Como gerar projetos inovadores capazes de eliminar dores relevantes e engajar os colaboradores?

Toda empresa possui dores que afetam suas mais diferentes áreas internas e setores de atuação. Essas dores podem ser, por exemplo, perdas de fatias preciosas de mercados, processos internos ineficientes ou a não capacidade dos colaboradores para exercerem em plenitude todas as suas expertises. Para tratar da solução de tais dores, as empresas têm recorrido a programas de inovação capazes de despertar o potencial empreendedor das pessoas, de modo a surgirem soluções impactantes. Muitas delas têm tentado alcançar tais resultados, porém poucas têm obtido êxito. O que faz com ocorra essa disparidade? 

O que temos observado é que muitas empresas dedicam apropriadamente atenção aos seus programas de inovação, formando seus times de gestão e sponsors e orientando bem seus times de projetos. Isso contribui significativamente para que dores relevantes sejam identificadas e colaboradores cocriem soluções de alto impacto. Mas o grande diferencial está na formação das pessoas. 

Quais as preocupações iniciais para formar as pessoas de modo a fomentar a cocriação de soluções para as dores?

A resposta para essa pergunta demanda a estruturação de um conjunto de ações extremamente customizadas. Cada empresa possui uma realidade muito particular e qualquer tentativa de generalização deve ser feita com muita cautela, sob pena dos resultados esperados não serem alcançados. 

Cabe inicialmente entender o contexto de cada empresa. Diante disso, destaca-se a Saint-Gobain Performance Ceramics & Refractories (PCR) no Brasil, mais conhecida como Saint-Gobain PCR.  Ela desenvolve produtos refratários de alta performance para a indústria siderúrgica nacional e internacional. Para tanto, a Saint-Gobain PCR procura, por exemplo, se destacar do ponto de vista da eficiência operacional, por meio da constante implantação de soluções de ponta para melhoria de processos internos, e também se destacar por meio do desenvolvimento de novos produtos com forte caráter inovador. 

Outra característica marcante do contexto dessa empresa é que os colaboradores têm forte interesse pelo tema inovação, especialmente em relação às técnicas e ferramentas relacionadas aos métodos ágeis. 

Em linhas gerais, os colaboradores conhecem tais metodologias, porém, demandam uma maior compreensão sobre a sua aplicação em condições específicas na própria empresa. Ou seja, para a Saint-Gobain PCR, continuar se destacando em eficiência operacional e desenvolvimento de novos produtos, caberia entender como os métodos ágeis poderiam ser úteis. Nesse ponto, é que entra a experiência da Troposlab. 

Buscamos formar uma equipe interna de colaboradores da Saint-Gobain PCR, de modo a aplicar os métodos ágeis para eliminar suas principais dores. Diante disso, três Sponsors, composto por membros do quadro diretivo da empresa, elencaram três diferentes dores, as quais foram transformadas nas seguintes perguntas:

  • Como dar maior fluidez e segurança às operações logísticas no site de Vinhedo?
  • Como melhorar a gestão de documentos em PCR?
  • Como otimizar o portfólio de produtos e insumos em PCR?

Para destacar ainda mais o foco na solução das dores, o programa interno criado para organizar as ações para responder a tais perguntas foi intitulado de Painkiller.

Em síntese, entender as características particulares da empresa e quais são suas dores mais relevantes são pontos iniciais fundamentais para a condução de uma intervenção eficiente. Dito de outro modo, esses dois pontos foram fundamentais para a condução de todas ações necessárias para formar as pessoas e fomentar a cocriação de soluções relevantes. 

Como se deu a formação das pessoas e a cocriação das soluções?

Baseado nos princípios de métodos ágeis, esse projeto seguiu o marco temporal abaixo. De Março a Setembro de 2021 foram realizadas as seguintes ações: 

Houve inicialmente uma palestra de lançamento do Programa Painkiller para introdução do tema de inovação a todo o público alvo dentro da empresa. O objetivo foi trazer os conceitos básicos e convidar o público interno para se inscrever na iniciativa, a fim de buscar soluções para as três diferentes dores em PCR.

Trinta e três pessoas preencheram o formulário. A equipe de gestão do Programa Painkiller avaliou cada um dos candidatos conforme três critérios: aspectos empreendedor, aspectos técnicos e aspectos pessoais. Cada inscrito apontou em quais desafios gostaria de contribuir. Quinze pessoas foram selecionadas (5 por dor) para compor os times que trabalharam nos projetos. 

Os 18 restantes foram selecionados para o workshop de Ideação. O objetivo desse workshop foi capacitar os participantes em metodologias de análise de problemas e concepção de soluções; dar a oportunidade para que seja possível analisar problemas e desafios que vão além dos 03 trabalhados no Programa Painkiller; e propor e conceber soluções para potenciais novos desafios, que poderão ser trabalhadas posteriormente.

