• Como atingir estratégias longevas de inovação em um mundo em constante transformação?

Qualquer pessoa pode perceber que os últimos anos foram marcados por transformações importantes geradas por uma interação única entre novas tecnologias e mudanças de comportamento. Até mesmo as transformações mais planejadas tiveram desdobramentos e consequências imprevistas, impactos positivos ou negativos inesperados. Sim, é esse o mundo incerto, ambíguo, volátil, ansioso, complexo que nós geramos. E, nesse tumulto de tecnologias e mudanças, as empresas estão sendo desafiadas a buscarem novos modelos de atuação e de negócios, novas estruturas, práticas mais sustentáveis e humanas, etc. 

Para fazer isso, precisam colocar a inovação no centro de suas estratégias, e, mais ainda, desenvolver estratégias perenes de inovação e transformação dos negócios. Para alcançar esse objetivo, existe um processo inerente que envolve avaliar e apostar nas transformações que permanecerão, diferenciando-as das tecnologias e mudanças que passam rapidamente e não se estabelecem.

Existem várias formas de projetar esses cenários futuros em inovação mas, em meio a tantas mudanças comportamentais, se faz necessária uma abordagem também mais voltada aos processos comportamentais inerentes a essas transformações.

Por que precisamos olhar para o comportamento para entender a tecnologia?

Quando uma nova tecnologia emerge, inicia-se o exercício de aplicar a diferentes contextos e problemas. Em muitos ambientes a tecnologia não vai prosperar, mas para outras aplicações isso vai acontecer e transformar cadeias de negócio por completo. Muitos elementos influenciam essa adoção bem sucedida, mas acima de tudo, essa nova aplicação precisa gerar valor (trazer benefícios de forma viável) para empresas e seus clientes ou usuários. Também é necessário que supere alternativas análogas para a solução do problema, assim, esse valor gerado é sempre relativo a outras possibilidades.

Com as mudanças comportamentais que estamos vivendo, é necessário entender os processos comportamentais por trás da adoção de novas tecnologias, conceitos ou modelos, e como podemos estabelecê-los. Será que eles possuem potencial para serem transformados em novas práticas? Se a resposta for positiva, estamos falando que essa tecnologia possui um futuro promissor.

Como avaliar a probabilidade de estabelecimento de novos conceitos, tecnologias ou processos por meio do comportamento?

O exercício de avaliar o potencial estabelecimento de novas tecnologias, conceitos e processos é um exercício de observar e deduzir consequências existentes e futuras para as pessoas em diferentes contextos.

Existem 4 tipos de consequências que podemos analisar para gerar insights importantes:

Consequências positivas de curto prazo: são aquelas que geram valor agora para empresa, clientes, usuários, colaboradores… Elas geram um benefício quase imediato nesse sentido e, por isso, são muito potentes no estabelecimento de novas práticas comportamentais culturais.

Consequências  positivas de longo prazo: são consequências que somente se concretizam pelo efeito acumulado das novas práticas de uma pessoa ou grupo de pessoas. Quando uma tecnologia gera somente esse tipo de consequência, é mais difícil tornar seus processos comportamentais inerentes, práticas culturais. Normalmente é necessária muita educação e artefatos de manutenção desses comportamentos em curto prazo, porque sim, somos seres imediatistas e quando nossa cultura não fortalece esse olhar para o futuro, tudo fica mais difícil. 

Consequências negativas de curto prazo: são os efeitos indesejados ou “custo” do novo processo comportamental. São consequências naturalmente geradas, mas raramente reconhecidas ou descritas. Elas podem prejudicar muito a adoção de novas tecnologias ou conceitos (quando o esforço que tenho que fazer me parece maior que o valor que ela gera).

