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Em 19 de Outubro celebramos mais uma vez o Dia Nacional da Inovação. Em mais um ano de pandemia e isolamento social no Brasil e no mundo, parece importante descrever nesta data qual tem sido o legado da transformação digital para as práticas de inovação. 

Sabemos que a transformação digital foi acelerada pela pandemia do COVID-19. Imediatamente ela obrigou as empresas a implementar o trabalho remoto, a descobrir novas formas de se relacionar com clientes, a desenvolver novos produtos ou modelos de negócio. Todas essas inovações aconteceram de forma transversal, remota e rápida, o que vem gerando novas práticas e/ou a difusão de modelos mais modernos de gestão da inovação. 

Alguns impactos positivos da transformação digital na inovação recente:

1. Percepção da alta gestão de que a mudança dos últimos meses é definitiva

Com o extender dessa situação gravíssima da pandemia, as empresas permaneceram muito tempo o suficiente em uma nova condição para se acomodar a vários aspectos dela. Experimentar o retorno de resultados ainda em uma condição de trabalho remoto, ou colher os ganhos de produtividade da incorporação de novas tecnologias, coletar o relato de colaboradores que encontraram algum benefício no trabalho de casa, todas essas são consequências que fortalecem as mudanças que foram vividas como algo “viável” ou “sustentável” para o negócio. 

Essa percepção foi fortalecida por discussões em eventos online de todos os tipos que trouxeram novos modelos de inovação, referências de empresas digitais e troca de conhecimentos entre gestores.

Ainda há os que resistem e não podem ver a hora de voltar ao que era antes, mas aqueles que estão mais sensíveis ao dia-a-dia e à visão de futuro, certamente aprenderam muito sobre novos caminhos e benefícios que podem alcançar.

Essa percepção é extremamente relevante para a gestão da inovação

2. Descentralização e Colaboração

A inovação nas empresas tradicionalmente era uma função do desenvolvimento de novos produtos, acontecia com envolvimento do departamento de Pesquisa e Desenvolvimento, Marketing etc, assim a gestão da inovação nasceu. Nos últimos anos isso já vinha mudando, afinal de contas a dinâmica do mercado já vinha impondo uma demanda ritmadada de novos desafios de inovação que não se limitavam aos produtos. Com a transformação digital e a referência colocada nas empresas exponenciais, o entendimento de que a inovação deveria ser transversal começou a ficar claro, e durante a pandemia podemos dizer que se estabeleceu. As empresas hoje possuem uma área ou um Head de inovação, mas se tornou uma ambição de todos eles desenvolver a cultura de inovação, e um de seus desafios é promover isso em toda a empresa e contabilizar os resultados. Com isso a inovação foi descentralizada  nas empresas.

Além disso, o acelerado ambiente competitivo e a crise tornaram impossível superar todos os desafios de maneira solitária e as empresas começaram a trazer soluções de fora e construir junto com outras empresas, startups ou com seus clientes. A colaboração entre empresas ou internamente entre áreas se torna uma habilidade chave do gestor de inovação.

3. Agilidade para performar no caos e complexidade

Com o alto nível de instabilidade e velocidade do mercado, a agilidade em identificar oportunidades, descobrir como capturar e implementar mudanças se torna uma competência que traz vantagem competitiva para as empresas. Essa agilidade escalou graças ao momento de desenvolvimento de novas metodologias nas quais pode se ancorar. Gestão Ágil, Desenvolvimento Ágil de Inovação, Design Thinking são as que despontam e se espalham velozmente, transformando não só a forma de trabalhar, mas também a estrutura das empresas de uma forma irreversível.

4. Coragem para assumir riscos 

Quando o mais arriscado é ficar parado, vemos as empresas aumentarem o ritmo de incorporação de novas tecnologias e se lançarem a novos negócios. Se antes a discussão de novos negócios estava limitado ao Board da empresa, hoje elas permeiam os programas de intraempreendedorismo que fazem parte do arroz com feijão do desenvolvimento da cultura de inovação.