Posteriormente ao workshop de ideação, foram mapeadas as características particulares de cada um dos membros dos times selecionados para a aceleração para encontrar soluções para os 03 desafios propostos. Esse mapeamento é o cerne do Innovation Sensor. Com ele foi possível entender sobre a experiência dos times, o quanto seus membros conhecem sobre inovação, o como se comportam perante desafios empreendedores e quais são as suas principais habilidades empreendedoras. Esses dados foram úteis para ajustar o conteúdo do  processo de aceleração, sensibilizar os times e entender quais elementos  podem favorecer ou dificultar a cultura de inovação de se  estabelecer.

Houve então um Bootcamp. Em síntese, foi realizado um workshop de 2 dias em que grupos de trabalho multidisciplinares foram formados. No terceiro dia uma banca formada por lideranças avaliou os resultados apresentados.

Após esse Bootcamp, os times passaram por um processo de cerca de 4 meses e aceleração para estruturação e implementação do processo de inovação onde as metodologias de desenvolvimento de startups foram aplicadas.

A aceleração é uma forma de promover uma aprendizagem real e prática de conceitos e habilidades que se materializam em resultados que dão sentido ao processo e também favorecem o estabelecimento da  cultura de inovação. Durante o processo de aceleração, os colaboradores internos também tiveram apoio dos sponsors que abriram caminhos internamente para a materialização das inovações.

Após o processo de aceleração, os times dos projetos apresentaram resultados de um MVP para todos os diretores e demais colaboradores durante o Demoday. Além disso, foi realizado um debriefing dos aprendizados do grupo e  também individuais. O rito de compartilhamento fortaleceu a  “história de sucesso” que marca o  nascimento de uma nova cultura. Celebramos um processo de desenvolvimento de pessoas, que teve como subproduto, projetos de inovação reais para a Saint Gobain.

Quais os principais resultados e aprendizados foram obtidos com o PainKiller?

  • O projeto envolveu cerca de 100 pessoas ao longo das várias atividades (só na palestra de abertura mais de 90 pessoas participaram e no Demoday mais de 100 pessoas).
  • Foram mais de 33 inscritos no Programa Painkiller para solucionar 3 desafios internos.
  • 18 pessoas participaram do Workshop de Ideação para serem capacitadas em metodologias de análise de problemas e concepção de soluções. Essas pessoas tiveram também a oportunidade de analisar problemas e desafios que vão além dos 03 desafios do Painkiller. 
  • 15 pessoas participaram das equipes que foram capacitadas em metodologias ágeis para buscar soluções para os 03 desafios apontados pelos sponsors. Outras 2 pessoas (1 de Abrasivos e 1 de PPL) se juntaram à essas equipes. 
  • Foram levantados dados primários sobre as reais dores dos usuários, por meio de mais de 50 interações com público-alvo. 
  • 5 MVPs criados em cerca de 4 meses.
  • Mais de 25 mentorias realizadas pela Tropos.

Além dos importantes resultados numéricos dos programa, também vale destacar os principais aprendizados:

  • Foi construído um time muito integrado de gestão do programa PainKiller e líderes envolvidos, que aprendeu continuamente como alavancar o potencial de inovação das pessoas. 
  • Foi visto na prática que a aceleração de um projeto inovador “não é uma corrida, mas não podemos ficar parados”. 
  • Os times tiveram oportunidade de ir à campo, entender com mais profundidade como as dores se manifestam, quem realmente as sentem e como foi possível dar voz à “pessoas invisíveis”.
  • Times e Sponsors entenderam na prática que um projeto pode ter mais de um MVP. O mais importante não é “acertar” ou “errar” o desenvolvimento do MVP, e sim quais lições são obtidas. “Se der tudo errado, vamos ver o que aprendemos”. 

Quer sanar dores da sua empresa por meio de processos de inovação sistemáticos e focados em resultados, como fez a Saint-Gobain? Fale com um de nossos especialistas:

 

Por |2021-11-24T08:58:33-03:0024/11/2021|Case|

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Me graduei em Economia. Gosto de estudar, por isso resolvi fazer mestrado também na UFMG e doutorado na USP. Escolhi Engenharia de Produção para entender mais sobre os desafios das empresas inovadoras. Tenho aprendido cada dia mais sobre métodos, técnicas e ferramentas para fomentar a inovação no Brasil e no mundo. Sou também professor em cursos de graduação e MBA. Procuro estar sempre ao lado da minha esposa e do meu filho. Curto ler sobre história do Brasil e religião.
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