Estamos em um caminho de desenvolvimento de novas formas de gerir, produzir, relacionar e certamente novas formas de fazer negócio. A Era Digital e o processo profundo de transformação do mundo, e por consequência, do mundo dos negócios, certamente é um dos momentos mais intensos de inovação pelo qual já passamos. O mundo digital traz para as empresas o desafio urgente de se renovar, de realizar negócios de forma mais eficiente, de usar a tecnologia de forma inteligente. A primeira preocupação tem sido a competitividade, e as empresas buscam tipos de inovação que possibilitem ganho de desempenho, que transformem os seus negócios. 

Gestores de inovação ou transformação digital estão sendo cobrados quanto ao desenvolvimento da cultura e ao mesmo tempo quanto à geração de resultados de inovação e se sentem perdidos sobre como começar ou qual deve ser o foco. Discutimos um pouco essa questão no post Inovação ou mudança de cultura: o que vem primeiro?

Inovação de Processo e Gestão

Inovações de processo e de gestão são as primeiras a ganharem espaço, mas muitas vezes também as mais difíceis de serem implementadas. O que acontece é que tradicionalmente a gestão das empresas buscam controle e há um risco inerente à mudança. Quem dentro das empresas está disposto a correr esse risco? A assumir em sua área o pioneirismo dessas mudanças? A não ser que a inovação seja muito incremental, comportamentalmente poucos profissionais estão preparados para calcular adequadamente os riscos e colocar-se a frente desses processos. Isso é só parte do que Clayton Christensen chama de  “Dilema da Inovação”, descrevendo os mecanismos pelos quais a empresa simplesmente não consegue tomar a decisão de investir em inovação disruptiva, com o mindset de gestão do negócio estabelecido.

Inovação de Produtos

A inovação de produtos também encontra suas dificuldades, mas ela consegue transitar em processos tradicionais de desenvolvimento (ainda que muitas vezes acaba não sendo implementada), pois os riscos são aceitos nesse ambiente.  

Por outro lado esse tipo de inovação tem sido incremental, já que mudanças mais disruptivas de produto carregam consigo demandas por novos modelos de comercialização que criam barreiras à sua entrada no mercado.

Temos visto novos produtos surgirem como forma de aproveitamento de matéria-prima, por exemplo. Nesse caso, essas inovações entram como uma ação de ganho de produtivdade e ganham espaço na organização. É interessante ver que elas aproveitam canais existentes, mas também ajudam a empresa a explorar outros mercados ou segmentos de clientes. Então, mesmo que incrementais, esse tipo de inovação pode ajudar muito no desenvolvimento das competências que a organização precisa desenvolver para alçar voos mais disruptivos e no estabelecimento das rotinas desejadas para que a cultura de inovação se estabeleça ou amadureça.

Design de Serviços

O mundo digital tem exigido e gerado inovações de vários tipos que possibilitam criar, estabelecer e alimentar novas formas de relacionamento com o cliente. Por isso os Departamentos de Marketing têm sido cada vez mais pressionados a isso – essa é uma área que tem aptidão ao novo, que sabe testar e conversar com o mercado, tudo o que favorece o processo de Customer Development.

Nesse contexto, o Design de Serviços e novas tecnologias têm possibilitado um nível mais aprofundado de “intimidade” entre empresas e seus clientes. O que Nicolaj Siggelkow e Christian Terwiesch chamam Conexão Contínua, em que a tecnologia possibilita com que as empresas atuem de forma completa e antecipada na relação com o cliente, gerindo suas necessidades, antecipando seus desejos e promovendo uma experiência transformadora. O que não significa estar presente na memória, mas muitas vezes até mesmo estar menos presente, e ainda assim, repetindo a venda em um novo entendimento dos estágios da jornada do seu cliente e dos pontos de contato que efetivamente geram valor.

O que ainda tem sido menos discutido e praticado é a transformação que o mundo digital possibilita no negócio. Empresas tradicionais ainda não estão compreendendo a profundidade da mudança de seus mercados. Ela ainda lutam contra tendências e estão perdidas quanto a como refazer suas bases e adotar uma estratégia de inovação que efetivamente aumente sua probabilidade de sobrevivência em longo prazo, frente a todos os desafios e complexidade atuais, mas ancoradas em competências do “mundo real e concreto”.

Desenvolvimento da Cultura de Inovação

Todo esse contexto vem impondo que as empresas busquem o desenvolvimento de uma cultura de inovação que possibilite com que ela desenvolva ou incorpore novas formas de trabalhar. Ao mesmo tempo, há uma corrida acelerada por respostas quanto a como evoluir o negócio. Tudo isso faz com que o gestor de inovação ou de transformação digital tenha que se preocupar com questões de natureza muito diferentes: pessoas, tecnologias e mercado.

Fazer tudo de uma vez parece desumano, mas o desafio é justamente esse. Não acreditamos que uma pessoa com pouco apoio e recursos possa realizar tudo isso, mas se a pauta desse texto é “tipos de inovação”, podemos gerar alguns insights quanto à abordagem.

Por qual dos tipos de inovação devo optar?

Se inovações incrementais de processo e gestão são mais palatáveis, são também um bom caminho para iniciar o desenvolvimento das pessoas e da cultura da empresa. Programas de intraempreendedorismo, que empoderam equipes para implementação desse tipo de inovação (e muitas vezes inclusive de novos produtos), possibilitam que os times incorporem novas metodologias de trabalho (ágeis) e ao vivenciar os resultados da implementação, criem artefatos e desenvolvam valores culturais atrelados ao processo de inovação. As histórias de sucesso que alimentam a cultura vão sendo escritas e contadas.

Inovações mais disruptivas de processo e gestão podem ser trazidas de fora, testadas em programas de interação com startups, que ajudam no convencimento interno e no processo de implantação, trazendo referências de outras empresas e resultados gerados.

Inovação de produto e modelo de negócio são desafio maior. Programas de Corporate Venture, desafios tecnológicos, desenvolvimento compartilhado, são algumas formas que estão sendo abordadas para lidar com esses tipos.

Esses insights não são determinantes, existem poucas regras nesse ambiente e outras receitas podem funcionar muito bem. Fato é que nossa experiência mostra que todos os tipos de inovação só são possíveis quando temos pessoas preparadas e uma busca legítima por resultados, sendo assim um processo nitidamente empreendedor.

Para conhecer mais detalhadamente cada um dos tipos de inovação citados acima, não deixe de acompanhar semanalmente o conteúdo do nosso blog.