Consequências negativas de longo prazo: essas são as mais negligenciadas. Muitas vezes conseguimos deduzir, mas não damos a importância devida, não deixamos que influencie nossas decisões. O grande desafio é que o poder tecnológico tem impactos muito potentes em longo prazo, ele gera dilemas éticos sérios. Muitas sociedades e empresas têm se organizado para olhar com mais cuidado para esse tipo de consequência, seja gerando novas regulamentações, seja contratando especialistas em ética para os negócios. Fato é que por mais que fiquem fora do radar das decisões de negócio, elas tendem a se tornar presentes e viabilizar, ou não, as mudanças.

Além de analisar o tipo de consequência, é importante fazer esse exercício aplicado a diferentes contextos: a organização, seus colaboradores, a sociedade e o meio ambiente. O que é valor e consequência positiva para um pode não ser para o outro. E cada vez mais esse equilíbrio e sintonia vai definir práticas perenes.

Como essa análise influencia as estratégias de inovação?

Saber o que tem potencial de permanecer e se tornar status quo é uma informação preciosa no desenho de estratégias de inovação longevas e capazes de sustentar a transformação dos negócios. 

É esperado que essa análise não leve a uma resposta de “sim ou não”, mas ao levantamento de atributos e pontos de atenção que devem ser acompanhados de perto no desenrolar da estratégia. Com eles, as empresas e gestores de inovação sabem o que monitorar e como influencia na direção que estão tomando. Assim, essa análise pode ajudar:

  • Na definição de “rotas de longevidade” e entendimento dos desafios e barreiras tecnológicas que podem influenciar a inovação;
  • A fortalecer as práticas de monitoramento de mercado e novas tecnologias – você pode mapear que atributos são importantes monitorar para entender o estágio de desenvolvimento e adoção das novas tecnologias e conceitos, aumentando a assertividade do “timing”;
  • A revisitar as vantagens competitivas sustentáveis que a inovação pode gerar;
  • A redefinir o que é cultura de inovação para a empresa;
  • A reavaliar as capacidades internas para as inovações almejadas;
  • Numa maior ousadia e velocidade no posicionamento das empresas.

Liderança e o poder da inovação no desenho do futuro que queremos

Em um mundo onde quase tudo está sendo repensado e a tecnologia está determinando novas possibilidades para o ser humano e a vida na terra, é necessário reconhecer o poder e responsabilidade que as grandes empresas, os gestores de inovação  e empreendedores de tecnologia (startups) possuem. São eles que atuam como selecionadores das tecnologias que vão determinar o mundo em que vamos viver nos próximos anos. Por isso, algumas reflexões são fundamentais para uma atuação ética e consciente:

  • A mudança que o mundo precisa envolve estabelecer processos de longo prazo. As mudanças estão sendo geradas e passam pela inovação das empresas, seja para nascerem, seja para se estabelecerem. Sua liderança seleciona.
  • As transformações precisam de liderança e intencionalidade para serem efetivamente e sistematicamente conduzidas para um cenário de abundância (humana, econômica, social, natural) que aumente a qualidade de vida na terra para as próximas gerações.
  • Não existe um cenário de inovação radical sem intenção.

Há quem não acredite em uma condução mais consciente e ética dos negócios e tecnologias, mas essas pessoas estarão cada vez mais sujeitas à observação e escrutínio de organizações sociais que nascem todos os dias e que também usam a tecnologia a seu favor. Assim, a busca por estratégias longevas de inovação passa pelo debate ético das transformações propostas.


Podemos te ajudar a traçar as melhores estratégias de inovação e cuidar do futuro da sua empresa. Quer saber como? Entre em contato com a gente preenchendo o formulário abaixo ou pelo e-mail.

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Sou psicóloga e mestre em Administração. Trabalho com inovação desde 2005 e nesse caminho me formei também com o Steve Blank, Marc Stickdorn e Jurguen Appelo. Conhecendo inovação, comportamento, novas formas de gestão e design, repenso a gestão da inovação nas grandes empresas, com enfoque nas pessoas e ambiente, indo além de processos e ferramentas. Sou idealista, mãe, amante da boa música e da arte. Nas horas livres você pode me ver correndo por aí, viajando ou brincando feroz com balões de água.
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