliente.  É como você comunica, entrega e deve ser reconhecido.

LEAN
Significa enxuto, é um conceito de gestão que prioriza a eliminação de desperdícios.

PIVOT
Ou pivotar em uma tradução livre para o português, significa redirecionar o modelo de negócios da empresa em busca de saídas mais lucrativas, mas mantendo a base para não perder a posição já conquistada.

MENTOR
Profissional com experiência que orienta o empreendedor de forma próxima com foco no desenvolvimento de competências e habilidades. Pode ser um empreendedor serial, que já passou por situações similares e por isso vai saber conduzi-lo em suas decisões (sem tomar elas por você), ou pode ser um especialista técnico em algum assunto que você precisa de ajuda para entender como começar.

PROTÓTIPO
Produto criado na fase de testes. Ele é inacabado e imperfeito, mas materializa os principais conceitos que o diferenciam. Serve para compartilhar sua visão de como o produto pode ser, seus diferenciais, testando ideias com o cliente e treinando o time para aprimorar seu desenvolvimento.

M.V.P
Abreviação de “
Minimum Viable Product” que significa Mínimo Produto Viável, na tradução livre para o português. É uma nova abordagem para protótipos. Trata-se da versão mínima com que um produto pode ser consumido de forma viável.

BOOTSTRAPPING
Criar sua startup utilizando somente recursos próprios, sem recorrer a investidores externos. Provavelmente ela crescerá de forma menos veloz, porém pode ser favorável para manter o foco no aprendizado e no mercado e adia o processo de diluição da participação acionária dos empreendedores fundadores.

CUSTOMER DEVELOPMENT
Metodologia de geração de novos negócios que propõe seu desenvolvimento focado nos problemas do cliente, já que a maior parte das empresas falha em criar produtos que não são demandados pelo mercado. Ela descreve o que fazer, do momento que o empreendedor tem a ideia até o momento em que está crescendo seu negócio, para evoluir na direção certa, no momento certo e mitigando os riscos inerentes aos negócios inovadores. Foi criada pelo Steve Blank, empreendedor e professor do Vale do Silício, e vem democratizando o ambiente de geração de negócios e formando uma nova mentalidade empreendedora.

DOR DO CLIENTE
Problema que o cliente não consegue resolver sozinho, que traz perdas importantes e que podem se traduzir em uma boa oportunidade de mercado, já que ele busca produtos e serviços que mitiguem essa dor.

SOLUÇÃO
Proposta de produto ou serviço para resolver um problema ou dor de um segmentos de clientes, que tem potencial de mercado. A tecnologia pode ser parte da solução, mas a solução abrange também os serviços que possibilitam resolver de fato o problema.

PITCH
Apresentação inicial do negócio e oportunidade para clientes, investidores e parceiros. Em geral é uma apresentação que toca os elementos chave e inovadores do projeto, mas que pode ser feita em 3 a 15 minutos. Seu objetivo é conquistar em um primeiro contato “vendendo” a ideia para sua audiência.

ESCALA STARTUPS: METODOLOGIA DE ACELERAÇÃO SISTEMÁTICA E FOCADA EM RESULTADOS

Aceleração é um termo que vem sendo utilizado para descrever o processo de desenvolvimento e teste rápidos de novos modelos de negócio. Em todo o mundo as metodologias de aceleração começaram com a utilização de empreendedores experientes, chamados de mentores, para catalizar o aprendizado de empreendedores iniciantes.

Com o tempo começaram a aparecer estudos que buscavam na experiência de empreendedores de sucesso elementos comuns que pudessem ser transformados em etapas de desenvolvimento do negócio e tarefas de validação ou teste que juntos dão origem ao processo de aceleração.

