Para muitos de nós o conceito de startup já está mais que entendido. Mas para muitos outros não! Isso é bastante comum quando falamos de algo relacionado à inovação: alguns termos, metodologias e processos não são de conhecimento do grande público porque, normalmente, não fazem parte das rotinas das pessoas. Apesar das inovações estarem cada vez mais presentes na nossa vida, temos muito acesso ao produto final mas pouco conhecemos o caminho para chegar até ele.

As startups são responsáveis por boa parte dessas inovações que chegam até nós.

Então afinal, o que é startup?

Vemos muitos significados por aí: pequena empresa de tecnologia, negócio inovador, empresa de pequeno porte com produto inovador, entre outros. Nós entendemos startup como um negócio inovador, que usa a tecnologia de forma intensiva e que busca seu crescimento a partir de um modelo de negócio repetível e escalável. Além disso a startup visa aumentar seu faturamento exponencialmente sem ter o aumento de custos na mesma proporção. Normalmente, aliamos o termo a um tipo de empresa enquanto, na verdade, ele define o momento/fase daquele negócio (a famosa fase de validações).

Há também um mito no que se refere à correlação direta entre startup e tecnologia da informação. É até compreensível que isso aconteça pois, muitas vezes, as startups oferecem soluções que acessamos facilmente desde que tenhamos acesso à internet, por diferentes instrumentos como celular, tablet ou computador. O importante é entender que a startup como negócio inovador pode ser assim entendida se fizer uso intensivo de tecnologia (não apenas tecnologia da informação), seja nos bastidores do seu negócio, seja no produto em si.

Mas  voltando ao conceito, quando entendemos que ser startup é estar numa fase de vida da empresa, passamos a ver que isso pode estar também relacionado às empresas tradicionais e consolidadas. Sendo um momento de validação, podemos trazer esse conceito para os projetos das empresas, os vendo como “startups”. Muitos gestores tem se perguntando: como provocar a inovação na minha empresa? Para eles eu digo que se posicionar como uma startup pode ser uma boa alternativa.

Não se trata de transformar um negócio grande em um negócio pequeno, trata-se de trazer as práticas de startups para o universo corporativo tradicional. Por exemplo, empregando tecnologia em processo que são manuais, desenvolvendo produtos a partir do conhecimento íntimo das necessidades do mercado e não a partir do que você reconhece como suas maiores capacidades, ou até mesmo inovando no seu modelo de negócio de forma a monetizar de forma diferente daquilo que você vinha fazendo até então.

Parece complexo, não é mesmo? Então queria falar sobre dois casos que acredito que ajudem a entender melhor esse ponto. 

Caso Localiza e Turbi 

Ambos alugam carros. Localiza tem uma frota própria disposta em vários estacionamentos pelo Brasil. As pessoas reservam os carros pelo site ou direto no estacionamento, retiram o carro e pagam pela diária ou mensalidade, arcando com gasolina e seguro do veículo num valor à parte, somado ao valor do aluguel. Turbi tem frota própria disposta em milhares de estacionamentos de terceiros. As pessoas reservam pelo aplicativo, recebem uma senha que dá acesso ao veículo, que elas podem usar à vontade, e pagam uma taxa de retirada mais um valor fixo por hora de uso, sem precisar preocupar em abastecer ou pagar seguro. Turbi, nesse caso, é mais inovador, não apenas porque tem um aplicativo para facilitar a vida do usuário, mas especialmente por causa do seu modelo de negócio, que rompe com os praticados até então. Não têm estacionamento próprio, possuem veículos em diferentes pontos estrategicamente definidos para estar mais próximos de clientes e alugam num modelo por hora, que se torna mais atraente pela conveniência promovida ao usuário.

Relação entre HBO e Netflix

Ambos oferecem filmes. HBO sendo um canal de TV por assinatura, você paga para assistir aos filmes ofertados por ele na grade de programação que ele define, no horário que ele quer e no ritmo de transmissão que é o mesmo para todos que estão assistindo e com intervalos promocionais. A Netflix você paga pelo acesso a um conjunto de filmes que são disponibilizados à sua escolha, no horário e ritmo de transmissão que você quiser, podendo assistir quantas vezes quiser e por qual aparelho preferir (desde que tenha internet), sem interrupções. A princípio parecem ser alternativas para consumir entretenimento, mas notem como são perspectivas bastante distintas.

