Diversas são as definições de inovação que a mostram como uma maneira de gerar valor para as empresas, enquanto que Tidd e Bessant  (livro Gestão da Inovação, 2015) caracterizam a inovação como “um processo de transformar ideias em realidade e lhes capturar o valor”. Porém, existe uma pergunta que precisa ser feita antes de tudo: De onde vêm as boas ideias? 

Estamos acostumados em ver histórias de pesquisadores “heróis”, que levam o mérito sozinhos por terem criado tecnologias revolucionárias, como o caso de Thomas Edison que é conhecido por ter desenvolvido e patenteado a primeira lâmpada elétrica incandescente. No entanto, é pouco divulgado que Edison tinha uma empresa nessa época, a Edison Electric Light Company, com uma equipe de suporte e infraestrutura à sua disposição para testar e validar novas tecnologias. Além disso, naquela época, outros diversos pesquisadores já trabalhavam no desenvolvimento de uma lâmpada elétrica.

No TEDDe onde vêm as boas ideias”, Steven Johnson mostra uma história diferente sobre os momentos de inspiração individuais para o surgimento das boas ideias. Johnson conta sobre as “redes líquidas”, que surgiram nos cafés de Londres e poderiam ser considerados os primeiros coworkings do mundo; e sobre os meios de comunicação atuais, que permitem a troca de informações de forma quase que instantânea entre as pessoas. Só que em tudo isso existem dois pontos importantes, que são as informações trocadas nesses momentos e a diversidade de visões das pessoas envolvidas para a construção das boas ideias inovadoras. É importante que as pessoas exponham nesses momentos quais foram os seus erros e acertos e que elas, com diferentes experiências e conhecimentos, coloquem na mesa a sua opinião crítica sobre o tema em discussão.

As redes de inovação podem então ser entendidas como um grupo ou um sistema complexo e interconectado, construído por meio da realização de tarefas específicas e resolução de problemas complexos. Tidd identificou quatro argumentos que explicam porque utilizar as redes de inovação e aumentar os seus níveis de interação:

    1. Eficiência coletiva – facilitar e gerir a maneira de acesso a diferentes recursos por meio de um processo de compartilhamento em um ambiente complexo;

    2. Aprendizado coletivo – as redes facilitam o processo de compartilhamento de informações, por meio de trocas de experiência, desafios de modelos e práticas com a busca por novas noções e ideias, que acabam dando apoio à experimentação conjunta;

    3. Enfrentamento coletivo do risco – com a ideia da rede de atividades coletivas é possível correr riscos maiores, quando comparado com os riscos que uma pessoa isolada conseguiria vencer;

    4. Interseção de diferentes conjuntos de conhecimento – as redes permitem a construção de muitos relacionamentos entre fronteiras do conhecimento e abrem a organização participante para novos estímulos e experiências.

 

 

Ou seja, tais argumentos comprovam que a formação de redes de inovação torna o processo mais ágil, eficiente e assertivo. Um caso emblemático e de sucesso de trabalho de inovação em rede que revolucionou o mundo foi o Projeto Genoma Humano (PGH). Iniciado formalmente em 1990, o Projeto Genoma Humano foi um esforço internacional para desvendar o código genético de um organismo por meio do seu mapeamento. Ele teve origem nos Estados Unidos e contou com a participação de 17 países, dentre eles o Brasil, e com o envolvimento de 250 laboratórios diferentes e mais de 5.000 pesquisadores para realizar o mapeamento. Inicialmente, o projeto tinha duração prevista de 15 anos, porém, com o desenvolvimento tecnológico durante o período de execução, foi possível concluir o PGH em 14 de abril de 2003, com a sequenciação de 99% do genoma humano e uma precisão de 99,99%. Com os resultados desse trabalho, considerado um modelo de inovação em rede, foram criados testes para predisposição de doenças de início tardio, como o Parkinson e o câncer de pulmão; e ainda testes de diagnóstico conclusivo de doenças genéticas, como a fibrose cística. Além disso, o bioquímico peruano Juan Carlos Castilla-Rubio, membro do Conselho Global para o Futuro do Fórum Econômico Mundial e um dos fundadores do PGH, estima que as indústrias químicas e farmacêuticas já desenvolveram avanços que resultaram em vários benefícios de saúde e receita de aproximadamente U$5 trilhões até 2018.

Na última década no Brasil, a inovação em rede também tem ganhado força e valor e o movimento das grandes empresas em se aproximarem das startups é uma ótima demonstração disso. Os programas de aceleração de startups voltados para o desenvolvimento de soluções para os desafios das grandes empresas têm sido uma importante estratégia de inovação aberta, que também é um tipo de inovação em rede. Algumas grandes empresas entenderam que, para conseguirem resolver problemas mais complexos, é necessário trabalhar em conjunto com outros atores, e, ao mesmo tempo, compartilhar e diluir os riscos no enfrentamento dos desafios. Além disso, que o trabalho colaborativo faz surgir ideias inovadoras que podem trazer soluções mais eficientes e eficazes.

Um bom exemplo é o caso da Iguá Saneamento, que em parceria com a Troposlab, lançou o Iguá Lab, programa que conecta o ecossistema de startups com os desafios do saneamento no Brasil e que pretende transformar o setor. As startups podem apresentar soluções para 5 tipos de desafios: Engenharia; Novos Negócios e Processos de Vendas; Relacionamento; Cidades inteligentes; Internet das Coisas. Se você se interessou por esse programa e quer conhecer outras iniciativas de inovação em rede que a Troposlab ajuda a realizar, clique aqui.