Dois processos de aceleração que conhecemos a fundo e que trazem contribuições efetivas são do Adeo Ressi, do Founder Institute e Steve Blank, considerado o maior Guru desse ambiente pela publicação de diversos livros e especialmente pela sistematização do Customer Development – metodologia que não só revolucionou, mas também democratizou a geração de novos negócios por traduzir de forma lógica e intuitiva os passos e conceitos para criação dessas startups.

Metodologias como essas, e já estudamos várias outras também, definitivamente influenciaram nossa atuação ao longo da aceleração de mais de 500 startups e dezenas de projetos corporativos de inovação, mas descobrimos com nossa prática que precisávamos ir mais longe em dois aspectos:

  1. As metodologias descrevem bem o que fazer e porque fazer, mas não descrevem como fazer;
  2. As metodologias foram criadas para um contexto diferente de mercado (vale do silício por exemplo) e precisamos adaptar à nossa cultura, empreendedores e dinâmica de mercado para obter resultados semelhantes.

Alinhados com a vanguarda dos conceitos e tendências dessas referências, consolidamos a Escala Startups, uma metodologia de aceleração aplicada a startups e projetos de inovação. A Escala Startups é muito sistemática, fornecendo um passo-a-passo do como fazer onde cada etapa do processo possui métricas claras de validação e ferramentas que suportam o empreendedor ou intra-empreendedor no processo. Assim, do momento de concepção ao momento de crescimento ou tração a Escala Startups impulsiona o empreendedor na direção certa dos resultados desejados.

A Escala Startups já foi validada com negócios e projetos de diferentes níveis de maturidade e diferentes setores de atuação. Ela foca no viés de negócio, complementando a visão técnica que os times usualmente trazem e instrumentalizando o amadurecimento da sua visão estratégica e de negócio. O gráfico abaixo mostra os tipos de ambiente em que já testamos a metodologia Escala Startups.

startups-troposlab

A metodologia Escala Startups é usualmente aplicada por nossos Agentes de Aceleração que é um consultor responsável por acompanhar o empreendedor no passo-a-passo sistemático da metodologia, estabelecer metas, levar conteúdos e fazer conexões com outros mentores. Foi a TroposLab que criou essa profissão, hoje comum no ambiente das aceleradoras.

O primeiro passo do Agente de Aceleração é conduzir um diagnóstico que avalia o histórico do projeto em 14 pilares de negócio e gera um nível de maturidade ou fase em que ele está. É um passo onde as perguntas feitas já estimulam e surpreendem o empreendedor, gerando uma relação de confiança e interesse.

A figura abaixo mostra o gráfico gerado pelo diagnóstico inicial:

A partir daí, existem 4 grandes fases  em que localizamos o projeto e que são subdivididas em outras etapas. Assim trabalhamos esmiuçando e desenvolvendo cada passo das seguintes fases, para empresas e projetos de inovação – ou seja, não existem prontos parâmetros de mercado:

Ideação

Antes do negócio, existe o empreendedor. É ele o agente de mudanças que cria as ideias que um dia podem se tornar negócios. Esse processo é chamado de ideação. Ao final deste estágio, espera-se que o empreendedor tenha transformado sua idéia em um conceito, e seu conceito em um projeto de negócio com um conhecimento amplo de seu mercado

Criação

Uma startup pode surgir de qualquer lugar: da experiência pessoal do empreendedor, de pesquisas acadêmicas, de alguma situação dentro de sua empresa ou mesmo uma reflexão de domingo à tarde com amigos. Em qualquer caso, mesmo que o empreendedor já descreva o modelo de negócios planejado, o mais provável é que ele ainda não sabe quase nada do negócio ou de como seu mercado realmente funciona. Toda sua estruturação é baseada na forma como o empreendedor acredita que pode funcionar, mas ele ainda não testou ou “validou” para ver se tudo o que ele descreve é verdadeiro. Ao final dessa fase, espera-se que o empreendedor entenda a fundo quem são seus clientes, quais são os problemas que mais lhe incomodam, que solução vai interessar mais a eles, além de já ter uma noção de quanto (em R$) seu negócio pode crescer.

