Todo ano, infelizmente, começamos com as mesmas notícias. Alguma região do Brasil tem fortes chuvas, milhares de pessoas perdem seus bens e, algumas vezes, as suas vidas, por conta de enchentes e inundações. Logo depois, são realizadas ações emergenciais e quando a época de chuvas passa, o fato é esquecido e as prioridades mudam. Até que novamente, no ano seguinte, venham novas chuvas e o ciclo é reiniciado.

Nas diversas discussões com especialistas sobre o tema, sempre são levantadas as necessidades estruturais de mudanças, que por serem muito caras, ou demandarem muito tempo, ou ainda por não trazerem votos de forma imediata são postergadas para que o próximo governo as faça.

Mas o que a inovação tem a ver com o episódio das chuvas?

Dentro do mundo da inovação existe um conceito chamado inovação aberta, onde as empresas e instituições entendem que não conseguem sozinhas pensar em todas as soluções possíveis, muito menos tem a capacidade técnicas de executar todas elas, e assim, abrem seus problemas e desafios para co-construção com parceiros externos. Talvez seja hora dos governos organizarem momentos de co-construção para discutir como tratar a questão das chuvas, o maior, senão único, grande desastre natural que ocorre todo ano no Brasil (graças a Deus não temos furacões, terremotos, maremotos ou mesmo nevascas com frequência como alguns lugares do mundo).

Temos como exemplo o convênio realizado pelo Governo de Minas Gerais e a Defesa Civil do estado com a plataforma Waze, com a finalidade de monitoramento e alimentação, em tempo real, de informações e alertas sobre áreas alagadas e, assim, proteger a população de acidentes de proporções ainda maiores.

imagem mostra um print do waze, aplicativo avisa em tempo real sobre os alagamentos em BH. Um exemplo de como a inovação pode contribuir com o episódio das chuvas em MG.

Imagem publicada originalmente na matéria do Jornal Hoje em Dia: https://www.hojeemdia.com.br/horizontes/defesa-civil-aconselha-evitar-avenidas-atingidas-pela-chuva-em-bh-confira-1.769488

No contexto da inovação, aplicamos metodologias de prototipagem rápida, design thinking e customer development que poderiam ajudar muito com que os governos testem diversas soluções, metrifiquem os resultados e assim consigam de vez encontrar formas mais inteligentes de prevenir esses acidentes.
Consigo imaginar vários tipos de soluções diferentes que já são de domínio de muitas startups e que poderiam salvar vidas.

  • Sistemas de monitoramento remoto por câmeras ou drones com análise de imagem prevendo deslizamentos;
  • Sistemas de notificação em tempo real por diversos canais (SMS, Whatsapp, ligações por bots, etc);
  • Materiais inteligentes para substituição de revestimento das vias com maior absorção de água;
  • Sistemas de gestão inteligente de pluviômetros e outros sensores;
  • Um programa estruturado de gerar, desenvolver e testar ideias ajudaria muito no combate a essa nossa tragédia recorrente.

Fica aqui a sugestão, para que ao invés de tentar resolver esses problemas sozinhos, prefeituras e governos estaduais e federal, organizem iniciativas para pensar juntos em soluções e formas de pensar essas soluções, para que não tenhamos que continuar discutindo todo início de ano sobre o estrago e as perdas causadas pelas chuvas.

Por |2021-05-03T11:43:01-03:0031/01/2020|inovação|

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Atuo no mundo da inovação desde 2008. Já atuei em incubadora, consultoria e aceleradora, acelerando mais de 900 startups. Sou formado em Ciências Biológicas e Especialista em Gestão, e por isso gosto de misturar mundos diferentes para trazer mais inovação para o meu dia-a-dia. Coordeno os programas da Troposlab e crio novas metodologias de aceleração, atuando diretamente com mais de 50 grandes empresas. Além disso, tenho um lado nerd (ficção científica, heróis, histórias de aventura, etc).
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