Quando nos introduzimos no ecossistema de inovação muito se ouve e fala sobre criatividade e inovação, mas você saberia dizer qual a diferença entre esses dois construtos? Até onde a criatividade age e em que momento passa a ser uma inovação? Ou ainda, são construtos diferentes? 

No texto de hoje, falaremos melhor sobre esse tema, olhando para a criatividade como antecedente à inovação. A intenção é que isso possa proporcionar um maior suporte para pensar sobre esses processos de maneira mais sistemática a partir do design thinking. 

 De antemão, é preciso compreender que o termo criatividade sempre esteve relacionado ao campo artístico, de modo a explicar como artistas formam, produzem e, consequentemente, criam suas obras. Tal termo vem sendo explicado, principalmente, pelas ciências psicológicas, como um processo individual e também um fenômeno grupal.

Por outro lado, a inovação é comumente relacionada ao universo dos negócios, referindo-se ao processo de implementação de algo que possua valor utilitário e, ainda, que possa ser vendido, seja em forma de produto, processo ou serviço. Tais pontos revelam como os dois conceitos podem interagir entre si, vamos entender mais profundamente?

A CRIATIVIDADE NAS ORGANIZAÇÕES

A criatividade possui um caráter factual, quando pensamos na sua importância para solução de problemas, e quando isso é levado para o campo das organizações, é indispensável para aqueles que desejam melhores resultados. Mudar a nossa perspectiva de pensamento sobre a criatividade e a inovação é, antes de tudo, uma estratégia diante de um mundo cada vez mais complexo. 

Com a mudança de cenários, o aumento do portfólio dos produtos e negócios, a mudança no comportamento dos consumidores, entre outros fatores, tornaram a criatividade e a inovação parte essencial para se gerar valor competitivo. Com isso, podemos observar uma maior atenção sobre os profissionais deste campo.. 

Profissionais mais criativos, gestores da inovação, agentes de inovação, estão sendo cada vez mais almejados. Com isso, os ambientes de trabalho vêm sendo transformados de modo a tornar os contextos organizacionais mais favoráveis a estes fenômenos. 

Tais mudanças são bastante positivas  para o desenvolvimento das pessoas e das ideias, porém é importante seguirmos discutindo e compreendendo. Será através disso que poderemos tornar esses eventos em um processo sistemático e parte das estratégias de gestão.

A CRIATIVIDADE ANTECEDE A INOVAÇÃO

Rocha (et. al. 2021) nos traz que a criatividade e a inovação se articulam e se relacionam, em forma de uma relação de dependência, propondo assim que organizemos processos de criatividade para então inovar. Uma proposta diferente do modo como estamos acostumados a ver, ou seja, que são processos que ocorrem ao mesmo tempo.

Na perspectiva dos autores supracitados, a criatividade nas organizações envolve-se com a capacidade de “produzir novas ideias e úteis”, enquanto a inovação seria a capacidade de “criar algo novo e útil”. Em outras palavras, há uma diferença entre o que produzimos no campo das idéias, e o que criamos propriamente dito. 

Ainda que claro tais postulados, é ainda mais propício pensarmos que os dois processos referem-se a mesma coisa. Vale a pena destacar que nem toda inovação precisa, necessariamente, ser criativa, mas a criatividade gera inovações, algumas delas disruptivas. 

Sob essa ótica, uma ferramenta metodológica que pode ajudar a organizar a criatividade é o Design Thinking, que por meio de etapas – a saber: (i) descobrir; (ii) definir; (iii) desenvolver e (iv) entregar – nos permite compreender como ocorre o processo da criação de ideias, bem como quais são as etapas subjacentes a este processo. Vamos conhecer um pouco mais destas etapas:

  • DESCOBRIR: Nesta etapa, antes de ter uma ideia, é preciso compreender o problema. Isso é possível por meio de ferramentas como etnografia ou observação. Vale lembrar, que nem todo problema está claro, o que ocorre muitas vezes é percebermos apenas os impactos que eles geram, como por exemplo, aumento de acidentes na operação. 
  • DEFINIR: Após a descoberta do problema, que pode não ser um problema isolado, é importante definir sob qual a criatividade deverá debruçar-se, ou seja, problemas no cotidiano das organizações podem ser influenciados por diversos fatores. Em nosso exemplo, o aumento dos acidentes na operação, pode tanto ocorrer por mal manuseio das máquinas, como também por um mau funcionamento destas.
  • DESENVOLVER: Descoberto o problema, definido a direção da solução, agora é a hora de pensar e desenvolver uma solução que seja adequada. Neste ponto, ferramentas que podem ajudar a registrar as ideias criativas, são o brainstorming e o estacionamento de ideias (parking lot). 
  •  ENTREGAR: Esta é a etapa onde a criatividade é apresentada, e partir daqui ela pode torna-se inovação. Até aqui o problema foi descoberto, definido e desenvolvido uma solução criativa, e está pronta para seguir adiante. 

Em muitos casos, percebemos que este pode ser um ponto de dor, onde pessoas apontam que as ideias se perdem, não são levadas a sério, e perdem a oportunidade de inovar os processos e nos negócios. O positivo é que ao tornar tais processos sistemáticos, podemos superar esse desafio.

Para isso, uma proposta de sistematização é o “Diagnóstico da Jornada do Empreendedora”, que busca compreender e tornar claro, como o processo criativo ocorre dentro da empresa, quais barreiras ele possui, seja a nível organizacional ou comportamental, de modo a subsidiar melhor o desenho da estratégia para desenvolvimento no negócio. Mas este é um tema para um outro texto.

A JORNADA CONTINUA…

A ideia principal hoje, foi ajudar você a compreender que criatividade-inovação é um processo, onde a criatividade precisa ser algo que antecede a inovação, e portanto pode sim ser elaborada de maneira sistemática. Nós da Troposlab, sempre buscamos desenhar o desenvolvimento dessas habilidades neste formato.

Continue conosco nesta jornada de conhecimento sobre como a inovação ocorre e de que modo podemos influenciar isso, aumentando a probabilidade de sucesso.

 


 

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Sou psicólogo, analista do comportamento e agente de comportamento. Apaixonado pelo desenvolvimento humano, acredito que o caminho para ele passa pelo autoconhecimento. Encontro na educação empreendedora uma nova forma de ser, de desenvolver, de estar e transformar o mundo. Utilizo a análise do comportamento como bússola que guia meus estudos, análises e intervenções desde 2017. Acredito que se queremos mudar o mundo, devemos olhar para o modo como estamos nos comportando diante dele.
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