Formação

Esta é a hora de realizar as primeiras vendas. Já entendemos o cliente e sabemos que nossa solução é o que ele quer. Mas qual a melhor forma de entregar para ele a solução? Ele irá pagar? Quanto? E quanto vai custar para a startup? Ao final, espera-se que a empresa já esteja vendendo, que tenha uma solução funcional e que opere de forma relativamente estável.

Crescimento

Este estágio tem como lei a palavra “venda”. Vender! Mais e melhor, aumentando o faturamento e medindo nosso desempenho. Cria-se, assim, um histórico para a empresa, que aumenta a confiança em seu modelo de negócio. Ao final deste estágio, espera-se que a startup tenha se tornado uma empresa, que executa com excelência seu modelo de negócio, que é rentável e que cresce de forma estável, gerando lucro.

O desenvolvimento de habilidades empreendedoras

A Escala Startups tem avançado no que pode ser considerado a “caixa preta” do processo, o fator ainda mais imponderável que o mercado da inovação: a habilidade do empreendedor de realizar o negócio. Nosso núcleo de pesquisa trabalha com a visão de que essas habilidades podem ser desenvolvidas e nosso processo considera o diagnóstico e intervenções de desenvolvimento de times e empreendedores. Sabemos que um negócio se desenvolve somente até onde seu time empreendedor alcança, ou seja, as habilidades empreendedores das pessoas na liderança são definidoras do nível de sucesso de um negócio, por isso, para acelerar de verdade negócios em busca de realizar todo o seu potencial, precisamos acelerar o desenvolvimento de habilidades empreendedoras, mas esse é um assunto longo, e vai ficar para ser explorado em outra oportunidade.

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O QUE É TRANSFORMAÇÃO DIGITAL ?

Em essência, o termo Transformação Digital vem sendo usado para descrever os desafios das grandes empresas em se adaptar ao mundo de hoje e ao que chamamos “Era Digital”.

A Era Digital é o período de mudança profundas em diferentes dimensões sociais humanas provocadas pela incorporação da tecnologia na nossa vida. Mudanças na forma de se comercializar, produzir, construir relacionamentos, aprender são algumas dimensões da vida impactadas pela tecnologia. Mudanças tão profundas aconteceram poucas vezes na história da humanidade, por isso, o momento em que vivemos pode parecer assustador ou difícil de adaptar.

Esse novo mundo impõe valores e condições inéditas ao sucesso das organizações, da estratégia à produção, passando pelo relacionamento com o cliente e funcionários, ele invoca o que vem sendo chamado como processo de Transformação Digital. Para pensar Transformação Digital, você precisa estar preparado para reconstruir a proposta de valor do seu negócio, o processo de interação com cliente, remodelar a governança e estrutura da empresa. Por isso, o termo que inicialmente era aplicado à incorporação de tecnologias nos processos, agora representa algo maior e mais estratégico.

Estratégia é a palavra certa para começar. Em um estudo do MIT de 2015, as organizações consideradas mais digitalmente maduras, tinham uma visão clara de que a Transformação Digital redirecionaria seu negócio como um todo, o que é diferente de solucionar problemas ou tornar digital partes do negócio.

Ao ver a questão como um desafio de negócio, entendemos seus impactos na cultura da empresa e nos processos, por exemplo. Buscar uma transformação de negócio requer assumir riscos, preparar seus funcionários para isso, utilizar novos parâmetros para construir novos processos. Tecnologia é uma ferramenta para viabilizar essa visão, e não o contrário. Por isso, as pessoas são um elemento chave para que as organizações tenham êxito na era digital, em todos os níveis.

