Pensamento Ágil: decifrando novas formas de trabalho

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Se você trabalha há mais de 2 anos em uma grande empresa pode estar se sentindo surpreso e até bastante perdido com o que tem acontecido no seu dia-a-dia de trabalho. Antes da pandemia novos termos e metodologias já surgiam diariamente. Agilidade, experiência do cliente, fail fast, mvp, NPS, e muitos outros termos começaram a ser utilizados em múltiplas áreas e, muitas vezes, desacompanhados de um entendimento claro ou de uma adaptação ao contexto.

Boa parte desses termos estão vindo das startups. Precisamos conhecer essa história para entender e apropriar de forma crítica das metodologias que estão mudando a forma de trabalhar nas empresas.

Porque há uma disrupção na forma de trabalhar?

A transformação digital é um processo que vem acontecendo globalmente e que se inicia com a queda de preço de tecnologias. Este acontecimento propiciou ganhos de produtividade muito significativos às empresas e se estabeleceu com o sucesso das primeiras empresas de tecnologia com modelos de negócio exponenciais. Hoje, o primeiro nível das empresas busca estratégias e modelos que gerem esse tipo de crescimento em seus negócios, viabilizados pela tecnologia, mas sustentados pela capacidade de seus produtos e serviços em gerar valor para o cliente.

A busca por modelos exponenciais desencadeia um processo de geração de inovação profundo e de vários tipos. Precisamos repensar e digitalizar processos, redesenhar a experiência do cliente, encontrar novos modelos de relacionamento com o cliente e novos modelos de negócios para produtos e serviços também novos, ou para os tradicionais.

Dessa forma, vale reforçar: transformação digital é um dos processos mais intensivos em inovação que o mercado já passou e, por isso, as organizações precisam de inovadores em série.  Ou seja, pessoas de todas as áreas capazes de se adaptar a essa nova forma de pensar e, sistematicamente, apoiar as empresas na implementação de novos produtos, processos e modelos de negócios. Logo, é importante se inteirar sobre o Pensamento Ágil.

O Pensamento Ágil

Chamamos de startups organizações humanas em busca de um modelo de negócios repetível e escalável. No início dos anos 2000 começamos a ver metodologias surgirem mais sistemáticas para gerar, justamente, esse tipo de inovação. Esses arranjos humanos em busca de inovação não se beneficiavam dos tradicionais modelos de negócios e de gestão, lentos e caros, e, por isso, surge às metodologias ágeis de gestão: o Design Thinking e, um pouco mais tarde, o Lean Startup e Customer Development (que converge esses novos conceitos em um passo a passo para gerar startups). 

Mais do que estudar essas novas metodologias, devemos entender que elas mudam as premissas e a forma como trabalhamos. Criadas para um ambiente de incerteza onde precisamos ser rápidos em mitigar os riscos, temos recursos limitados e buscamos uma nova forma de agir no mercado. Essa nova maneira de pensar encontrou um ambiente que se beneficiaria muito: a grande empresa. Em busca da transformação digital, esse pensamento invadiu esse contexto gerando uma revolução na forma de trabalhar.

Mas, o que está por trás dessa nova forma de pensar?

  • Processos ágeis e mais focados na geração de valor para o cliente do que no “escopo” ou no produto, que testam rapidamente o conceito com o cliente e avançam em jornadas curtas com entregáveis claros. O Manifesto Ágil, documento que sintetiza os valores e justifica o nascimento da gestão ágil, tem o cliente no centro do processo. O Design Thinking é um processo de inovação conhecido por ser centrado no humano e tem esse como um dos seus princípios. O Customer Development carrega a importância do cliente no nome e é obsessivo com a “validação” e o teste de tudo o que é proposto.

 

  • Metodologias e Ferramentas para compreender de forma empática todos os envolvidos no processo, usando esses insights da experiência humana pra gerar valor de forma consistente. A diferença entre esse e o primeiro ponto está no fato de usar o próprio cliente como fonte de insights para a solução desenvolvida. Não se trata somente de atendê-lo, ele participa ativamente do processo, sendo a maior fonte de inovação advinda da experiência qualitativa de contato com ele.

 

  • Times colaborativos e diversos: essa variabilidade de histórias e repertórios comportamentais aumentam a chance de entender com empatia e gerar soluções com criatividade para os desafios trabalhados. Esses times compartilham a responsabilidade por trazer as soluções e gerarem valor em conjunto. Os limites do que é trabalho de cada um são flexíveis.

 

  • Trabalho sustentado por dados. As famosas validações são formas de gerar dados reais sobre premissas ou hipóteses que assumimos na hora de inovar. Não se trabalha com o “eu acho”, as opiniões não importam. Somente a realidade pode responder o que gera valor, qual o problema ou a intensidade dele.

 

Claro que existem outros elementos importantes, mas esses quatro pontos são pilares fortes de todas as metodologias citadas. Eles rompem com o tradicional “job description” e mudam a direção do processo decisório das organizações.

Isso significa que, ao direcionar seu trabalho para estes elementos, certamente você vai estar caminhando para uma transformação na sua forma de trabalhar, ver oportunidades e gerar valor. Mesmo que ainda não conheça as técnicas ou todos os conceitos, a essência é o mais importante. As ferramentas e metodologias são a forma que alguém encontrou de fazer isso com eficiência. Porém, o Pensamento Ágil é mais transformador e pode variar em sua forma e prática.

O Pensamento Ágil também se adapta melhor ao contexto remoto. Os desafios de trabalhar a colaboração com a distância foram revertidos totalmente por ferramentas próprias como Miro, Mural, Jamboard e outras.

Se você ainda gera suas ideias e projetos sozinho, se está sentado atrás da sua mesa e tem uma linha clara do que é a sua responsabilidade, não conversa diariamente com seu cliente para entender as novas necessidades dele, se trabalha de forma hierárquica, se suas métricas são prioritariamente financeiras (mesmo quando está lançando um novo projeto), se realiza planejamentos rigorosos para projetos novos e inovadores, se o seu time é composto por pessoas que compartilham sempre opiniões e valores parecidos e têm medo de errar, você pode estar trabalhando do fundo da caverna de Platão vendo as sombras sem entender de fato o que acontece lá fora. É hora de pivotar suas práticas.

O mundo não é mais sobre ter controle como a teoria tradicional da Administração de empresas ensina. É sobre performar no caos, mas sem perder a consistência. Isso requer o Pensamento Ágil e Inovação. Essa compreensão e adaptação é importante para sua carreira e para sua capacidade de interagir com o mundo, com grande impacto na sua vida.  E esse é o momento em que as empresas estão investindo no aprendizado de seus colaboradores e a chance ideal de aprender ao mesmo tempo em que todos. Sem dúvidas, será mais difícil para quem ficar para o final da fila.

Ainda vale dizer que essas novas metodologias são intuitivas e despertam o melhor do potencial humano e criativo. Não é difícil aprender e será prazeroso se ver nesse processo.

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Sou psicóloga e mestre em Administração. Trabalho com inovação desde 2005 e nesse caminho me formei também com o Steve Blank, Marc Stickdorn e Jurguen Appelo. Conhecendo inovação, comportamento, novas formas de gestão e design, repenso a gestão da inovação nas grandes empresas, com enfoque nas pessoas e ambiente, indo além de processos e ferramentas. Sou idealista, mãe, amante da boa música e da arte. Nas horas livres você pode me ver correndo por aí, viajando ou brincando feroz com balões de água.
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