Depois de nosso lançamento no mês de Setembro, ganhamos a confiança da nossa rede e em nossa rede para trazer discussões que estão ganhando espaço no mundo, mas engatinhando no Brasil. O CareTech reconhece que, de tempos em tempos, a humanidade passa por mudanças tão profundas de ambiente social que um dos processos mais naturais é revisitar tabus.

Estamos vivendo esse momento e não é um processo simples, já que as coisas não mudam da noite para o dia, mas é uma incorporação profunda e duradoura de novas formas de olhar sobre o que antes era deixado de lado. Assim os cuidados diários, com envelhecimento e com o adoecimento tem gerado novas tendências de comportamento, tecnologias e negócios.

Uma das tendências do mercado wellness, registrada no Global Wellness Trends Report 2019, produzido pelo Global Wellness Institute, traz a morte como protagonista de um movimento de revisão de significado e consequente geração de novas oportunidades.

A realidade é de que até hoje a morte é um incômodo, um assunto que tentamos evitar a todo custo. Podemos dizer ainda, que os avanços tecnológicos fizeram nossa experiência com ela piorar, pois se antes a morte chegava no aconchego de casa e perto de nossos mais queridos, a modernidade a fez migrar para um ambiente clínico e estéril, na tentativa de evitá-la até o último segundo. Esse processo também é acelerado pelo declínio da religiosidade, pelo menos enquanto predominância de uma religião nas comunidades, que leva os rituais de despedida para os impessoais velórios. Não estamos aqui para questionar os avanços da ciência, ao contrário, trazer afeto e cuidado para os ambientes onde eles acontecem.

Duas poderosas forças estão alimentando nossa tendência em negar a morte, a indústria biotech que, especialmente no Vale do Silício, tem recebido bilhões de investimento de grandes empreendedores que buscam estender radicalmente a vida; e o mercado wellness que diariamente manda mensagens sobre como permanecer jovem. Mas essas forças também fizeram nascer uma contra-corrente, que busca resignificar a morte e o morrer buscando melhores maneiras de passar por esse momento, através de novos rituais que são altamente espiritualizados, mas multiculturais, o  movimento “Death Positive”,.

Alguns artefatos concretos desse movimento:

Crescimento do papel das Doulas da Morte 

Pessoas que buscam preencher o vazio entre os cuidados hospitalares e o medo das famílias, trazendo uma morte tranquila e de significado, respeitando os valores de cada família.

A Academia Nacional de Cuidados Paliativos esclarece que “Um dos papéis mais importantes de uma doula é fornecer um fluxo constante e regular de apoio até o último suspiro e mesmo depois da morte. As Doulas também ajudam os membros da família durante o processo de luto, o que pode levar algum tempo”. 

Funerais individualizados e até realizados em casa

Reinventar esse ritual e esse momento tem trazido um sentimento maior de conforto e consolo. Resignificar a morte para sua família e familiares pode passar por criar cerimônias em casa ou lugares que tenham a ver com a história e o jeito de ser de quem se vai, e que geram calor para quem fica.

Death Cafés, grupos de discussão e workshops.

Por mais que pareça estranho, tem crescido o número de pessoas que se reúnem para falar sobre a morte. São diversos motivos que as levam a esses encontros, mas o efeito desse conjunto de iniciativas é de resgate da dignidade do tema e resignificação do processo, gerando efeito no bem-estar e entendimento da vida dos participantes.

O workshop Sobre a Morte e o Morrer, Conversas sobre a Morte, Conversas Sobre a Morte – um jeito bom para viver melhor, são alguns dos eventos do tipo pelo país. 

Resignificar a morte 

A busca por significar a morte e lidar com as memórias de quem se foi sempre levou muitas pessoas a jogar as cinzas em lugares especiais ou retornar à natureza. Mas isso pode ser feito de forma estruturada e apropriada, já que o número de cremações e intenções desse tipo tem aumentado muito no país. É por isso que a Boutique de Investimentos Seven investe em Bioparques. Em cada um deles, mais de 30 mil árvores serão plantadas a partir das cinzas de quem se foi, em um sepultamento totalmente ecológico. Além da árvore, que poderá ser identificada com o nome da pessoa, um QRcode poderá oferecer a uma rede social fechada, as melhores lembranças de quem se foi. Para realizar esse projeto parceria com startups de Biotec e com a Universidade estão sendo feitas.

O CareTech Movement reconhece como cuidado todo o conceito de wellness, mas acreditamos que as primeiras conexões virão de duas categorias: os cuidados diários (beleza, hábitos saudáveis e cuidados pessoais) e cuidados com com o envelhecimento e adoecimento. A tendência de resignificar a morte, atravessa os dois, dando a quem está no final da vida uma perspectiva diferente sobre o fim, e a quem fica, uma forma de encarar de forma saudável o que é inevitável.

Da mesma forma, esse é um terreno rico em oportunidades, já que todo o impulso de trazer um novo sentido para a morte ainda está para ser direcionado a produtos e serviços que começam a nascer, e aqueles que capturarem melhor os novos anseios e valores poderão se beneficiar das recompensas da inovação.

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