As tendências para o mercado de energia mundial vêm, há algum tempo, indicando uma descentralização na distribuição deste serviço. Em países como Japão e Alemanha, desde os anos 90 já era possível produzir energia própria, enquanto no Brasil, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) permite que a geração distribuída aconteça desde 2007.

Como uma empresa de energia deve então, lidar com este movimento de descentralização que provavelmente irá acabar com esta atividade em alguns anos? Todos os setores tem enfrentado mudanças radicais de cenário como esse, e nossa resposta a todos é a mesma: inovação, é claro! 

Este texto se propõe a contar a história do EDP Starter Brasil 2018, um programa de aceleração de startups que compõe a estratégia de inovação aberta da EDP Brasil.

Contexto

Falamos acima sobre a distribuição da energia, que é de fato a energia que chega na casa do consumidor final. Só que antes desta etapa, acontece a geração da energia (através de hidrelétricas e termelétricas por exemplo), seguida da transmissão da energia, que a leva para as linhas de distribuição. 

Dá pra perceber que é uma cadeia de valor robusta, que naturalmente gera inúmeros desafios técnicos, operacionais e gerenciais. Diante destes desafios, a empresa pode desenvolver soluções e projetos ‘dentro de casa’, através de projetos de P&D, ou então buscar soluções no mercado. A EDP decidiu concentrar os esforços na busca por soluções de mercado, e tem tido muito sucesso na parceria com startups, que conseguem atender demandas específicas – coisa que as grandes empresas de tecnologia muitas vezes não são capazes.

2018 também ficou marcado para a EDP como o ano em que o braço de venture capital da empresa foi criado no Brasil. Este meio de investimentos serve para completar a cadeia de valor de inovação do grupo no país, e tem total sinergia com o EDP Starter, já que são iniciativas que geram retorno contínuo uma a outra.

O Programa

O EDP Starter é um programa mundial de aceleração com o objetivo de gerar negócio entre a EDP e as startups, através da realização de projetos piloto. Em 2018, foi realizada a segunda edição do programa no Brasil, executado por nós, da Troposlab.

Em grandes empresas como a EDP, um ponto crucial para o desenvolvimento de projetos de Inovação Aberta é o entendimento das demandas e dos desafios das suas áreas de negócio. Além de guiar todos os objetivos do projeto, este momento apresenta um nível de dificuldade enorme, pois muitas vezes os funcionários enfrentam muitos obstáculos para mapear estas demandas e desafios. Por isso, a EDP trouxe à bordo a Tropos, dada nossa vasta experiência no desenho e na execução de projetos de Inovação Aberta. 

Cada empresa vive um contexto diferente e não existe fórmula secreta para inovar. Nós decidimos que deveríamos iniciar este projeto através de entrevistas com executivos da EDP do Brasil, Portugal e Espanha para entender, além dos desafios operacionais, qual era a visão da empresa sobre o futuro do mercado de energia. Por ser um ambiente extremamente técnico, contamos com um consultor da área de Energia para apoiar em todas as atividades do projeto.

Feitas as entrevistas, a equipe responsável organizou as informações de forma que fossem gerados insights estratégicos e operacionais. Foi através destes insights que os objetivos e o escopo do EDP Starter Brasil 2018 foram desenhados.

No processo de inscrição das startups, a EDP e a Tropos utilizaram os insights coletados nas entrevistas, aliados às diretrizes de inovação já pré-estabelecidas pela empresa: Inovação Digital, Energias Limpas, Redes Inteligentes, Armazenamento de Energia, Soluções com Foco no Cliente e Áreas de Suporte. Nossa equipe elaborou todo o formulário de inscrição, assim como a estratégia de divulgação do programa.

Este é outro ponto importante do projeto: startups maduras não veem valor em programas de aceleração por si só. Devem haver oportunidades comerciais e de conexão, e o EDP Starter quis deixar isso claro desde o início da comunicação. A Tropos foi responsável por uma divulgação ativa com as startups de sua rede, além de todas as comunidades de startup do Brasil, o que resultou num total de 307 inscrições.

Após um processo de triagem com critérios elaborados para o programa, restaram as 12 startups que mais faziam sentido para a proposta. Com o intuito de se aproximar delas e conhecer os empreendedores por trás do negócio, foi realizado um bootcamp em 2 dias de atividades intensas, onde foi possível observar o comprometimento, capacidade de execução, perfil dos empreendedores e tamanho da oportunidade da solução. Ao final do segundo dia, os empreendedores fizeram um pitch com base no Canvas de Projeto Piloto, metodologia desenvolvida pela Troposlab exclusivamente para este momento do EDP Starter.

As 6 Startups selecionadas foram: Btime, Dom Rock, Ewally, MGov, Sami Energia e 4Vants. Durante 2 meses, estas empresas acessaram de forma direta as áreas de negócio da EDP, para entendimento da demanda e desenho de projetos piloto.

Fazia parte do dia-a-dia das startups:

  • Mentorias individuais – metodologia exclusiva Troposlab
  • Palestras Semanais – Google, Uber, ESPM, IT Mídia, etc.
  • Conexão com mentores de mercado – rede Troposlab
  • Conexão com executivos da EDP

O projeto foi finalizado com um demoday, realizado no CUBO, onde todas as 6 empresas apresentaram suas soluções e os projetos piloto que estavam desenvolvendo com a EDP. 

A grande vencedora foi a 4Vants, plataforma de inteligência artificial para identificação de ativos através de fotos e vídeos. A startup desenvolveu projetos pilotos focados na área de inspeção de linhas de distribuição, e também para o acompanhamento de obras de linhas de transmissão.

Em segundo lugar ficou a Dom Rock, plataforma de Analytics e Big Data que organiza e dá sentido aos dados corporativos. A startup desenvolveu projetos com foco em identificação e classificação de áudios a partir de gravações do call center, e também para a organização e integração de informações financeiras para a área de “Relações com Investidores” da EDP.

Resultados

O EDP Starter Brasil 2018 chegou ao fim com 13 propostas de projeto piloto entre as startups e as áreas de negócio. Destes 13, 2 já foram finalizados e 10 seguem rodando, 2 meses após o término do programa. Além disso, das 6 startups, 2 já estão em fases avançadas de negociação com a EDP Ventures, para um investimento baseado em equity.

A EDP espera que estes projetos gerem:

  • Redução de 5% do risco de inadimplência;
  • Redução de 5% do custo de arrecadação;
  • Redução de R$1MM/ano do custo com equipes de campo;
  • Aumento da eficiência na resolução de problemas em atendimentos por telefone;
  • Novas oportunidades de negócio com armazenamento de energia;
  • Redução dos Índices DEC e FEC.

Outro resultado relevante foi o número de executivos que tiveram participação ativa no EDP Starter. Mais de 60 estiveram envolvidos em atividades do projeto, o que contribui diretamente para a mudança de cultura da empresa. Alguns destes executivos chegaram a passar por 12 horas de capacitações oferecidas pela Troposlab e sua rede. 

Também foi apurado que 58 mil pessoas acessaram o site do programa durante os 4 meses de inscrição e aceleração do projeto.