Como elemento fundamental do processo de transformação digital, as pessoas tem se tornado o ponto principal de desequilíbrio do mercado. O mesmo estudo do MIT aponta que os talentos buscam empresas digitalmente maduras para trabalhar, pois essas refletem melhor a visão de mundo que eles próprios possuem, se tornam ambiente mais propício à realização de seu potencial e crescimento. Assim, empresas que não estão entendendo o desafio estratégico de negócio imposto pelo mercado, não comunicam internamente sua visão de futuro na Era Digital, começam por perder os talentos que justamente poderiam ajudá-las no processo.

Ainda que a visão esteja na alta gestão, e que um processo seja feito de maneira “top-down” e que a empresa, em um extremo, esteja disposta a reconstruir seu quadro de funcionários, dificilmente achará gente pronta no mercado para tantos desafios. Por esse e por tantos outros motivos, após o entendimento da estratégia de negócio, desenvolver as pessoas e com isso a cultura é algo de que não se pode escapar.

A Cultura vem sendo listada entre os 3 a 5 maiores desafios desse processo . Novas formas de tomar decisão, novas pessoas, novas formas de fazer e interagir dentro da empresa são alguns motivos, mas não o principal. O desafio do RH que, na maior parte das empresas nunca teve espaço para se posicionar como elemento estratégico, agora precisa ser sócio do negócio, participar ativamente da visão e proativamente ajustar seus parâmetros para viabilizar a sobrevivência dos líderes digitais dentro das empresas.

Finalizo com o elemento intuitivamente inerente ao processo: a inovação. O processo de transformação digital finalmente colocou a inovação em seu devido lugar – no meio, não no fim. Para apaixonados por inovação como nós, nada mais frustrante do que atender empresas que tratam a inovação como fim, porque dessa forma ela não é seguida pelos modelos de negócio e transformações que podem potencializar seus resultados. Mas, como requisito para viabilizar o processo de transformação digital a inovação ganha espaço e ajuda a gerar valor de forma mais tangível.

Existem muitas formas de viabilizar a inovação, seja desenvolvendo internamente seja trazendo de fora. Temos tido sucesso em combinar essas estratégias no que chamamos Startup Challenges, lançamento de projetos internos ou externos a partir dos desafios do negócio que são desenvolvidos de forma ágil (acelerados) com uma metodologia própria e sistemática, focada nos resultados. Programas que desenvolvem projetos de inovação internamente, com metodologias lean aplicadas pelas startups, são poderosos em incorporar um novo sovoire-faire em times multidisciplinares, desenvolvendo novas formas de trabalhar, tomar decisões, novas competências (visão de negócios e mercado, ou “espírito de dono”, assumir riscos, etc) e construindo um ambiente laboratorial do que pode ser a nova cultura, a partir do qual as práticas de comportamento ganham força e podem ser generalizadas.

Mas existem armadilhas típicas desses programas de startups ou projetos internos que mostram as fronteiras da visão estratégica das empresas: inviabilizar a implantação dos projetos, incapacidade de priorizar ou criar caminhos para esses empreendedores internos (ou melhor, deixá-los criar esses caminhos), falta de visibilidade interna dos projetos e das lideranças que poderiam atuar como exemplo, dificuldade em reconhecer as pessoas que estão gerando resultados de forma que elas efetivamente se sintam reconhecidas (notem que não utilizamos o termo recompensa) são algumas barreiras ao sucesso desse tipo de ação..

Programas de aproximação com startups são um excelente atalho para incorporar tecnologia. Esses empreendedores já romperam para as empresas muitas barreiras que ela demoraria anos para romper, principalmente a de visão de oportunidade ou de Dilema da Inovação . São apaixonados pela tecnologia, pelo negócio e pela oportunidade e são capazes de criativamente trazer soluções para incorporar suas tecnologias. Os desafios nesse ambiente, entretanto, vão desde a contratação (já que essas empresas startups muitas vezes não se enquadram nos “requisitos do compras”) , o estágio de desenvolvimento da empresa e quanto ela está pronta para atender seus clientes, o nível de risco, a comunicação entre eles e diferenças de expectativas, entre outros.

