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Educação para o empreendedorismo: quais os impactos na vida pessoal?

Há décadas, pesquisadores chamam a atenção para a legitimidade  da educação para o empreendedorismo. Esse tema é, inclusive, um forte campo de pesquisa e investigação no que diz respeito a métodos eficazes, configurações do ambiente de ensino e, é claro, os impactos para os empreendimentos. É importantíssimo, ainda, o que tem se discutido sobre o espaço escolar como lugar para desenvolver conhecimentos e habilidades para aqueles com a intenção de empreender. No entanto, os aprendizados da educação para o empreendedorismo são restritos aos ambientes de negócio, de trabalho e formação acadêmica, exclusivamente? Neste artigo, iremos discutir isso!

O que tem se discutido sobre a educação para o empreendedorismo? 

No início dos anos 2000, foi publicado um artigo em que um autor defendia o ponto de que, tentativas de estimular atividades empreendedoras por meio de treinamentos formais e educação voltada para esses desfechos não surtiria efeitos relevantes para o conhecimento do empreendedorismo. Em contrapartida, na mesma época, outros pesquisadores apresentaram uma visão mais positiva quanto aos efeitos da educação formal para esse meio. Assim, diferentes visões sobre o papel da educação empreendedora, da legitimidade do processo educacional e treinamentos formais e do quanto esses conhecimentos se mantinham foram (e são até hoje), apresentados e discutidos. Mas, o que tem sido, então, objetivo e finalidade do ensino do empreendedorismo? 

De maneira geral, é possível perceber, aos longos dos anos de discussões acadêmicas, que existem quatro escolas sobre o ensino para o empreendedorismo: 

  • A centrada no comportamento individual da pessoa empreendedora e na discussão sobre perfis e características;
  • A voltada para o processo de criação e na natureza das empresas, estimulando o planejamento;
  • A que olha para os processos cognitivos e na intenção de empreender, se voltando ao desenvolvimento de modelos mentais; 
  • Por fim, a centrada no método e na ação eficaz, desenvolvendo-se por intermédio da experiência concreta. 

Sobre isso, é possível perceber que a intenção e a finalidade da educação empreendedora, ao longo dos anos, teve diferentes nortes. No entanto, pesquisadores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP apontam que, apesar de se centrarem em pontos diferentes, o balanço da literatura quanto ao ensino sobre o empreendedorismo tende para abordagens centradas na sala de aula! A reflexão que suscita então é: uma abordagem centrada na sala de aula, com um ensino formal, técnico, é suficiente ou eficaz?

A experiência de empreender

Em contrapartida ao cenário apresentado, outras abordagens surgiram com o intuito de trabalhar a educação para o empreendedorismo nos espaços universitários, para além do das salas de aula. Assim, iniciativas que fomentavam atividades extracurriculares e  programas de extensão, em que alunos poderiam ser atores protagonistas, tomaram força e se incorporaram ao ensino do empreendedorismo. Um exemplo forte dessa visão sobre a educação para o empreendedorismo pode ser encontrado no Movimento Empresa Júnior – MEJ. Criado na França, na década de 60, o movimento propunha a criação de empresas dentro dos espaços universitários geridos e sustentados exclusivamente por estudantes com aconselhamento e orientação de professores. Nessas experiências, os alunos são expostos aos desafios de empreender, ao passo que desenvolvem e aprendem os conhecimentos técnicos necessários e, também, as habilidades essenciais (falamos sobre várias delas neste texto aqui). Ainda na faculdade, em alguns casos, desde os primeiros primeiros períodos, eles aprendem a se comportar para empreender. 

Assim, uma educação voltada para o empreender, que coloca a experiência e os problemas reais no centro do palco, se mostrou bastante presente nas propostas desse tipo de formação.  Na literatura científica da área, diversos trabalhos se direcionam para estudar o ensino do empreendedorismo baseado nisso. Mas quando falamos, então, de experiência e desenvolver habilidades para resolver problemas reais, os ganhos podem ser restringidos a uma atuação, uma área ou a um lugar? O que a gente aprende a gente leva para vida como um todo?

Generalizar comportamentos = aprender para viver

Quando falamos sobre comportamento empreendedor, nós falamos sobre formas de se portar frente aos contextos de empreendedorismo, que aumentam a nossa chance de obter sucesso. Mas, se mudarmos de contexto, perdemos essa “capacidade” de nos comportar de determinada maneira? Vamos pensar em um exemplo!

A busca por conhecimento é uma habilidade importante para o empreendedorismo, visto a necessidade da pessoa empreendedora entender a dor que ela se propõe  solucionar, buscar informações, entender outras alternativas, buscar compreender como o contexto se relaciona com essa  dor e, é claro, estudar tendências, possíveis soluções a nível técnico, e assim por diante. Essa é uma habilidade que pode, sim, aumentar as chances de uma pessoa que empreende a construir uma solução mais assertiva e que consiga, de fato, solucionar dores. Mas em outros aspectos da nossa vida, essa habilidade é dispensável ou sem grande impacto?

Imagine que você queria mudar de casa, encontrar um lugar melhor, com uma localização e uma estrutura que facilite a sua vida e te dê mais aconchego.  Porém, seu orçamento é curto e as suas possibilidades não são tão extensas. Existem variáveis como estar perto do trabalho, estar próximo do colégio dos filhos, estar mais próximo do centro ou talvez mais afastado de muita agitação e precisa, ainda, ser um lugar de boa infraestrutura porque você não tem mais dinheiro para reformas. Essa habilidade poderia aumentar as chances de você encontrar um lugar ideal para você? É provável que sim! 

Aprender a se comportar para empreender é uma postura frente aos desafios da vida, é um ato social.  É conseguir perceber, descrever e traçar relações entre o que nós fazemos e como isso reverbera no nosso ambiente. É muito mais do que saber o que uma habilidade significa, quais são seus indicadores. É assimilar o impacto que ela tem no que nós fazemos das  nossas vidas e, apesar dos desafios, nos comprometermos a agir dessa maneira em prol do que é importante. Em prol do que queremos empreender em nossas vidas, no nosso trabalho, é claro, mas na nossa vida amorosa, familiar, fraterna e na nossa relação conosco mesmo. A educação para o empreendedorismo, enquanto comportamento, pode ser, também, uma educação para o maior empreendimento possível de alguém:  a sua própria vida. 


Gostou do conteúdo desse texto? Nós abordamos esse assunto em outros artigos como A educação empreendedora na era do conhecimento e 5 dicas para uma mentoria de sucesso. Vale a pena conferir! Qualquer dúvida, entre em contato conosco.


Sobre o Autor: Matheus Corradi | Agente de Comportamento Empreendedor

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