Startups que conseguem cruzar a difícil barreira do product-market fit (ou adequação produto-mercado), seguem rumo ao desenvolvimento para se tornarem parte do hall das grandes empresas de tecnologia. Geralmente, as startups recorrem a investidores que apostam em seus negócios através de aportes financeiros, permitindo que a empresa contrate mais funcionários e distribua este dinheiro buscando competitividade e crescimento acelerado.

Após rodadas de Seed Capital, Venture Capital e Private Equity, que podem atingir montantes na casa dos bilhões de dólares, as startups geralmente decidem por abrir seu capital, buscando mais capitalização, crescimento e consolidação.

Em 2018, tivemos alguns casos de startups famosas que abriram seu capital nos Estados Unidos, como Dropbox, SurveyMonkey, Eventbrite, DocuSign e a brasileira Stone Pagamentos. A startup brasileira de meios de pagamentos movimentou nada mais nada menos do que US$1.2 bilhões de dólares, chegando a um valor de mercado de US$6.8 bilhões. Sua concorrente, PagSeguro, que também estreou na Bolsa em 2018, alcançou o valor de mercado de US$9.7 bilhões, configurando o maior IPO de uma empresa brasileira no mercado norte-americano.

Mas nem tudo são flores para empresas de tecnologia na Bolsa de Valores. O FAANG (acrônimo para Facebook, Apple, Amazon, Netflix e Google), apresentou resultados tanto quanto decepcionantes para os seus investidores em 2018. Liderados por Apple e Amazon, que atingiram o histórico valor de mercado de US$1 trilhão de dólares em Agosto e Setembro respectivamente, o FAANG apresentou em Novembro um queda total de aproximadamente US$750 bilhões de dólares.

Muito se falou sobre as possíveis explicações destas quedas, porém gostaria de trazer 2 que considero principais:

  1. China – Os Estados Unidos, liderados pelo polêmico presidente Donald Trump, estão travando batalhas comerciais com a China. O problema é que a grande maioria dos fornecedores das empresas de tecnologia americanas estão na China, o que está resultando numa onda menos otimista para os investidores.
  2. Estabilidade – Investidores estão buscando opções de investimento com menos volatilidade, e acreditam que empresas de tecnologia que estão há mais de 10 anos na bolsa, não irão mais apresentar os mesmos resultados de crescimento nos anos seguintes.

Este segundo ponto é curioso e me faz refletir. Uma boa parte das maiores startups no mundo ainda não apresenta lucro, mas segue passando por rodadas de investimento generosas. É o caso da Uber, que havia registrado um prejuízo de US$1.7 bilhão apenas no período de janeiro a setembro de 2018. E mesmo com este resultado negativo, a empresa manifestou oficialmente junto à SEC (Comissão de Títulos e Câmbios dos EUA) o interesse em abrir seu capital em 2019

Em sua última rodada de investimentos, a empresa recebeu um valuation de US$72 bilhões de dólares, mas espera que, ao abrir seu capital, atinja o valuation de US$120 bilhões de dólares. Como um investidor, poderia concordar com este valor de mercado estipulado para a Uber, devido às proporções mundiais que a empresa possui e o número de usuários ativos. Porém, é necessário que a empresa de serviços de transporte apresente rápido, mais alternativas de fonte de receita que justifiquem toda esta valorização do mercado.

Eu acredito que a Uber conseguirá apresentar ao mercado os sinais de que pode se tornar, em breve, uma empresa financeiramente sustentável. Um bom indício para crer que conseguirá atingir esse objetivo é levar em consideração as grandes empresas que apostaram na startup ao longo de seus quase 10 anos de história. Carros autônomos e outros meios de transporte não motorizados podem ser boas opções para ajudarem a empresa a sair do vermelho.

2019 será um ano importante para as startups, pois aponta para uma consolidação da Inteligência Artificial e do 5G, tecnologias que tem potencial para mudar a forma como enxergamos o mundo. Empresas que hoje estão na vanguarda da evolução tecnológica, precisam se reinventar e pensar como poderão sobreviver às próximas transformações digitais. Mesmo as maiores empresas do mundo hoje devem se preocupar em estar sempre inovando e gerar mais valor para seus clientes!