A interação com startups como estratégia de open innovation

O mundo da inovação é competitivo demais para se andar sozinho.

Estamos vivendo um momento único dentro do mundo da inovação e competitividade, em particular no Brasil. A recente crise econômica, as novas tecnologias e a nova forma de pensar das novas gerações tornaram as regras vigentes até então quase obsoletas. Vamos falar sobre cada um desses pontos, como eles interferem no mundo da inovação e como a interação com startups pode ser a melhor resposta para os desafios internos das empresas.

Crise econômica

O primeiro é talvez o mais óbvio: nos últimos anos passamos por uma crise econômica e uma posterior recessão que insiste em não ir embora. Isso tirou o poder de compra das famílias, freou os investimentos da indústria, tirou empregos e todos os outros efeitos que acompanhamos. Assim, inovação deixou de ser uma questão de diferencial e começou a se tornar uma questão de sobrevivência. Mudando a famosa frase de Dom Pedro, o lema agora é “Inovação ou Morte”.

E seria ingenuidade nossa imaginar que as empresas, em especial as grandes, não investissem em inovação até antes da crise. Mas esse investimento, e principalmente o formato desse investimento não estava sendo suficiente. E ai surge a dúvida, como fazer para investir em inovação justamente no momento de segurar investimentos? Muitas estão encontrando no open innovation, especialmente na interação com startups, esse caminho.

De forma barata, rápida e trazendo ideias completamente novas, as startups tem se tornado fornecedores inovadores, parceiros tecnológicos e co-desenvolvedores de produto, em uma escala nunca experimentada pela maioria das grandes empresas.

As novas tecnologias trouxeram efeitos colaterais não tão óbvios para os diversos mercados ao redor do mundo.

Novas tecnologias

O próximo ponto é o surgimento de novas tecnologias que simplesmente acabaram com barreiras de mercado seculares. Mercados como o de telefonia, dominado por 3 ou 4 grandes empresas no Brasil, se viu de uma hora para outra forçado a migrar cada vez mais para o fornecimento de internet, uma vez que soluções como o Skype, Hangout e recentemente (e de forma devastadora) o Whatsapp, dizimaram as ligações internacionais e SMS e gradualmente estão substituindo ligações locais.

No mundo dos bancos, estamos vendo um início do mesmo processo. Todo mês surgem novos bancos digitais, fintechs de empréstimo peer-to-peer, corretoras de investimento virtual, novas criptomoedas e diversas outras ideias que vão (e já estão) revolucionando o mercado.

O mundo das montadoras de carros se viu diante de um concorrente não mapeado que tem feito cada vez mais com que pessoas deixem de ter o sonho do carro próprio. Os aplicativos de serviço de motoristas particulares (Uber, 99, Cabify, Lift, etc) tem feito muita gente abandonar ou adiar a compra do carro. Apps de entregas como iFood, Rappi, Loggi, Uber Eats aprofundam essa situação. E os (cada vez mais próximos) carros autônomos colocarão a última pá para enterrar esse modelo de negócios atual.

E o mesmo está acontecendo ou prestes a acontecer no seu setor. Independente de qual ele seja.

As empresas desse e de diversos outros setores perceberam isso, e para se antecipar à obsolescência e fazer parte do novo mundo, tem aberto suas portas de P&D para o open innovation e assim interagir com startups que futuramente poderiam engoli-las.

Use como exemplo os grandes bancos no Brasil, que tem investido em espaços de inovação se conectarem com esse mundo (Cubo – Itau, Habitat -Bradesco, Orbi – Banco Inter, Semear Innovation – Banco Semear, BMG Uptech – Banco BMG, e muitos outros espalhados pelo Brasil).

Novas gerações

Por fim, existe uma mudança de pensamento do consumidor que muitas empresas não estão conseguindo acompanhar. Não é somente sobre tecnologia e facilidade de comunicação, vivemos um momento em que o consumidor QUER fazer parte dos processos de decisão das empresas.

A nova geração que hoje possui o poder de compra e dita as tendências cresceu se comunicando com as marcas que gosta, mesmo que essas marcas não se comunicassem de volta. A proximidade com o cliente é algo hoje fundamental. Entender o que ele pensa, fazer comentários que gerem empatia e fazê-lo sentir que você está o ouvindo são pontos fundamentais para o sucesso de um produto.

E as startups são especialistas em fazer isso.

São especialistas porque essa era a única alternativa de sobrevivência delas.

São especialistas porque não estão engessadas em burocracias.

São especialistas porque desenvolveram desde o início o mindset de escutar e conversar com o cliente.

Open innovation -> Interação com startups

O mundo já mudou e vai mudar ainda mais. Para ter a velocidade de conversar com esse novo mundo, todas as empresas precisam pensar como startups. A sua pode tentar fazer isso sozinho e garanto que não terá velocidade suficiente para isso, ou abrir as suas portas para a interação com startups, a fim de criar conexões que te guiem nesse novo mundo. 

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