O que é a Liderança Facilitadora em uma cultura de inovação?

Quando falamos sobre organizações que estão caminhando em direção à inovação, estamos, intrinsecamente, falando também sobre lideranças com propósito e o papel delas nesse processo. Liderar para inovar tem se apresentado como um campo, tanto de aplicação como de pesquisa, complexo e desafiador, tendo em vista tudo o que se relaciona com esse movimento. Emerge, então, desse cenário, uma forma de se exercer a liderança, dentre várias outras, que é a Liderança Facilitadora. Esse será o assunto que trataremos neste artigo! Fique conosco para compreender o que é esse tipo de líder e seu papel central na inovação. 

Uma mudança de paradigma

Segundo artigo publicado na Harvard Business Review, em análise feita com a WL Gore & Associates, empresa privada de ciência de materiais e a PARC, famosa empresa de P&D da Xerox no Vale do Silício, é possível observar que as organizações que se destacam por meio da autogestão e da inovação apresentam uma realidade em que os projetos desenvolvidos e financiados, pelo menos inicialmente, são aqueles capazes de atrair pessoas e conectá-las aos porquês de solucionar um problema ou explorar um mercado. Em um contexto organizacional, eles argumentam que novos produtos ou serviços são explorados não por governanças de alto nível ou super incubadoras, mas por pessoas, organizadas em times, que se engajam com a proposta e a necessidade de inovar (mas que podem, também, largar esses projetos quando perdem a atração ou o sentido dele existir).

Assim, o papel da liderança é, além de atrair, motivar e conectar essas pessoas com esses projetos inovadores. Além de facilitar o processo de inovação e de desenvolvimento dessas pessoas empreendedoras. É fazer com que essas pessoas, de times e áreas diferentes, com histórias pessoais e profissionais distintas, saberes e conhecimentos que podem se complementar ou não, possam, em conjunto, comportarem-se e agirem para inovar, tendo maiores chances de sucesso nessas empreitadas. 

A liderança facilitadora 

Também chamada de Enabling Leaders, essa forma de exercer a liderança sugere que essas pessoas têm mais experiência que outros colegas de trabalho e parceiros em relação à vivência profissional. Além de conhecimento do ambiente organizacional e modelo de negócio. São pessoas que, por conta disso, podem assertivamente 1) ajudar os times a enfrentar os desafios e obstáculos organizacionais e mercadológicos e 2) ter mais facilidade de acesso e diálogo com lideranças hierarquicamente superiores, parceiros importantes e outras áreas estratégicas. Isso facilita a conexão do time empreendedor com as frentes, colegas e áreas importantes para desenvolver o projeto em que estão atuando. E, principalmente, 3) são lideranças que podem apoiar o desenvolvimento de outras lideranças dentro dos projetos de inovação, tanto com conhecimentos, como com habilidades importantes. E, quanto a isso, quais são os conhecimentos, características ou habilidades imprescindíveis para as lideranças facilitadoras? Discutimos isso abaixo!

Como são esses líderes facilitadores da inovação?

Por terem, como característica central, o poder de facilitar que a inovação aconteça dentro de uma organização e, de maneira geral, isso ocorre por meio de projetos de aceleração de ideias e solução de problemas, esse é um profissional que detém bons conhecimentos de gestão de projetos e pessoas. Além disso, são profissionais que necessitam, de fato, facilitar e conectar os projetos de inovação com informações,  recursos necessários e possibilidades de aprendizagens. Precisam ser lideranças que possuem boas conexões e capacidade de “abrir portas ou janelas” para os empreendedores que recorrem a eles. Algumas habilidades, então, são imprescindíveis:

  • Mentorear: ainda que, normalmente, possa não ser o líder ou a líder direta dessas pessoas, é importante que essa liderança consiga apoiar no processo de desenvolvimento, dentro da jornada inovadora, ajudando a construir as perguntas corretas para os problemas, fornecendo treinamentos e feedbacks e dando espaço para que esses empreendedores possam testar, experimentar, errar e aprender. Eles não devem dar respostas prontas ou direcionamentos rígidos, pelo contrário, devem construir  juntos, dando protagonismo para os empreendedores liderados.
  • Conectar: ter visão holística sobre o que ocorre dentro e, principalmente, fora da organização é importante para que essa liderança esteja atenta à possibilidade de oportunidades; conectar os empreendedores às dores, soluções e projetos semelhantes; às informações de qualidade, seja com clientes ou parceiros importantes. Estar disposto a ampliar sua rede também é um fator importantíssimo para a liderança facilitadora.
  • Comunicar: fazer com que os colaboradores, de nível hierárquico mais baixo ao mais alto, saibam o que a organização se propõe a fazer, o modelo de negócio dela, a estratégia que adota e as oportunidades que estão emergindo é imprescindível para o sucesso organizacional. Isso também se aplica ao papel da liderança facilitadora em um contexto de inovação. A comunicação aberta e clara e a ciência dos empreendedores sobre a estratégia, postura, valores  e oportunidades da organização é importante para o êxito de uma jornada empreendedora, uma vez que estamos falando de inovação que ocorre em um cenário com valores, estratégias e cultura específica. Isso precisa ser levado em consideração. 

Na tentativa de resumir o que norteia uma liderança facilitadora, poderíamos postular que são líderes que têm como pilares o acesso rápido às informações e alto níveis de conectividade, bem como visão, valores e regras simples como guardiões de decisão!

Quer conhecer mais sobre o papel da liderança em contexto de inovação? Recomendamos o texto Lideranças inovadoras e seus impactos nas organizações e, também, A participação da liderança e os resultados de inovação nas empresas. Qualquer dúvida, escreva pra gente!

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Sou graduando em Psicologia pela UFMG e desde o início da minha trajetória acadêmica tenho me interessado pelas diferenças individuais, personalidade e comportamento nos desfechos profissionais da vida e no empreendedorismo. Possuo experiência atuando com desenvolvimento de pessoas em times de tecnologia e promoção da flexibilidade psicológica na vivência profissional. Ah, e gosto de compartilhar a vida com pessoas que me lembram constantemente o que é viver com significado.
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