O que mais queria trazer de reflexão a partir desses exemplos corriqueiros é o quanto podemos aprender com as startups. Nem tanto com o produto que entregam, mas principalmente com o percurso que fazem até chegar nele.

Alguns conselhos para gerar inovação na sua empresa, a partir do entendimento das startups. 

1 – Assuma que sua empresa está sempre numa fase de validações

Estar em fase de validações significa ter algumas hipóteses sobre o seu negócio que farão toda a diferença caso sejam confirmadas ou não. Nessa fase é importante ter claro o processo para validar e as ferramentas para isso, tanto quanto definir métricas e indicadores desse processo. Uma dica valiosa é: tenha consciência de que a não confirmação de uma hipótese também é resultado, o “não” como resposta é um indicador para você repensar suas hipóteses e talvez até o seu negócio.

2 – Esteja aberto às opiniões dos clientes e parceiros

Validar hipóteses é, na maioria das vezes, ouvir a opinião de terceiros, principalmente, de clientes e parceiros. Então é muito importante ouvir o que eles tem a dizer numa postura livre de julgamentos e sem a necessidade de se justificar a cada feedback recebido. O interessante nessa fase é unir o que as pessoas dizem com outros sinais do mercado: movimentação da economia, aumento de concorrentes, diminuição da procura pelo seu tipo de produto, enfim, é um exercício de desapego pelo que existe e pela busca do novo que ainda não se sabe exatamente o que será.

3 – Entenda o erro como aprendizado e aja rápido

Se tem uma coisa que é muito disseminada no meio das startups é a aceitação do erro. Mas pouco se fala sobre o porquê disso. O erro é muito importante quando o reconhecemos como oportunidade de conhecimento (se sabemos que foi erro, então sabemos também o que seria certo) para a partir dele agir rápido a caminho do acerto. Não é uma apologia ao erro pelo seu valor em si, mas é uma provocação ao acerto pelo aprendizado gerado pelo erro. Ter errado uma vez nos faz mais próximos de acerto porque boa parte do que fizemos e não deu certo, passamos a fazer da forma correta.

4 – Esteja pronto para recomeçar

Se assumir como startup é saber que você está em constante mudança. Uma empresa na fase de startup sabe que ao ter hipóteses validadas ou invalidadas deverá fazer ajustes no plano e, quantas vezes forem necessárias, ajustar a rota e recomeçar o caminho. Em alguns casos, esses recomeços podem gerar frustrações e cansaços que até desmotivam a continuar, é nesse momento que a persistência se torna tão fundamental ao processo.

5 – Saiba encerrar as atividades no momento certo

Se colocar numa posição de tamanha exposição não é fácil, afinal, você receberá críticas, será responsabilizado por alguns erros, vai precisar ver e rever planos estratégicos e motivar sua equipe para seguir sua direção. Você estará sob vários olhares, no centro das atenções. Persistência lhe será uma grande parceira, mas você precisa ter sabedoria para reconhecer o momento de parar, de encerrar o projeto, de não fazer mais investimentos. Como uma boa startup, sua empresa também precisa aprender a encerrar um projeto ao ler os sinais do mercado e perceber que ele está dizendo “pare”.

Esse texto é só o começo de uma conversa. Podemos falar mais sobre como levar o conceito de startups para sua empresa, como usar esse conceito para gerar inovação na sua empresa e até mesmo sobre como promover a inovação na sua empresa ao interagir com startups. Mas o propósito do texto é contribuir para o melhor entendimento sobre o que é startup e a partir daí vislumbrar as conexões disso com o contexto da sua empresa.

Caso você queira ler um pouco mais sobre o grande universo da inovação e a relação das startups com eles, sugiro ler nosso texto que fala TUDO sobre inovação. E se você quiser conversar a respeito, conversar mais sobre como promover uma cultura de inovação na sua empresa com resultados palpáveis para seu negócio, entre em contato comigo. Vou adorar ter essa conversa!