Que o mundo está mudando, isso é fato! Porém, ele está mudando numa velocidade muito mais rápida do que a 50 anos atrás e isso é uma das consequências do desenvolvimento tecnológico. Desde a década de 1980, com o advento dos microprocessadores, redes de internet e computadores pessoais, a utilização de informações digitais passou a ser realidade em diversos setores da economia pelo mundo. Isso vem trazendo mudanças na forma como nos relacionamos com os produtos e serviços das empresas. O ano de 2020 vai ficar marcado na história como o momento em que a digitalização se mostrou mais presente e parte da solução para os nossos problemas, e este é um caminho sem volta para as nossas indústrias.

Desde o início da década de 2010, as indústrias dos países mais desenvolvidos vêm realizando transformações na sua cadeia por meio de tecnologias como automatização, big data, internet das coisa (IoT), wi-fi, dentre outras. Porém, nem todas as indústrias estão preparadas para passar por essa transformações, principalmente a brasileira, que além de incorporar as novas tecnologias nos seus processos de produção, precisa realizar o desenvolvimento tecnológico da sua cadeia. Por isso, faz-se necessário um planejamento estratégico visando o médio e longo prazo com foco no desenvolvimento tecnológico, como sugere a CNI no seu relatório de 2016 “Desafios para Indústria 4.0 no Brasil”.

O Technology Roadmap para planejamento estratégico

Diversas são as formas de se fazer um planejamento estratégico com base em tecnologia, sendo que uma das técnicas mais conhecidas e utilizadas por grandes indústrias é o Technology Roadmap (TRM). Essa técnica permite à empresa conectar mercados, produtos/serviços e tecnologias em relação ao tempo, de modo que seja possível identificar, avaliar e selecionar alternativas tecnológicas que possam ser utilizadas para resolver problemas do presente e do futuro¹.

O Technology Roadmap pode trazer diversas contribuições para vários setores da economia brasileira como o setor da indústria de Óleo & Gás, Mineração, Química e Automotiva. Ao trazer uma metodologia e ferramenta que possibilite o planejamento no médio e longo prazo, o TRM ajudará a sua empresa em uma orientação com base na identificação e monitoramento de ambientes, atores e cenários futuros para o modelo de negócio desejado. Como consequência, a organização poderá acompanhar de forma mais direcionada algumas tecnologias específicas, principalmente as tecnologias disruptivas, que têm o potencial de redefinir um setor ou, eventualmente, criar um novo setor da indústria. Abaixo mostramos a ferramenta de TRM adaptada pela Troposlab, sendo que além de identificar os Mercados, Produtos/Serviços e Tecnologias, indicamos que sejam identificados os Recursos Necessários para o desenvolvimento tecnológico.

Ferramenta Technology Roadmap adaptada pela Troposlab

O TRM como ferramenta de Gestão de Portifólio

O TRM vem sendo utilizado desde a década de 1970 como uma ferramenta auxiliar da gestão da tecnologia, pois direciona de maneira efetiva a identificação, seleção, aquisição, desenvolvimento, exploração e proteção de tecnologias necessárias para alcançar, manter e crescer uma posição no mercado e a performance do negócio de acordo com os objetivos da empresa². As primeiras empresas identificadas que utilizam o TRM foram Motorola, Corning no final da década de 1970, expandindo posteriormente para o setor de eletrônicos de consumo, com destaque para a Philips, Lucent Technologies e SAI, além de também ser utilizada por governos para dar suporte na colaboração de pesquisa em alto nível. Existem várias outras abordagens de utilização do TRM em conjunto com um trabalho de visão de futuro, como a utilizada pelo setor de P&D da RHI Magnesita em conjunto com a Troposlab.

A utilização do TRM pode seguir duas lógicas de pensamento no desenvolvimento tecnológico, seja ela o Market Pull ou o Technology Push. Na lógica do Market Pull, será considerado que inicialmente serão identificadas as demandas futuras do mercado para, posteriormente, definir quais tecnológicas e produtos/serviços deverão ser desenvolvidos. Enquanto na lógica Technology Push, partimos de uma ou mais tecnologias pré definidas para, posteriormente, definirmos os possíveis produtos/serviços podem ser desenvolvidos e possíveis demandas de mercado que poderão ser atendidas. A escolha de qual premissa utilizar dependerá da estratégia de inovação e negócio utilizada pela empresa.

O que você deve saber antes de iniciar a construção do seu TRM

Antes de você começar a construir um TRM para o seu negócio, vale ressalter que para construir um Technology Roadmap é necessária a participação dos pesquisadores ou pessoas responsáveis pelo desenvolvimento de novos produtos/serviços, além de contar com a participação das diversas áreas da empresa para incorporarem a sua visão na construção do TRM. Após a sua construção, o TRM precisa ser revisto periodicamente, pois ele é uma ferramenta iterativa e sofrerá mudanças de acordo com as observações e monitoramento das variáveis e atores que impactam nos cenários futuros escolhidos.

Vale lembrar que o TRM é apenas uma das formas de gestão da tecnologia, ou melhor dizendo, do portifólio de produtos/serviços da sua empresa e deve ser incorporado na Gestão da Inovação da sua organização. Se você é responsável pela inovação na sua empresa e quer aprender mais sobre Gestão de portifólio e recursos de inovação, acesse o nosso E-Book sobre Gestão da Inovação. Neste artigo eu quis trazer pra você um pouco dos conceitos e possíveis usos da técnica Technology Roadmap, se quiser discutir mais sobre o assunto e entender como a sua empresa pode utilizar essa técnica, entre em contato comigo pelo email e vamos bater um papo.


Referências:

  1. COUTINHO, P.; BOMTEMPO, J. V. Roadmap tecnológico em matérias-primas renováves: uma base para a construção de políticas e estratégias no Brasil. UFRJ, 2011.
  2. PHAAL, R.; FARRUKH, C. J. P.; PROBERT, D. R. Technology roadmapping – A planning framework for evolution and revolution. University of Cambridge, 2004.
Por |2021-01-13T15:25:42-03:0013/01/2021|ferramentas de inovação|

Sobre o Autor:

Avatar
Ir ao Topo