Em alguns momentos vimos falar sobre programas de inovação dentro de grandes organizações, seja para promover a Inovação Aberta (Open Innovation) ou para capacitar times internos a gerar inovação de forma proativa. 

Neste momento de pandemia causada pela COVID-19, diversas empresas estão se movimentando em direção à inovação para superar a crise. Um ponto importante que devemos perceber nesse contexto é como essas organizações conduzem os projetos de inovação se ocorrem de forma regular, frequente e previsível, se há um reconhecimento abrangente e uma aceitação da sua relevância dentro da empresa.

A inovação dentro das organizações

Pelo fato de projetos inovadores terem como proposta, usualmente, gerar mudanças internas e, em alguns casos, mudanças na forma de trabalhar, principalmente na gestão, estes projetos inovadores podem encontrar certa resistência pelos times internos das organizações. Por essa razão, elas precisam proteger, validar, dar suporte e atenção às iniciativas inovadoras internas. 

O’Connor et al. (2008) sugerem como alternativa para a promoção sistematizada da inovação dentro das empresas a constituição de uma função organizacional específica com essa finalidade. Neste caso, o time com essa função teria como responsabilidade catalisar e facilitar as ocorrências de inovação, de forma que possa envolver outras funções existentes, constituindo-se assim como “Função Inovação” (BAGNO et al., 2017).

O pontapé para a mudança em direção da inovação

Em muitos casos, percebemos que a transformação para uma empresa inovadora começa por pequenas iniciativas internas de colaboradores com vontade de mudança, o que acaba se desenvolvendo em programas e, posteriormente, pode gerar uma área/setor específico para inovação. 

Entretanto, a gestão da inovação é complexa e precisa ser adaptada ao modelo de negócio da empresa, como disse Bessant e Tidd (2015). Por isso, é importante que a Função Inovação seja percebida como elemento central para promover o processo de mudança da organização.

Devido ao contexto atual da pandemia, muitas empresas estão passando por essa transformação, que constitui de três fases principais: a “preparação do terreno”, o início efetivo das atividades e a maturação (O’Connor et al., 2008). Após entender em que fase a organização está, é importante perceber quais são as atribuições da Função Inovação. Bagno et al. (2017) propôs 12 possíveis atribuições, com base em estudo realizado em 15 indústrias brasileiras de grande.

 

Tabela 1. As atribuições para a Função Inovação e as suas descrições. Fonte: MELO, 2017.

AtribuiçãoDescrição
Gestão de ideias internasTrata da captação de ideias de inovação de funcionários via programa de ideias, canais de empreendedorismo interno, workshops induzidos etc.
Parcerias com ICT’s
(Institutos de Ciência e Tecnologia)
Estabelecimento e gestão de parcerias com universidades ou centros de pesquisa.
Outras parceriasEstabelecimento e gestão de parcerias com associações empresariais, clientes corporativos, fornecedores, outras empresas, consultorias permanentes, governos etc.
P&D (Pesquisa e Desenvolvimento)Envolvimento direto da função inovação com atividades pesquisa, desenvolvimento tecnológico, questões técnicas dos projetos de inovação etc.
Portfólio e gestão de projetos de inovaçãoControle e gestão do portfólio de inovações em análise e desenvolvimento, planejamento

individual dos projetos de inovação e envolvimento com seus aspectos gerenciais.

Propriedade Intelectual (PI)Desenho das políticas de PI, gestão de patentes, mineração de patentes, estudos de formas de proteção, licenciamento etc.
Fomento e incentivos fiscaisBusca de recursos externos, monitoramento de oportunidades de financiamento, elaboração de projetos para financiamento etc.
Cultura de InovaçãoAções voltadas ao ambiente organizacional de inovação como cafés, eventos, iniciativas de comunicação, canais de envolvimento das pessoas em geral etc.
Desenvolvimento de CompetênciasIniciativas de capacitação de áreas/ pessoas em gestão de inovação ou voltadas à criação de competências tecnológicas para viabilizar projetos de inovação.
Gestão do ConhecimentoAções como comunidades de prática; blogs para discussão de temas específicos relacionados à inovação; esforços de formalização e registro de experiências; registro e compartilhamento de lições aprendidas; ambientes para troca de conhecimento etc, quando incluídos no escopo de inovação da empresa.
Prospecção (estratégica, tecnológica ou mercadológica)Realização de predição de cenários futuros, seja de forma intuitiva ou por meio de ferramentas de mapeamento.
Novos negócios e investimentos de riscoAtividades voltadas à criação de novos negócios, aplicações de tecnologias/produtos atuais em mercados ainda não explorados; formação de spin-offs, atuação como investidor de capital de risco etc.

 

Reconhecendo o processo de mudança para a inovação

Todas essas atribuições listadas acima não precisam ser exercidas diretamente e ao mesmo tempo pelo time responsável da Função Inovação. É importante que cada organização compreenda quais são as atribuições necessárias, de acordo com o seu negócio e estágio de maturidade no processo de mudança. Assim como as iniciativas de inovação precisam ser reconhecidas pelo restante da empresa, o time da Função Inovação precisa ser legitimado e as suas responsabilidades precisam ser claras.

Algumas das atribuições da Função Inovação podem ser identificadas em programas e/ou iniciativas executadas pela Troposlab com alguns parceiros, como o InPulse da Saint Gobain, que é um programa para geração de ideias internas, desenvolvimento de competências e possivelmente novos negócios e investimento de risco; além do Iguá Lab da Iguá Saneamento, que é um programa de aceleração de startups e Inovação Aberta para gerar parcerias com startups.

Como vimos agora, promover o processo de mudança para a inovação dentro das organizações não é algo trivial, ainda mais se estamos falando de grandes empresas, onde tudo pode se tornar ainda mais complexo. 

Diante disso, é essencial que esse processo seja muito bem planejado, sistematizado e acompanhado para que, assim, possamos aumentar a taxa de sucesso das iniciativas de inovação. Além da Saint Gobain e Iguá Saneamento, estamos ajudando outras grandes empresas com os seus processos de inovação, como a RHI Magnesita, Mercedes, Fundo Vale, Roche, dentre outras. Para saber como nós atuamos e podemos apoiar a mudança do seu negócio, vamos marcar um bate-papo!