Uma leitura comportamental do ambiente de mudança

Do ponto de vista humano, as organizações funcionam a partir de práticas culturais de comportamento que permaneceram no repertório daquele grupo de pessoas porque funcionaram bem o suficiente, ao trazer consequências positivas para a sobrevivência do grupo em si e da organização.

Essas práticas foram tão bem descritas e generalizadas entre as empresas que a forma correta de se comportar é hoje amplamente difundida através das escolas de negócios, que ensinam o que deve chamar a sua atenção no ambiente competitivo e como você deve reagir às mudanças.

Nesse processo, as inovações vão sendo inseridas a partir de grandes casos de sucesso de empresas bem estabelecidas que descrevem práticas novas ou variações que deram certo. Um bom executivo sabe descrever os sistemas de incentivo da Ambev, o ambiente de inovação do Google, os principais cases de supply, etc.

Nos últimos anos, as possibilidades de uso e o preço da  tecnologia levaram a um cenário de mudança extremamente rápida do ambiente de negócios. A mais rápida que já vivemos e, apesar de haverem dados que descrevam o processo de estabelecimento da era digital desde 1960, só muito recentemente esse processo atingiu um nível em que está tornando uma boa parte das práticas organizacionais obsoletas.

Nesse contexto, as organizações estão em um processo de transformação onde o ambiente mudou muito rapidamente e as práticas culturais que suportavam o crescimento das empresas não estão mais trazendo as mesmas consequências.

Os grandes cases, que deveriam trazer a descrição ou a receita para as novas práticas não estão chegando a tempo para explicar qual a nova forma de se comportar que dá certo. Essa nova forma de se comportar está sendo criada em empresas que já nasceram com todo um padrão digital, e que bebem do tradicional somente aquilo que faz sentido. Construir o novo é muito mais fácil que reformar o velho. Essas empresas que estão desenvolvendo as novas práticas não são famosas o suficiente para virar cases, as escolas de negócio ainda não são boas em descrever esses novos padrões e assim as grandes empresas ficam sem referência.

Porque Intraempreendedorismo

Empreendedorismo no Brasil é um conceito sofrido. Um país com tradição em desvalorizá-lo fez pouco esforço em conhecê-lo. Empreender é realizar com sucesso um projeto ou negócio, pra ser simples. E, como estamos falando com um olhar comportamental, empreendedorismo também é um “pacote” de habilidades que permitem a uma pessoa realizar esse projeto ou negócio, e que para o ambiente de inovação possui uma combinação especial dessas habilidades, já que o nível de barreiras e problemas a serem transpostos requerem no mínimo mais intensidade.

O empreendedorismo é o “pacote” mais eficiente que conhecemos para lidar com o novo. Empreendedores conseguem superar desafios e criar oportunidades em ambientes onde outras pessoas travam, não sabem como se comportar.

Por isso, programas de intraempreendedorismo – que são o conjunto de habilidades empreendedoras aplicado dentro das empresas – trazem para um momento em que novos padrões devem ser construídos, um repertório que efetivamente aumenta a probabilidade de sucesso das empresas.

Mas para que o intraempreendedorismo tenha realmente um impacto na cultura, fazendo com que essas habilidades sejam incorporadas pelo grupo, ele não pode ser  tratado como um simples processo de implementação de novas ideias. Não se trata apenas de criar espaço para essa implementação – criar esse espaço é fundamental, mas insuficiente se você estiver com pressa em promover essa “mudança de mindset”.

Elementos do Intraempreendedorismo que promovem a cultura

Um programa de intraempreendedorismo que realmente apoie a incorporação à cultura das habilidades necessárias para construir novas práticas de sucesso, precisa levar em consideração duas dimensões em completa sintonia: o resultado e a formação do time.

Gerar resultado com os projetos implementados é um artefato importante para construir a percepção de uma prática que funciona e, por isso, deve ser incorporada pelo grupo. Mas sem uma boa descrição pelo grupo e pela empresa do “porque funcionou” a generalização – que é o que você está buscando quando se fala em cultura –  demora a acontecer ou fica delegada ao acaso.

Um programa de intraempreendedorismo efetivo na promoção da cultura considera:

  • A comunicação do programa antes, durante e depois como um instrumento de intervenção na cultura e disseminação de novas práticas – apoiando a descrição das contingências e de modelos comportamentais;
  • Os times são selecionados com a mesma atenção dos projetos, já que precisam ser times que vão desempenhar em um tempo fixado e se tornarão modelos comportamentais diretamente ou indiretamente;
  • O desenvolvimento dos negócios e dos times acontece em sincronia, ambos com processos sistematizados de desenvolvimento – criando um ambiente favorável para quem está “saindo da zona de conforto”;
  • Os líderes dos times fazem parte do processo, estão incluídos e são desenvolvidos e acompanhados – são treinados a acompanhar seus times em novos moldes;
  • Os projetos selecionados são de relevância para a empresa, que fornece recursos para seu desenvolvimento (tempo, orçamento mesmo que limitado, apoio, etc);
  • As pessoas que se dedicam se sentem desenvolvidas e reconhecidas ao final;
  • A empresa se prepara para receber esses “empreendedores formados” dando a ele espaço para mudar seu ambiente de trabalho, processos e autonomia;

Realizar um programa efetivo de intraempreendedorismo é planejar contingências para que novos comportamentos surjam e ganhem amplitude, gerem impacto positivo na empresa, se disseminem, tornando-se novas práticas culturais. Tudo isso de forma planejada e sistemática, mas nem sempre controlada!

Nos tornamos especialistas em promover o desenvolvimento de novas práticas através da nossa habilidade em descrever as mudanças do ambiente para as pessoas, trazer ferramentas e processos que permitam com que elas se preparem para operar nesse novo ambiente e apoiando e fortalecendo o emergir de novas práticas através de processos de modelagem comportamental e descrição de contingências de controle realizados em conjunto com os times que implementam a inovação.

Conheça mais do trabalho da Troposlab, pioneira em programas de intraempreendedorismo, acessando também a nossa página no LinkedIn