Esses são alguns avanços importantes que nos levam a acreditar que uma mudança definitiva na forma de fazer a inovação aconteceu, é a vez da Inovação 4.0. E com esse avanço também percebemos novos desafios, ou desafios que já existiam e agora têm um impacto mais forte.

5. Foco nas pessoas

Apesar de utilizar metodologias cujas premissas são absolutamente humanas, ainda há espaço para entender aspectos comportamentais de quem pratica ou consome a inovação. É consenso que para a inovação acontecer requer empreendedorismo (ou intraempreendedorismo quando no ambiente corporativo), mas os processos seguem sendo o foco da gestão por falta de conhecimento e ferramentas para inverter esse enfoque.

Além disso, o trabalho acadêmico ainda não suporta de forma consistente a gestão de pessoas no processo de inovação, oferecendo poucos insights práticos para o Head de inovação ou o RH.

6. Encontrar novos indicadores

A empresa que segue utilizando ganhos financeiros como critério de seleção de novos projetos, dificilmente vai criar caminhos para que as inovações transformacionais (aquelas que a permitem criar mercados com produtos absolutamente novos, por exemplo). Além de visualizar esse caminho estratégico, é necessário criar conexões de um futuro mais distante com os resultados do ano.

Além disso, para que a empresa aprenda o “fracasso produtivo” (que é quando um projeto inovador falha, mas o time aprende muito sobre porque isso aconteceu e pode acessar esse aprendizado no futuro para aumentar a probabilidade de sucesso de novos projetos), ela precisa criar formas de acompanhar e medir o aprendizado. Esse já era um desafio clássico de projetos de inovação disruptiva, mas com a velocidade e descentralização da inovação, somada às novas metodologias focadas em aprendizado, isso se torna muito mais importante.

Esses são exemplos, mas muitos outros indicadores precisam ser considerados seriamente na gestão da inovação e na gestão da empresa para que o ambiente favoreça esse processo.

7. Formar Lideranças

Sejam novos líderes ou atuais, é necessário desenvolver habilidades que não são naturalmente desenvolvidas nas empresas ou em universidades e muito menos de forma sistemática. A Habilidade de facilitação de grupos é uma delas, ela permite um reposicionamento do líder formal da empresa frente sua equipe, exercendo suas funções primordiais de cuidar do desempenho, do ambiente de trabalho ou da segurança do time, mas de novas formas. Essa habilidade também é importante para conduzir os processos de inovação em todas as suas fases, especialmente de forma colaborativa.

8. Estratégias Longevas

Talvez o mais importante e que ainda é bastante incipiente, é a definição de estratégias longevas de inovação, pois são elas que permitem o desenvolvimento sistemático do ambiente de inovação (como a cultura), de rotas de produtos e tecnologias disruptivas (que precisam de tempo) e também da realização de uma intencionalidade e impacto inerentes à decisão de inovar. 

Sabemos que o mundo vai seguir em transformação, que o ambiente de negócios continuará volátil, incerto, caótico… Justamente por isso a inovação seguirá como prática fundamental das empresas em todas as áreas, mas é necessário filtrar e apostar o que vai construir o futuro. Principalmente, as lideranças precisam assumir as rédeas desta construção com intencionalidade, escolhendo caminhos para inverter a lógica do caos e propor a ordem que desejamos ver no mundo, com o poder que a tecnologia dá às empresas capazes de levá-las ao mercado.


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Sou psicóloga e mestre em Administração. Trabalho com inovação desde 2005 e nesse caminho me formei também com o Steve Blank, Marc Stickdorn e Jurguen Appelo. Conhecendo inovação, comportamento, novas formas de gestão e design, repenso a gestão da inovação nas grandes empresas, com enfoque nas pessoas e ambiente, indo além de processos e ferramentas. Sou idealista, mãe, amante da boa música e da arte. Nas horas livres você pode me ver correndo por aí, viajando ou brincando feroz com balões de água.
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