• Como atrair startups mais adequadas para o seu programa de open innovation

De forma consciente ou não, a verdade é que muitas empresas hoje estão conduzindo programas de open innovation. Esse termo em inglês e pouco usual no linguajar do dia a dia corporativo já foi a bola da vez quando se falava em inovação. E, na mesma rapidez que surgiu em algumas empresas, foi embora pela dificuldade de implantação e mudança de cultura.

Open innovation nada mais é quando a empresa escolhe inovar de uma forma mais colaborativa, absorvendo ideias, projetos e negócios de terceiros, ou passando para frente as suas ideias e tecnologias que não encontram espaço para crescer nos seus negócios.

Existem empresas que se tornaram experts nesse tipo de atuação, ganhando dinheiro com patentes paradas, ou fazendo projetos de pesquisa aplicada em parceria com universidades, ou ainda trazendo fornecedores para dentro de casa a fim de desenvolver melhores soluções.

Mas o que nem todas as empresas perceberam é que os vários programas de aceleração de startups que várias grandes empresas tem feito hoje também são programas de open innovation, como contamos anteriormente nesse texto. Afinal de contas, são programas de desenvolvimento conjunto de soluções das grandes empresas com as startups que fazem parte do programa.

Mas é claro que o problema não é esse. Pouco importa o nome e/ou a classificação do programa como open innovation ou não. O importante é que surjam novas soluções que tragam retorno para a empresa. 

Será que as grandes empresas sabem a melhor forma de atrair e aproveitar as startups nesse tipo de programa? Desenhar os desafios certos e criar os filtros para atração das startups é o primeiro e principal passo para o sucesso da parceria.

1- Como escolher o(s) melhor(es) desafio(s) para o programa

Todo programa de interação de startups com grande empresa deve partir de desafios que a grande empresa possui e que as startups podem resolver. Mas os tipos de desafios implicam diretamente no tipo de startup que você vai ou não atrair:

  • Desafios amplos de setor

Ex: Queremos atrair startups do varejo

Prós: Existem centenas de startups que se enquadram nesse desafio, portanto esse tipo de programa costuma atrair um número grande de startups e ter uma maior visibilidade. Além disso, nesse tipo de programa surgem várias ideias que resolvem problemas que a empresa nem sabia que possuía.

Contras: Muitas das propostas recebidas estão longe de se encaixar em reais demandas da empresa.

  • Desafios de verticais tecnológicas

Ex: Queremos atrair startups de Big Data

Prós: Dentro de uma mesma vertical existem em geral um número considerável de startups, trazendo maior procura pelo programa e uma maior visibilidade. Outro ponto é que esse tipo de desafio torna possível para a empresa se aproximar de startups de outros setores com soluções que se encaixam no seu setor, trazendo muitas vezes pioneirismo para a sua empresa.

Contras: Caso a empresa não tenha domínio dos seus desafios tecnológicos, ela corre o risco de escolher verticais “da moda” mas que não estão alinhadas com as suas reais necessidades.

  • Desafios internos de gestão

Ex: Queremos atrair startups de Recursos Humanos

Prós: Também é um tema amplo, que atrai muitas startups e pode dar uma boa visibilidade para o programa. Por envolver uma única área da empresa também pode simplificar o processo de escolha das startups que avançarão nas fases seguintes do programa.

Contras: Empresas possuem desafios diferentes de acordo com o seu porte, seu setor de atuação ou sua estratégia de gestão. Portanto muitas soluções recebidas acabam sendo descartadas.

  • Desafios específicos de gestão

Ex: Queremos atrair startups de medição de produtividade de equipes de vendas

Prós: Maior assertividade entre as startups que se interessam pelo desafio e a empresa. Além disso, as soluções vindas desse tipo de desafio costumam ser implementadas mais facilmente

Contras: É preciso calibrar as expectativas sobre o número de startups atraídas. Quanto mais específico o desafio menor o número de startups no mercado para solucionar aquele problema. Isso pode levar a um baixo número de opções ou até a nenhuma startup encontrada.

  • Desafios específicos de produto

Ex: Queremos atrair startups de novos componentes para insumos agrícolas

Prós: Essas startups tendem a trazer componentes tecnológicos para os produtos da grande empresa e quando dá certo a parceria, cria-se uma barreira para os concorrentes.

Contras: Esse tipo de startup tende a cair em uma das duas classificações: ou eles estão querendo concorrer com a sua empresa ou estão dentro de centros de pesquisa e possuem outros ritmos e aspirações. Além disso, desafios específicos demais dificultam o encontro das startups para resolvê-lo.

De forma geral, os desafios mais amplos demandas estratégias de ampla divulgação enquanto os desafios específicos demandas estratégias de mapeamento de startups e convite individualizado.

2- Que filtros fazer para atrair as startups mais adequadas?

É também um desafio saber que tipo de startup atrair. Startups muito iniciais tendem a não chegar na solução que a grande empresa procura, startups muito avançadas já se comportam como fornecedores mais tradicionais.

  • Startups em nível de ideia

Bons para fixação da sua marca na cabeça dos empreendedores, mas não espere mais do que isso. Startups em nível de ideia que ainda não construiram algo estão mais suscetíveis a desistir da ideia por brigas entre sócios e demais dificuldades do processo.

  • Startups construindo a primeira versão do produto (MVP)

Foque nesse tipo de startup ao desenvolver programas com desafios muito tecnológicos ou para modelos muito disruptivos. Ex: Startups de machine learning, big data, impressão 3D, etc. Como essas áreas tecnológicas ainda estão em desenvolvimento, você consegue encontrar soluções que os seus concorrentes não tem e por isso valem a pena o seu tempo de desenvolvimento.

Além disso, para soluções muito específicas, é comum encontrar startups em universidades nesse estágio com soluções muito inovadoras em desenvolvimento.

  • Startups nas primeiras vendas

Para a maior parte dos desafios esse é o estágio ideal. As startups já estão com um produto pronto (pelo menos uma primeira versão dele), já possuem modelo de receita, mas ainda estão abertas a co-desenvolvimento e customizações da solução.

  • Startups escalando vendas

Nesse estágio as startups já são mais próximas a uma empresa consolidada em si do que a uma empresa testando os seus modelos. Caso o produto tenha um fit com o seu negócio, a implementação será mais rápida e profissional, mas caso exija modificações, você pode encontrar uma resistência a customização (o que em muitos casos pode prejudicar o crescimento da startup).

Enfim, mesmo sem usar o termo, as grandes empresas nunca praticaram tanto o open innovation. Se aproximar de startups pode ser um divisor de águas para a sua empresa, e se bem direcionado, fará com que essa prática vire rotina dentro dela.

Pedro Teixeira | Diretor de Aceleração
Atuo no mundo da inovação desde 2008. Já atuei em incubadora, consultoria e aceleradora, acelerando mais de 900 startups. Sou formado em Ciências Biológicas e Especialista em Gestão, e por isso gosto de misturar mundos diferentes para trazer mais inovação para o meu dia-a-dia. Coordeno os programas da Troposlab e crio novas metodologias de aceleração, atuando diretamente com mais de 50 grandes empresas. Além disso, tenho um lado nerd (ficção científica, heróis, histórias de aventura, etc).
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