Diagnósticos comportamentais e culturais no desenvolvimento de times empreendedores

Como já mencionamos aqui no blog algumas vezes, o Brasil se destaca tal qual um país naturalmente empreendedor, e uma das causas para isso está relacionada ao aumento do desemprego e à necessidade de se encontrar soluções para isso. No último relatório global de empreendedorismo (GEM, 2022), a frase dita pelo professor José Ernesto Amorós, “a maioria dos empreendedores bem sabe, com a disrupção vem a oportunidade”, ilustra bem esse cenário e como o empreendedorismo tem se desenvolvido no nosso país. 

Outro ponto que chama a atenção é como no Brasil o número de novos negócios que encerram suas atividades antes de um ano é de pelo menos 25%; bem como aqueles que ultrapassam os quatro anos de existência compõem 50% no número total de novos empreendimentos (Siluk, . et al., 2017).

Uma das razões para essa conjuntura pode estar bastante atrelada ao fato de que as empresas controlam recursos tangíveis, como capital físico e financeiro, levando isso bastante em consideração na hora de pensar seus modelos de negócio, mas por outro lado, recursos intangíveis como capital intelectual, de inovação, comportamento e cultura, são aspectos pouco observados e geridos. 

Neste contexto vamos falar hoje sobre a importância de gerir os recursos intangíveis, por meio do diagnóstico comportamental/cultural, a fim de aumentar o valor dos empreendimentos, contribuindo assim, com uma visão um pouco mais ampla no objetivo de aumentar as chances de sobrevivência de novos negócios no mercado. 

O que determina o início de um novo empreendimento? 

Um fato importante é: ter um ideia inovadora não necessariamente determina o nascimento de um novo negócio, para tal é preciso de reflexões, testes, ida a campo, metodologias, entre outros. Em suma, transformar uma ideia em um negócio necessita de desenvolvimento e dedicação. Para isso, as startups apostam no ecossistema de inovação, rodada de investimentos, incubadoras ou aceleradoras

Uma ferramenta importante para trilharmos o citado desenvolvimento e que é bastante utilizada, é o diagnóstico, que tem como objetivo entender o cenário dos empreendedores e dos novos negócios, ou seja, como estão no momento de cada etapa.

Entender quais os níveis de conhecimentos sobre metodologias  e/ou inovação  podem ser observados e mensurados dão luz ao caminho que será mais promissor, em quais pontos é necessário maior atenção e quais são os pontos que irão acelerar o processo.

O diagnóstico comportamental/cultural como ferramenta que abre portas para o sucesso. 

A atuação em diagnóstico comportamental e cultural tem a função de entender aspectos de cultura, comportamento e conhecimentos em inovação, isso pode ajudar a selecionar times empreendedores a ser acelerados em um programa de inovação, por exemplo, ou selecionar squads para facilitar a inovação em uma organização.

Essa atuação possibilita desenhar a estratégia, objetivos e focos de desenvolvimento para as etapas de Bootcamp (workshop e pré-desenvolvimento dos projetos) e Aceleração (desenvolvimento a fundo dos projetos e times).

Quanto melhor e mais assertivo for o diagnóstico, mais valor será gerado no curso de desenvolvimento do negócio e do empreendedor. Por isso, nós da Troposlab apostamos em modelos de diagnóstico que são mais abrangentes, não só investigando aspectos de negócios, mas levando em consideração aspectos comportamentais e culturais, a saber: o Innovation Sensor (IS) e Innovation Skill Sensor (ISS).

Innovation Sensor (IS): Ferramenta utilizada para diagnosticar inicialmente o nível de maturidade em inovação e empreendedorismo de um time empreendedor (macro), ajudando a estruturar um processo de aceleração adaptado ao time que passou pelo diagnóstico. 

Através do IS é possível comparar como um time empreendedor entrou em um programa e como ele chegou ao fim, evidenciando para os empreendedores, e também para àqueles que interessam, como gestores, como foi a efetividade das intervenções, vide o exemplo (tabela 1.1).

Tabela 1.1 – Exemplo de um case onde é possível observar o nível de desenvolvimento de um time antes da aceleração (à esquerda) e pós aceleração (à direita).

Podemos observar no exemplo da Tabela 1.1, que a média geral de frequência de emissão de comportamentos empreendedores, no início da seleção, era de 33% observados e mensurados no time. Isso evidenciou quais eram os comportamentos que iriam necessitar de maiores intervenções ao longo do projeto, nos dando a possibilidade de personalizar as ações.

Na mesma tabela, após passar pelo projeto que havia sido personalizado, levando em consideração os comportamentos empreendedores pouco emitidos, o mesmo time alcançou a marca de 50%. Isso reflete, como houve mudanças no modo como os empreendedores encaram seus comportamentos diante dos empreendimentos.

Innovation Skill Sensor (ISS): É uma escala que visa mensurar o nível de preparo de pessoas para atuarem enquanto facilitadores de inovação na empresa.

Já o ISS, busca compreender a preparação das pessoas para atuarem enquanto facilitadores de inovação dentro dos programas, levando em consideração conhecimentos sobre inovação, comportamentos empreendedores, Design Thinking, conhecimento sobre facilitação e experiências. 

Os resultados podem ser comparados individualmente ou em grupo, como mostra a tabela 1.2 e 1.3.

Tabela 1.2 – Exemplo de parâmetros para análise do ISS.                         

Médias Grupo
Conhecimento Design Thinking 2,98
Conhecimento Inovação 3,25
Experiências 1,74
Habilidades Facilitação 3,12
Habilidades Empreendedoras 3,195

 

Tabela 1.3 – Exemplo de resultados

Na tabela 1.2 podemos observar o que foi definido como valores de parâmetro do grupo analisado, com base em um tabela que nos serviu de normatização. A partir disso, é possível observar no gráfico da tabela 1.3, onde o participante do diagnóstico, nomeado como “exemplo” na cor azul, estava em relação ao grupo, por meio da comparação das notas atribuídas.

Deste modo, o ISS permite conhecer o nível de preparação das pessoas para os pontos analisados, favorecendo principalmente a tomada de decisão de um time que poderá compor os facilitadores de inovação dentro da empresa, aumentando as chances de sucesso dos programas.  

Conclusão

As duas ferramentas de diagnóstico comportamental e cultural apresentadas hoje são ferramentas que dão oportunidades para estruturar programas personalizados. Elas são pensadas exclusivamente naqueles que passarão por processos de aceleração, aumentando a qualidade das ideias, a efetividade dos produtos e a sobrevivência dos negócios. 

Como dito no início do texto, olhar para recursos intangíveis, é gerir o negócio de maneira ampliada, não só por aspectos do negócio, mas levando em consideração as pessoas por trás das ideias, os empreendedores. 

Conheça mais sobre os recursos intangíveis que poderão auxiliar no desenvolvimento do empreendimento através do texto “Habilidades essenciais para empreender com sucesso”. E se ainda lhe restarem dúvidas, ou se interessar pelo nosso modo de desenvolver, nossos especialistas podem te ajudar. Entre em contato conosco.

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Sou psicólogo, analista do comportamento e agente de comportamento. Apaixonado pelo desenvolvimento humano, acredito que o caminho para ele passa pelo autoconhecimento. Encontro na educação empreendedora uma nova forma de ser, de desenvolver, de estar e transformar o mundo. Utilizo a análise do comportamento como bússola que guia meus estudos, análises e intervenções desde 2017. Acredito que se queremos mudar o mundo, devemos olhar para o modo como estamos nos comportando diante dele.
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