Mas, o ponto de cuidado mais importante é a qualidade do empreendedor por trás desse novo negócio em fase startup. Bons empreendedores conseguem enfrentar os desafios junto com você e de fato gerar valor, empreendedores ruins podem desistir e te deixar na mão. Separar os bons empreendedores dos fracos é um trabalho tão sério quanto selecionar as tecnologias que vão te ajudar a realizar a estratégia.

Nosso objetivo com essa rápida discussão foi trazer luz às pessoas que estão pensando no processo de transformação digital, de forma que elas consigam dimensionar bem seus desafios, ter insights e se preparar entendendo onde devem estar suas preocupações. Não existem caminhos certos para esse desafio, não existe um mapa ou um framework testado. Na TroposLab existe interlocução preparada e com desejo e repertório para te ajudar a construir seu caminho. Desenhando ações, criando programas inovadores e empreendendo com comprometimento, brilhantismo e sensibilidade junto com quem tem o espírito e a mente aberta para pilotar essa jornada, colhendo os frutos de aprendizado e realização que sabemos que ela traz.

Se você quer aprofundar mais nesse assunto, envie uma mensagem e vamos conversar.

A DIFERENÇA ENTRE RESPOSTA E SOLUÇÃO

Minha ideia hoje é compartilhar uma reflexão, entre tantas que a gente faz mas que se mostrou de valor para algumas pessoas com quem discuti. Há alguns dias, conversando com um parceiro ouvi uma frase que saiu com muita espontaneidade e naturalidade:

“Para dar uma solução você precisa escutar de verdade o cliente, se não, pode ser que esteja dando só uma resposta.”

É uma coisa simples, que faz muito sentido, mas não é muito intuitiva.

Em um mundo de pesquisas do google e de gerações que se formam a partir de respostas e com cada vez menos paciência para escutar histórias e participar de contextos fora de sua zona de conforto, oferecer soluções pode se tornar um “parto” cheio de complicações.

No ambiente empreendedor isso tem um impacto especial. Sem chegar a soluções profundas, você dificilmente tem um negócio forte. E sem escutar verdadeiramente o cliente, você definitivamente não terá um serviço bom. Sem escutar o cliente da forma como estou dizendo, não tem Customer Development.

Por isso, quando falamos de habilidades empreendedoras em ambiente de inovação, a empatia é fundamental. Ela que te permite escutar de verdade e construir, na intersecção entre seu conhecimento e a experiência do seu cliente, uma SOLUÇÃO.

Empatia é quando você consegue incorporar um personagem, simulando seus pensamentos e antecipando suas reações, porque você entende a lógica de valores e o contexto dele, mesmo sendo diferente do seu. E esse personagem é seu interlocutor.

Assim, a empatia envolve a capacidade de compreender um padrão de decisões e o que o controla, entender como um contexto gera emoções diferentes, e mais do que isso, é a capacidade de mostrar para o interlocutor que você está nesse papel, com comentários, expressões e atenção que reflitam isso.

Sempre digo: você sabe quando uma pessoa não está te entendendo, não está na mesma vibe sua, certo? Porque acha que outras pessoas não vão perceber que você não está? Porque elas não perceberiam que você não está sendo sincero? Porque não perceberiam que não está prestando atenção?

Essa pessoa é seu cliente, seu funcionário, seu parceiro, seu sócio.

Pois é. Então, o que temos que fazer é nos entregar a esses encontros e prestar atenção, muita atenção, perguntar sobre o que as pessoas estão sentindo e porque, para aprender sobre o contexto. E nos expor bastante a ambientes e pessoas diferentes de nós, sem julgar, para aprender. De outra forma, a gente vai dar uma resposta, e essa pessoa provavelmente não vai ficar satisfeita, e nenhum dos dois vai saber porque, afinal, a resposta parece boa!

É incrível né?! Ser mais humano te ajuda a ser um melhor empreendedor.